Leão empata e testa opções

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POR GERSON NOGUEIRA

O jogo teve boa movimentação no primeiro tempo, mudanças de peças no segundo e gols na reta final. Pelas quartas de final da Copa Verde, Manaus e Remo fizeram um confronto equilibrado. Com uma escalação modificada, sob o comando de João Neto, o Leão levava perigo quando se aproximava da área inimiga tocando a bola. O problema é que fez isso poucas vezes.

Os gols não saíram no primeiro tempo porque a equipe repetiu aquele roda-roda sem fim dos tempos de Paulo Bonamigo e da última fase com Felipe Conceição. Toques laterais improdutivos, que não incomodam o adversário e fazem a bola ir ficando cada vez mais longe do gol.

Imaginava-se que sob a batuta de Netão e com outros jogadores, o Remo tivesse uma postura mais aguda e verticalizada. Nada disso. Raimar corria com a bola e, quando se aproximava da intermediária do Manaus, engatava a marcha à ré e tocava de novo para um dos zagueiros.

Do outro lado, a mesma coisa. Wellington Silva pouco se arriscava. No meio, Pingo e Marcos Junior eram os mais avançados, mas Rafinha não dava sequência às tentativas de escapada. Gorne corria em vão lá na frente.

Tudo isso forma um repertório que o torcedor azulino conhece bem. Sem agressividade, o Remo tem uma das piores artilharias da Série B. Esmera-se em reter a bola, mas faz uso ruim dela. É um dos motivos da situação dramática na classificação do campeonato.

O bom empate (1 a 1) na Arena da Amazônia serviu como preparatório para as três decisões que esperam pelo Remo na Série B. Marlon foi bem na zaga e melhor ainda batendo falta – fez um golaço aos 37 minutos.

Erick Flores, ausente desde a penúltima rodada do turno (contra o Vasco, no dia 13 de agosto), era uma das presenças mais esperadas. Por cautela, jogou apenas o 2º tempo. Movimentou-se bem, mas ainda com algumas dificuldades quanto ao ritmo das passadas e ao tempo de bola.

Pode ser opção para o importante jogo de segunda-feira contra o Goiás. Jefferson é outro que chamou atenção diante do Manaus. Tomou a iniciativa, buscou lances individuais pelo lado do campo e poderia ter sido melhor sucedido caso a equipe tivesse jogadas ofensivas mais trabalhadas.

Ronald e Paulinho Curuá, que entraram no 2º tempo, também merecem ser observados pelo novo técnico, Eduardo Baptista, que desembarcou em Belém na sexta-feira. Como ele terá curtíssimo tempo para conhecer o elenco, dependerá das indicações de Netão.

O ala Ronald deveria ser alternativa para o lado esquerdo. Está em nível superior a Raimar, Igor e qualquer outro que atue por ali. Curuá, ignorado por Conceição, mostrou rapidez e força no combate à frente da zaga. Marca melhor que quase todos os demais volantes disponíveis no elenco.

Baptista certamente acompanhou o jogo e pode usar isso para traçar a estratégia para a dura missão de estancar a queda livre do Leão na Série B.

Mais um paraense fazendo história no Botafogo

Marco Antônio é um dos destaques da belíssima campanha do Botafogo na competição. Chegou para compor elenco, não era dos mais badalados. Rendeu pouco no início, quando o Chamusca ainda era o técnico. Com a entrada em cena de Enderson Moreira o time todo cresceu de rendimento e o paraense revelado pela Desportiva subiu junto.

Com méritos indiscutíveis, tornou-se peça fundamental na movimentação ofensiva e virou um dos mais festejados pela torcida. Os gols foram saindo, coroando atuações sempre caprichadas. Uma evolução tremenda para o jovem paraense revelado no sub-15 da Desportiva.

No clube paraense, Marco Antônio teve a sorte de contar com um fino observador de seu futebol: Walter Lima. Quando chegou a categorias mais elevadas, ele atuava como volante. Por orientação de Waltinho, passou a jogar como meia e ponta, exatamente os papéis que executa no Botafogo.

Marco Antônio despontou na Copa São Paulo, há quatro anos, principalmente no jogo em que a Desportiva eliminou o Atlético-MG, um dos favoritos ao título. Depois da Copinha, foi adquirido pelo Bahia.  

Os que conhecem os clubes emergentes do futebol paraense conhecem Marituba, que defendeu Tuna e Ananindeua. Ele é tio de Marco Antônio e sua referência para buscar o futebol como ofício.

A atuação diante do Botafogo, domingo passado, serviu como atestado da importância dele na caminhada alvinegra rumo à Série A. Sem poder contar com Chay, lesionado, Enderson Moreira designou Marco Antonio para ser o meia avançado. Deu certo. O paraense bom de bola fez dois gols e ajudou a construir a goleada sobre o Vasco em São Januário.

Marco Antônio refaz a conexão entre o Pará e a Estrela Solitária. Há 60 anos, Quarentinha foi ídolo no Botafogo de Garrincha e Nilton Santos. Silencioso e implacável, tornou-se o maior artilheiro do clube.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, que vai ao ar excepcionalmente às 19h15 deste domingo, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cézar.

Um remédio para os abusos pós-expulsão

Assisti uma cena, sexta-feira, de expulsão do jogador Jonathan Bocão (Confiança) que pisou acintosamente na mão de Clayton (CSA). Bocão só faltou bater no apitador ao ser expulso. Palavrões e acusações de parcialidade foram gritados pelo infrator, de dedo em riste. Fez toda a papagaiada, o árbitro ouvindo tudo e a coisa ficou por isso mesmo.

Não é uma situação incomum, muito pelo contrário. Problemas desse tipo poderiam facilmente ser evitados com a figura do segundo cartão vermelho. O sujeito receberia o primeiro e, em caso de reação, toma outro, que o suspende automaticamente por duas partidas. Seria mão na roda.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 14)

2 comentários em “Leão empata e testa opções

  1. Assistindo ao jogo Vitória 3 X 0 Cruzeiro, vejo que a situação do Remo piorou muito.
    Creio que a linha de corte aumentou e para complicar teremos o julgamento do recurso do Brusque, que com certeza será favorável ao Brusque.
    Senão ganhar amanhã estará rebaixado. Próximas rodadas favorável aos times que disputam a permanência com o Remo.

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  2. A ideia do duplo cartão vermelho seria bem-vindo em um projeto de re-moralização da arbitragem do futebol brasileiro, que teve as vísceras mais expostas com o advento do VAR.
    O “dedo em riste”, do jogador na cara do árbitro, passou a ser a reverência habitual e protocolar.
    Da mesma forma, a invasão de campo no intervalo/final dos jogos; por dirigentes de clube, comissão técnica, jogadores já substituídos e do banco de reservas, se tornou prática danosa, que precisa ser combatida com, por exemplo, cartão vermelho direto, ou o segundo se o contraventor já tive ganho um antes.

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