As perspectivas do Leão

Remo 0×1 Londrina-PR (Lucas Siqueira)

POR GERSON NOGUEIRA

O que era puro otimismo e entusiasmo até algumas rodadas atrás de repente se transformou em expectativa angustiante nos arraiais azulinos. Por mais que a pontuação ainda seja consistente, principalmente na comparação com os outros seis times que estão na briga direta pela permanência, ninguém pode afirmar com segurança que a situação é tranquila.

E tudo porque o rendimento recente do Remo, pontuado por instabilidade, não inspira confiança. Os adversários nem são tão temíveis no aspecto técnico, mas as fragilidades exibidas pelo time azulino em jogos contra a Ponte Preta e o Londrina deixaram um rastro de desconfiança.

Caso consiga mais uma vitória nas próximas cinco rodadas, fato perfeitamente possível, o Remo se tranquiliza em definitivo, pois os 44 pontos constituem uma margem segura de permanência. Talvez até menos pontos já garanta o cumprimento da meta estabelecida pelo clube nesta Série B.

A questão é que as partidas que restam são espinhosas. O próximo adversário é o CSA, que briga na parte superior da tabela e trava uma batalha direta com o arquirrival CRB pelo acesso à Série A, ambos com 51 pontos. A coisa é tão séria que a diretoria do clube anunciou um “bicho” de R$ 6 milhões para ratear entre os jogadores em caso de classificação.

Depois, o Remo enfrenta o Operário-PR, também fora de casa. É um oponente que faz campanha muito parecida com a dos azulinos, incluindo a pontuação (41 pontos). É, portanto, um duelo de seis pontos. Ontem, o Operário perdeu para o líder Coritiba e permaneceu atrás do Leão pelo critério de desempate – tem saldo de gols inferior.

É importante registrar que, como visitante, o Remo vem demonstrando mais desembaraço nas rodadas recentes. Foi ofensivo diante de Sampaio e Vila Nova e bateu o Cruzeiro em BH. Esse desempenho suscitou a desconfiança de que alguns jogadores teriam sentido a pressão de jogar diante da torcida, em Belém.

Depois do giro longe de casa, o Goiás será o adversário em Belém. Quarto colocado, com um jogo bem encaixado, o time alviverde é sempre difícil de ser superado. Cabe aí a observação de que o Remo tem levado vantagem em jogos contra equipes do topo da tabela.

A penúltima rodada põe o Remo contra o Vasco, previsivelmente desesperado, no caldeirão de São Januário. Jogo difícil em qualquer circunstância, pior ainda no atual momento do Gigante da Colina.

O Confiança, que ontem foi vencido pelo Botafogo no Rio, é o último desafio azulino. Talvez até lá a permanência já esteja consolidada. Caso não esteja, é quase certo que o visitante já virá rebaixado a Belém.

Como se vê, o quadro não é desesperador, mas existem riscos concretos no radar dos azulinos. Para eliminá-los, só há uma receita: o time precisa voltar a jogar em bom nível, sem tantas oscilações.

Segundona: novatos são atrações do mata-mata

Está praticamente fechada a segunda fase da Série B do Campeonato Paraense, restando definir dois times. Sport Real ou Pinheirense contra Caeté, Parauapebas encara São Raimundo, Pedreira joga com Atlético e o Amazônia terá como adversário Sport Real ou Pinheirense.

Atlético, Sport Real e Amazônia são as agradáveis novidades do inchado torneio de acesso e entram no mata-mata com boas possibilidades de avançar às semifinais. A lamentar a situação dos 15 clubes alijados na rodada disputada ontem. Uma forma de disputa que exige urgente reformulação.

Central do Apito: um jeito novo de pautar a arbitragem

Já havia mencionado aqui alguns comentários do jornalista Arnaldo Ribeiro sobre o estágio atual da arbitragem brasileira. Em entrevista a um canal do YouTube, ele discorreu mais sobre temas polêmicos com um olhar diferente do restante da crônica esportiva.

Lembrou do período em que a Globo instituiu a discussão obrigatória sobre falhas da arbitragem na época em que o VAR ainda não existia. Era o tempo do Tira-Teima, quando Arnaldo Cezar Coelho deitava e rolava na análise sobre os lances mais discutíveis.

“Na época do Arnaldo, tinha o ‘Tira-Teima’ que eu achava uma p… sacanagem. Ele fazia com que o auxiliar, que tinha uma fração de segundos para decidir, colocava o bandeirinha no ridículo. Começou a criar um negócio do nariz e o braço estar à frente. A Globo começou, desde então, a condicionar o jeito de assistir futebol”, opina.

Hoje, segundo ele, a Globo segue influenciando a visão do torcedor através da Central do Apito, um quadro que apresenta ex-árbitros debatendo e decidindo o que é certo e errado na arbitragem. Passa, com isso, a impor a pauta sobre o VAR, com posicionamentos muitas vezes bastante questionáveis.

“No Brasil de hoje, você assiste futebol via arbitragem. A Central do Apito diz que naquele lance foi pênalti, se a bola naquele lance entrou… Ninguém mais discute quem mereceu ganhar. Fica uma discussão só com o viés da arbitragem e o VAR quintuplicou isso”, diz.

Repito o que já comentei antes. A Central do Apito, conectada ou não à cabine do VAR, direciona muitas decisões vistas nos campeonatos brasileiros das Séries A e B. Alguns veredictos interferem diretamente na decisão dos inseguros árbitros, que fogem de responsabilidades e preferem sempre a revisão de vídeo.

As partidas viraram um imenso tira-teima. Para agravar a situação, alguns dos analistas globais são ex-árbitros de histórico no mínimo polêmico, casos de Sandro Meira Ricci e PC Oliveira.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 04)

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