Uma campanha para esquecer

POR GERSON NOGUEIRA

Foto: (John Wesley/Ascom Paysandu)

A despedida do PSC no sábado (6) esteve à altura da campanha realizada na Série C. O que foi mal construído não podia resultar em frutos positivos. A acumulação de tropeços no quadrangular legou ao time a posição desconfortável de lanterna do grupo C, com apenas dois pontos.

Contra o Criciúma, que brigava pela segunda vaga de acesso (a primeira já tinha sido garantida pelo Ituano), o time mesclado do Papão não apresentou nenhuma novidade, embora tenha sido mais ofensivo do que o habitual.

A ausência de torcida contribuiu para certa leveza de uma equipe que também não tinha mais nada a perder. Com isso, manteve a partida equilibrada, com direito a pontadas perigosas, principalmente porque o Criciúma mostrava-se nervoso ao longo do 1º tempo.

A primeira oportunidade coube a Ruy, que recebeu junto à área e mandou por cima do gol. Dudu Figueiredo respondeu pelo Criciúma logo depois. A marcação forte no meio dominava as ações, sem permitir lances agudos.

No recomeço da partida, o Criciúma veio mais determinado. A vitória parcial do Ituano sobre o Botafogo fez com que o time exibisse mais confiança. Aos 9 minutos, Hygor lançou bola na área e Henan cabeceou forte para abrir o placar na Curuzu.

Como precisava administrar a vantagem, o Criciúma foi se acomodando e cedendo espaços. Com Danrlei no ataque, o PSC resolveu partir em busca do empate, e quase conseguiu. Nos 10 minutos finais, só deu Papão no ataque diante do visível nervosismo da zaga catarinense.

Nos acréscimos, Danrlei quase empatou ao aparar de bicicleta um cruzamento. A bola passou rente ao travessão do goleiro Gustavo. O Criciúma ficou distribuindo chutões para segurar o resultado, afinal garantido. No final, festa do Tigre pelo retorno à Série B.

Apesar do rendimento acima do esperado, o Papão não conseguiu evitar mais uma derrota na Série C, completando a pífia trajetória no quadrangular do acesso. Com o sonho de subir adiado, a diretoria pelo menos deu uma boa notícia aos torcedores após a partida.

Ricardo Lecheva, ex-volante daquele Papão que brilhou na Libertadores 2003 e ex-técnico, foi anunciado como coordenador técnico. Será o homem-forte do futebol bicolor, com prometida autonomia para trabalhar. É a primeira grande contratação do clube para a próxima temporada.

Leão cai na classificação, mas ainda depende de uma vitória

As derrotas em casa para Ponte Preta e Londrina estão custando caro ao Remo. Foram seis pontos entregues a dois adversários diretos na batalha pela permanência na Série B. Em 11º até a rodada anterior, o time despencou para o 15º lugar após os resultados desta 34ª rodada.

Perder para o CSA na sexta-feira só aumentou o tamanho da encrenca. Ainda dependendo de seu próprio esforço, o time precisa começar a se ajudar. Até a 33ª rodada os resultados vinham favorecendo a campanha do Leão, pois os times da parte de baixo não conseguiam pontuar.

Só que tudo mudou e agora o Remo está a duas posições do Z4, correndo o risco de ser alcançado pelo Brusque, 16º colocado, com 38 pontos. A situação pode mudar com uma vitória diante do Operário, amanhã, em Ponta Grossa (PR). E é bom lembrar que uma vitória afasta o risco de queda.

Diante deste cenário, a pressão sobre a comissão técnica aumentou consideravelmente. A atuação desleixada frente ao CSA assustou a torcida, que passou a cobrar providências da diretoria. Após reuniões sucessivas após o jogo em Maceió, Felipe Conceição foi confirmado no cargo.

Prevaleceu a avaliação de que uma mudança a esta altura traria risco de instabilidade e insucesso em campo. Mas, para o confronto diante do Operário, o time terá modificações importantes. É quase certa a escalação de Kevem, Pingo, Igor Fernandes e Mateus Oliveira para buscar a vitória.

Goleada acachapante marca volta do Fogão à Série A

Com método e objetividade, o Botafogo superou o Vasco com surpreendente facilidade. É claro que as campanhas são desiguais, mas o clássico tem história e retrospecto de jogos equilibrados. Ontem foi diferente. Foi a bola rolar e a situação logo se desenhou favorável à Estrela Solitária, que saía em contra-ataques fulminantes explorando a desajustada defesa cruzmaltina.

Os gols foram se sucedendo e o Vasco se desesperando. Com 2 a 0 no placar, o time de Fernando Diniz ficou com um a menos. Marco Antonio (2), em tarde inspirada, e Rafael Navarro fizeram 3 a 0 para o Botafogo só no primeiro tempo. Estava muito fácil.

Podia ter sido mais, caso o Botafogo forçasse em busca de uma goleada histórica. Ao contrário, diminuiu o ritmo e claramente tirou o pé. Ainda deu tempo de sair o quarto gol, com Diego Gonçalves. A vitória valeu a liderança isolada do campeonato.

O Vasco queimou suas últimas esperanças de alcançar o acesso. Terá que refazer planos para a próxima temporada, quando vai encarar uma Série B ainda mais renhida do que a atual, tendo Cruzeiro e Grêmio como parceiros de aventura. Apesar do mau desempenho, o Almirante perdeu com dignidade, sem apelar.

(Fico dividido em vitórias do Bota sobre o Vasco, que é o time de coração do meu pai José e de meu mano Edmilson. Nesses momentos, faço como aqueles atacantes que não festejam gols contra ex-clubes.) 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 08)

Um comentário em “Uma campanha para esquecer

  1. No final de semana assisti alguns jogos de times concorrentes do Remo contra a queda para a Série C. Essa maratona serviu para confirmar que nessa competição prevalece a transpiração frente à inspiração, ao método. É justamente transpiração o que está faltando aos jogadores do Remo nessa reta final. Para o jogo contra o Operário, acho que Marlon deveria entrar em lugar do instável Romércio. Em que pese Marlon ser um pouco estabanado e reclamar demais, problemas que podem ser arrefecidos com orientação da comissão técnica, esse jogador atua com muita garra e tem sangue nos olhos, como dizem os modernosos analistas de futebol. É inadmissível manter o anódino Artur nesse time. A continuar com esse jogador como titular é pedir pra perder, pois o time já entra com menos um. Lucas Tocantins é banco por ser um jogador frágil e de precário condicionamento físico. É jogador de meio tempo, sendo útil, a depender do andamento do jogo, quando entra no segundo tempo, para segurar o adversário em seu campo. Raimar é jogador que precisa de cobertura em suas subidas ao ataque, proteção executada com deficiência por Janssen e Romércio, e horroroso quando é ele que precisa cobrir um companheiro. Enfim, se o ataque do Remo precisa urgentemente funcionar, a defesa que se manteve estável durante quase toda a campanha agora precisa de uma outra configuração.

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