Democracia e luta por direitos sociais

NOTA PÚBLICA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ECONOMISTAS PELA DEMOCRACIA (ABED) REFERENTE AO SETE DE SETEMBRO

Nos últimos cinco anos a sociedade brasileira mergulhou em um lamaçal profundo, marcado pela destruição dos poucos direitos sociais conquistados, pelo desemprego, pela retomada da carestia dos preços dos bens básicos e por uma crescente escalada de autoritarismo e violência social. Os interesses de classe da burguesia brasileira estabeleceram o recrudescimento da superexploração dos trabalhadores brasileiros, intensificando suas condições de fragilidade e vulnerabilidade, fatores que levam a um mercado de trabalho crescentemente precário e empobrecimento da nossa população.

Os números revelam um cenário de continua crise econômica, mantidas elevadas taxas de desemprego e crescente pobreza, sendo que nos últimos dados divulgados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar, IBGE) quase quatorze milhões de brasileiros estão desocupados e a grande maioria dos mesmos (40,7% da população ocupada) vive na chamada informalidade, sendo que 26,9 milhões de brasileiros são subutilizados e estão sob condição de desalento, ou seja, não conseguem as condições de ocupação básica que possibilitem uma renda mínima necessária para sua sobrevivência.

Esse quadro de agravamento do desemprego e de formas precárias de ocupação levaram o Brasil a retornar para o mapa da fome: cerca de 116,8 milhões de brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar e, destes, 43,4 milhões não dispõem de alimentos em quantidade suficiente e 19 milhões de brasileiros(as) enfrentam a fome (conferir Relatório da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar – REDE PENSSAN, 2021).

O agravamento do quadro econômico e social se torna ainda mais funesto quando se observa a disparada dos preços dos produtos básicos, consolidando uma espiral inflacionária que não se observava desde o final do governo Collor de Mello. Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) o preço da cesta básica de alimentos aumentou em todas as capitais onde é pesquisado pela instituição. No acumulado dos 12 meses encerrados em junho de 2021, esse aumento correspondeu, em Brasília, a 29,9%; em Porto Alegre, a 25,3%; e em Belém, a 18,52%. Na capital paraense o valor da cesta básica chegou em julho de 2021 ao valor de R$ 522, 66 (quinhentos e vinte e dois reais e sessenta e seis centavos), representando mais que 51% do salário-mínimo vigente.

O atual (des)governo nada faz para enfrentar as causas da atual crise econômica, assim como, quanto a crise sanitária do Covid-19 sua atuação foi de propagar o vírus, como mostram estudos divulgados e a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, sendo que alcançamos quase 600 mil pessoas vitimadas por uma doença que poderia ser evitada e tratada.

A ABED considera que tanto o quadro de crise econômica, quanto de crise sanitária são em grande medida resultantes de um (des)governo cujo único propósito é o empoderamento do autoritarismo e de setores comprometidos com as milícias, corrupção e destruição da soberania nacional brasileira. A ABED conclama neste 7 de Setembro toda sociedade brasileira, aqueles e aquelas comprometidos com a democracia e com o Estado Democrático de Direitos a se oporem ao atual governo Bolsonaro e exigimos seu imediato impeachment.

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