Adeus e obrigado, grande Charlie!

BLITZ – Charlie Watts, dos Rolling Stones (1941-2021): uma vida em imagens
Morre Charlie Watts, baterista dos Rolling Stones | Cultura europeia, dos  clássicos da arte a novas tendências | DW | 24.08.2021

Para comoção mundial entre os fãs de rock, morreu nesta terça-feira (24/08) em Londres, aos 80 anos, Charlie Watts, icônico baterista há quase seis décadas dos Rolling Stones. A notícia veio através de seu agente, Bernard Doherty, que afirmou que Watts morreu “em paz, num hospital de Londres, rodeado pela família”.

“Charlie era um marido adorado, pai e avô e também, como membro dos Rolling Stones, um dos grandes bateristas da sua geração”, disse Doherty.

A banda tinha anunciado, no começo do mês, que Watts não participaria da turnê americana dos Stones, por estar se recuperando de um procedimento médico, e que ele seria substituído pelo baterista Steve Jordan.

Tranquilo, estiloso e elegante, Watts destoava em estilo de seus colegas de banda. Durante toda a sua trajetória, ele em grande medida se manteve à parte dos conflitos criativos, brigas de ego e do uso abusivo de drogas que ajudaram a matar o membro fundador Brian Jones e levaram o baixista Bill Wyman e o substituto de Jones, Mick Taylor, a desistirem da banda.

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Watts tocou bateria em todos os 30 álbuns dos Stones e em cada uma das turnês – a No filter, que recomeçaria em setembro nos EUA, seria sua primeira ausência. Ele era como a base, elegante e discreta, que permitia aos colegas de banda curtir os holofotes.

Com frequência era colocado no primeiro escalão dos grandes bateristas da história do rock, ao lado de nomes como Ringo Starr, Keith Moon e Ginger Baker. Em shows dos Stones, ele era sempre um dos mais festejados pelo público.

Charlie Watts em show dos Stones em Hamburgo, em 2017

Entre o rock e o jazz

Nascido em Londres em 1941, Watts começou a tocar em clubes de rhythm and blues de Londres no início da década de 1960, antes de se unir a Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards para formar os Rolling Stones, em janeiro de 1963. A banda obteve sucesso inicial no Reino Unido e nos Estados Unidos com covers de blues, e alcançou fama global com hits como (I can’t get no) SatisfactionGet off of my cloud e Paint it, black, e o álbum Aftermath.

Em grande parte, Watts deixou o inferno que marcou a banda nos anos 60 e 70 apenas para os outros membros. No palco, ele também deixava o estilo espalhafatoso para Jagger e outros enquanto ele, lá do fundo, norteava o ritmo das apresentações da banda com capacidade e calma.

O discreto e elegante Watts com Wood, Jagger e Richards

Charlie se contentava em ser um dos melhores bateristas de rock de sua geração, sem abraçar a vida de popstar, dando ao som dos Stones sutis toques de jazz que tornaram possível o sucesso estrondoso. Como disse o guitarrista Keith Richards em sua autobiografia de 2010: “Watts sempre foi a cama em que eu me deito musicalmente”.

Watts foi baterista de jazz em seus primeiros anos de vida e nunca perdeu sua afinidade com o ritmo que o levou à música. Longe dos Stones, sempre encontrou tempo para continuar a tocar jazz com vários grupos, incluindo uma banda de 32 integrantes.

Charlie Watts Once Punched Him in the Face | 25 Things You May Not Know  About Mick Jagger | Purple Clover

Para o mundo, porém, ele sempre foi e será uma estrela do rock, mas dizia frequentemente que a experiência era estafante e desagradável, às vezes até assustadora. “Garotas te perseguindo pela rua, gritando… horrível… eu odiava”, disse certa vez ao jornal The Guardian em entrevista. O escritor Philip Norman, que escreveu extensivamente sobre os Rolling Stones, disse que Watts parecia sempre com a “na constante esperança de poder pegar o próximo avião para casa”. Era como se o rock fosse seu ganha-pão, e o jazz, a diversão.

Tom Morello, ex-guitarrista do Audioslave e do Rage Against the Machine, sintetizou bem a importância de Charlie para o rock’n’roll: “O rock não seria o rock sem o ritmo, o estilo e a vibe desse músico incrível, um dos maiores arquitetos da música que amamos.”

Ringo Starr, Paul McCartney, Elton John e várias outras estrelas do rock se manifestaram após o anúncio da morte, homenageando o discreto e gigante Charlie. (Com informações da Rolling Stone, Reuters e AFP)

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