Rejeição a Bolsonaro é tão alta que parece não ter mais volta

Por Maria Carolina Trevisan

As pesquisas de opinião divulgadas esta semana mostram que a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro alcançou um patamar tão alto que pode ter atingido um ponto de não retorno, o que inviabilizaria a reeleição.

A pesquisa Exame/IDEIA divulgada nesta sexta (12) mostra que 52% dos eleitores consideram o governo Bolsonaro “ruim/péssimo” e 54% desaprovam o trabalho do presidente. Esses dados confirmam o que mostrou a pesquisa Genial/Quaest publicada na quarta (10): a avaliação negativa de Bolsonaro atingiu 56%, 11 pontos percentuais a mais que em agosto.

Na pesquisa PoderData desta quinta (11), 57% avaliam o trabalho do presidente Bolsonaro como “ruim/péssimo”. E na Vox Populi também divulgada na quinta, 69% dos eleitores disseram que reprovam o trabalho do ex-capitão.

“Bolsonaro tem índices muito desfavoráveis. Se ele vencer, será a maior virada de uma eleição presidencial recente na América Latina”, afirma Maurício Moura, fundador do Instituto IDEIA.”

Um levantamento feito pelo instituto de pesquisa de opinião de Moura sobre a relação entre o índice de aprovação e reeleição de governadores desde 1998 mostra que quando a avaliação positiva ficou abaixo de 20%, apenas 11% dos candidatos foram reeleitos.

Moura lembra também que todos os ex-presidentes que conquistaram a reeleição (Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff) tinham índices de aprovação superiores a 30% no terceiro ano de mandato e menor rejeição do que Bolsonaro tem hoje.

Apesar de manter a significativa e consistente aprovação entre 19% e 25% nas duas pesquisas, pode não ser o suficiente para conquistar a reeleição. Um levantamento realizado pela Ipsos Public Affairs com base em 300 votações, concluiu que o candidato que detém o cargo vence a eleição quando aprovado por 40% do eleitorado. Se o apoio for de 30%, sua chance cai para 19% e desaba para 8% quando apenas 1/4 da população o avalia bem.

Para que seja reeleito, o desempenho de Bolsonaro no ano eleitoral teria de ser fenomenal. O presidente conta com o Auxílio Brasil para reconquistar parte dos eleitores. Mas o efeito que o auxílio emergencial teve em sua popularidade no ano passado não deve se repetir com o novo programa social. O Auxílio Brasil carrega muitas incertezas e não tem sustentabilidade para depois de 2022, quando terminam os recursos dos precatórios. Além disso, a alta de preços de alimentos faz com que o poder de compra do novo auxílio seja menor. “Outro fator é o trauma da interrupção do auxílio emergencial. Isso anestesia o entusiasmo”, diz Moura.

Essas avaliações mostram que a população compreendeu a política destrutiva de Bolsonaro e a rejeita. Ele fracassou na gestão da pandemia, da crise econômica, na educação, na área social, queimou a imagem do Brasil no mundo, se tornou refém do centrão no Congresso, falhou ao enfrentar o judiciário e alardear o golpismo, perdeu espaço nas Forças Armadas e foi desmascarado com as emendas secretas e na CPI da Covid, mostrando a face exposta à corrupção.

Perdeu apoio de parte dos evangélicos, do agronegócio, dos empresários, dos lavajatistas, dos mais pobres. Nunca foi bem entre jovens, negros e mulheres. Sobraram os homens brancos, mais velhos e escolarizados. Se perder esses, não tem mais volta. Talvez já não exista mais meio de reverter a popularidade.

Diante do cenário atual e das expectativas pessimistas de futuro, Bolsonaro periga ser o único presidente brasileiro do período democrático a não conseguir se reeleger desde que é possível concorrer à reeleição. Um mito ao contrário.

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