Na base do tudo ou nada

POR GERSON NOGUEIRA

Técnico Eduardo Baptista pela Mirassol, seu último clube — Foto: Léo Roveroni/Ag. Mirassol

A situação aflitiva vivida pelo Remo na reta final da Série B impôs à diretoria medidas drásticas, que começaram com o afastamento de Felipe Conceição após a derrota para o Operário e culminaram com a contratação de Eduardo Baptista, anunciada ontem à noite. Fora dos grandes centros há pelo menos três anos, o técnico não era a primeira opção, nem a segunda.

Antes de Baptista, o clube tentou acertar com pelo menos dois outros treinadores, mas a negociação esbarrou em três pontos: no pouco tempo para buscar um nome de consenso, nas altas pedidas salariais e no pouco atrativo pacote oferecido pelos azulinos: salvar o time do rebaixamento tendo apenas três jogos a disputar na competição.

Baptista, preferido ou não pela diretoria, desconhecido para boa parte da torcida, representa claramente o quadro emergencial vivido pelo Remo. Diante do risco de queda e da impossibilidade de manter Felipe Conceição, contratar um novo comandante virou prioridade máxima.

Sem muita margem de manobra dentro do mercado das principais divisões do futebol brasileiro, a opção foi trazer um técnico com experiência e passagem por grandes clubes nacionais – Sport, Palmeiras, Fluminense, Atlético-PR, Ponte Preta e Coritiba. Baptista tem 49 anos e é filho do também ex-jogador e ex-treinador, Nelsinho Baptista.

Até mesmo a natureza pouco ortodoxa da contratação – o técnico virá, na verdade, cedido “por empréstimo” pelo Mirassol-SP apenas para os jogos da Série B – dá a medida do grau de dificuldades encontrado pelo Remo na busca pelo substituto de Conceição.

O fato de preferir um nome experiente à opção caseira de João Nasser Neto ajuda a explicar também os motivos da demissão de Felipe Conceição. Fica claro que há uma preocupação com a gestão de vestiário, aquela competência exigida para lidar com jogadores considerados medalhões.

Significa que o ex-treinador pode ter caído por desgaste junto ao grupo, recheado de jogadores rodados, alguns envergando histórico de pinimbas com técnicos mais exigentes. Não precisa ser bidu para imaginar quem pode ter criado dificuldades para Conceição.

Os últimos trabalhos de Baptista são pouco animadores, com resultados pífios nos três clubes que dirigiu antes de chegar ao Mirassol. No Sport, em 2018, o aproveitamento foi de 17%. No ano seguinte, dirigindo o Vila Nova, alcançou 38% de aproveitamento, chegando a 42% no comando do CSA no ano passado.

Seu melhor momento nesta fase recente da carreira foi no Mirassol, desde o final de 2020 até agora. Obteve 50% dos pontos ganhos, com 25 vitórias, 10 empates e 21 derrotas. Fez boa campanha no Paulistão com um elenco modesto, chegou a mostrar competitividade, mas despencou na Série C.

O anúncio surpreendeu e reforçou a impressão de que, se era para substituir por um nome sem maior brilho e currículo, teria sido melhor enfrentar a fúria da torcida e permanecer com Felipe Conceição até o final.

Flores é a melhor notícia do Leão contra o Manaus

Erick Flores, após longa ausência por contusão, é a principal atração do modificado time do Remo para o confronto contra o Manaus pelas quartas de final da Copa Verde, hoje, no estádio Arena da Amazônia. É a primeira boa notícia de uma semana repleta de dissabores para os azulinos.

A presença do meio-campista representa um reforço e tanto no mata-mata do torneio inter-regional e é também um aceno de esperança para os jogos decisivos pela Série B. É provável que Flores possa atuar contra o Goiás, na segunda-feira.

De nível técnico acima da média, Flores é um dos poucos jogadores de meio-campo do elenco do Remo com versatilidade para executar a recomposição, comandar a transição e ajudar nas manobras de ataque.

Sem ele, o time perdeu força e qualidade no confuso setor da meia-cancha. A longa ausência afetou a produtividade de Felipe Gedoz, Victor Andrade e dos demais companheiros de marcação, como Lucas Siqueira e Uchoa.

Todos os olhares estarão sobre ele, caso entre jogando contra o Manaus, cuidando da armação remista. Deve ter Marcos Junior e Pingo como parceiros diretos. No gol, Vinícius reaparece. O ataque deve ser ocupado solitariamente por Renan Gorne, embora Ronald seja uma alternativa de lado.

Uma parada difícil, em qualquer circunstância – com ou sem Flores.

CV: Papão perde jogadores e põe em risco campanha

Vencer o Castanhal por 3 a 1, garantindo presença na semifinal da Copa Verde, gerou comemorações no PSC, mas trouxe inquietação. É visível a preocupação com os custos de manter o atual elenco por mais um mês (e uma folha salarial) para a disputa das etapas decisivas do torneio.

Não se pode perder de vista que o PSC, como todas as equipes disputantes da Série C, arca com os prejuízos de uma competição deficitária, sem patrocínio ou verba de televisão. O déficit é alto, o que praticamente impede a prorrogação do vínculo com atletas que não renderam o suficiente na frustrada campanha do acesso.

Os primeiros sinais nesse sentido surgem da disposição de incluir atletas do sub-20 no elenco que vai se reapresentar na próxima semana. A preparação será então iniciada para as semifinais, que devem ocorrer somente na metade do mês de dezembro após o cruzamento entre Remo e Manaus.

Ontem, o zagueiro Alisson foi desligado do elenco, juntando-se aos seis outros que já haviam abandonado o barco após a eliminação na Série C. É provável que até quarta-feira novas rescisões sejam anunciadas.

Enquanto isso, o clube busca um executivo de futebol, o que representa mudança de rumos na gestão. Durante toda a temporada 2021 o PSC trabalhou sem a figura de um gerente. Com Ricardo Lecheva no papel de coordenador técnico, Ari Barros (atualmente no Náutico) é o executivo visado, enquanto Vandick e Robgol correm por fora. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 12)

3 comentários em “Na base do tudo ou nada

  1. Felipe Conceição perdeu a liderança sobre o grupo de jogadores e seu repertório tático-estratégico esgotou-se. Concordo com a contratação de um técnico cascudo para colocar ordem na casa. Netão, por fazer parte do contexto conturbado, não era o mais indicado para assumir o comando do time. Ele pode ajudar o novo técnico com informações necessárias sobre o elenco e o trabalho que vinha sendo feito e, com isso, fazer a mudança de rota. Se o novo técnico vai ter sucesso em seu trabalho não sabemos. Isso é tão incerto como saber se o técnico que saiu levaria o Remo a continuar na Série B. Mas algo teria que ser feito. Agora é torcer pra dar certo.

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  2. Remo merece ficar, vamos torcer pra dar certo, tivemos bons momentos na serie B e ainda fomos roubados por arbitros encomendados e VAR miope. Faltou opçoes em quantidade e qualidade suficientes para enfrentar a super serie B.

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