Para vencer e estabilizar

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Conceição deve fazer, pelo menos, três alterações no time do Remo — Foto: Samara Miranda

O Remo entra em campo hoje à noite perseguindo outra vez a estabilidade ainda não alcançada até agora. Por estabilidade, entenda-se sequência vitoriosa dentro da competição. O melhor que o time conseguiu foi na série marcada pela vitória sobre a Ponte Preta, ainda na metade do turno. Desde então, muito em função das muitas lesões, o time não enfileirou triunfos consecutivos, tão importantes num campeonato nivelado como a Série B.

É verdade também que, em função da ausência de jogadores importantes, o técnico Felipe Conceição não consegue repetir a mesma formação há pelo menos dez rodadas. Quando a defesa está completa, o meio-campo tem baixas. Se o meio finalmente se ajeita, eis que o ataque perde peças.

A rigor, não é um drama exclusivo do Remo. Ocorre com praticamente todos os times da Série B, mas no caso azulino a situação adquire mais gravidade em função das limitações do elenco. Diante do Avaí (5º colocado, 37 pontos), o Leão (11º, 30 pontos), a situação exige uma postura mais determinada na parte ofensiva.

Apesar de contar com o retorno de Victor Andrade ao ataque, o técnico continua sem Anderson Uchoa no meio-campo e sem Tiago Ennes na lateral direita. Wellington Silva substitui Tiago, mas na marcação reina dúvida. Pingo ou Lucas Siqueira ou Artur ou ainda Marcos Junior.

Contra um adversário que se apresenta bem como visitante, o Remo vai tentar estabelecer um jogo que não permita contratempos como contra CRB e Botafogo, que determinaram duas derrotas em casa neste returno do campeonato. Para isso, precisa se precaver no meio, mas terá que executar uma transição rápida e eficiente. Exatamente como no segundo tempo do jogo com o Vitória.

Naquela ocasião, Marcos Jr. cumpriu bem o papel de condutor do jogo pelo meio, lembrando até o papel normalmente exercido por Erick Flores, que continua fora da equipe por contusão. Para que o trio ofensivo – Mateus Oliveira, Felipe Gedoz e Victor Andrade – funcione, é necessário que a bola chegue sempre com rapidez e qualidade.

Mencionei Mateus e Gedoz porque ambos têm sido escalados como titulares, mas Felipe pode surpreender, lançando mão até do estreante Neto Pessoa como comandante do ataque ou utilizar Lucas Tocantins desde o início. Enfim, são possibilidades que permitem ao Remo ter um time bem arrumado do meio para frente.

Jefferson, Renan Gorne e Rafinha também estão em condições de entrar, embora tenham sido mais utilizados como opções de segundo tempo. O fato é que, independentemente dos jogadores que venham a ser escalados, o Remo precisará da mesma atitude mostrada no 2º tempo no Barradão – e jamais se permitir fazer o 1º tempo horroroso daquela noite.

Mestre Ziza, Danilo Alvim e o título remista de 1968

A propósito da matéria que o Bola publicou anteontem, o grande benemérito azulino Ronaldo Passarinho enviou à coluna o comentário abaixo sobre a presença de Mestre Ziza como técnico do Leão nos anos 1960. Vamos ao relato:

“Gerson, na excelente reportagem no Bola de hoje, a trajetória do Zizinho faltou um item. Zizinho foi técnico do Remo, em 1967. Eu era assessor do Jorge Age, no futebol do Remo. Estávamos sem técnico. Pedi ajuda ao meu amigo Nilton Santos. Fomos à casa do Zizinho, em Niterói.

Como ele era fiscal de Impostos, consegui com sua aquiescência uma licença de seis meses, com a decisiva ajuda do então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho.

A decisão foi contra o PSC. No último jogo, François recebeu uma pancada no rosto, com fratura do malar. Naquele ano perdemos dois excelentes goleiros. Um, Moreira, com acusações infundadas de mau comportamento. O outro, o extraordinário Florisvaldo, juvenil do Botafogo, vitimado por um câncer.

Benedito, que trabalhava com o Manoel Ribeiro, passou a ser reserva do François. Substituição feita, o time sentiu sua intranquilidade. Outro fato foram as suspeitas sobre Oberdan. À véspera do jogo narrei o fato ao Zizinho que se recusou a aceitar à denúncia.

Não havia regra 3. Durante o jogo foi marcante o comportamento do Oberdan. Zizinho, desesperado, mandou-o para a ponta esquerda. Pior a emenda que o soneto. Todos os ataques do Remo lá estava o falso atacante em impedimento.

Ao final, foi um custo segurar o valente e raçudo Alemão, correndo atrás do Oberdan para ‘dar-lhe’ um corretivo nos vestiários. Na volta para Niterói, Zizinho me informou que tinha de se reapresentar no seu emprego.

Novamente me socorri da amizade com o Nilton Santos. Pedimos ao Zizinho que indicasse seu substituto. Marcamos um almoço, presentes Nilton Santos e eu, na Sears, em Botafogo, o Zizinho chegou com Danilo Alvim, seu amigo, ambos craques titulares da Seleção de 1950.

Convidado, Danilo aceitou na hora. Na nossa despedida, Zizinho me deu um conselho precioso: ‘leva o Robilota para o Remo’. Assim foi feito e o Remo foi campeão de 1968”.

Fortaleza de Pikachu atropela o São Paulo

Foi um jogo de total superioridade do Fortaleza. Fez 1 a 0 no primeiro tempo e usou de grande movimentação para envolver o sistema de marcação do São Paulo. Parecia que o tricolor paulista era o time emergente. Assustado, nervoso e errático, não acertava o passo.

Veio o segundo tempo, o Fortaleza mudou a forma de jogar, passando a explorar o contra-ataque. O segundo gol nasceu de um deslocamento de Pikachu pela direita e a bola foi lançada no centro da área para a entrada de Henriquez. Ainda fez o terceiro (David) e sofreu um gol, mas a classificação já estava garantida.

Prova, mais uma vez, de que o Fortaleza de Vojvoda não está para brincadeira, nem no Brasileiro e nem na Copa do Brasil, onde chegou pela primeira vez à semifinal. Organizado e compacto, o Fortaleza surpreende pela extrema velocidade e pela eficiência nas finalizações.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 16)

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