Sempre é tempo de aprender

POR GERSON NOGUEIRA

Romércio

A Série B tem sido pródiga em ensinamentos para o Remo. Representa uma oportunidade preciosa de aprender a crescer, depois de tantos anos afastado do campeonato que é a antessala da elite, por assim dizer. Um torneio difícil e equilibrado. A cinco rodadas da virada de turno, tudo está em aberto e as metas ainda estão ao alcance da mão.

Contra o CSA, hoje, no Baenão, o Remo tem a oportunidade de se reconectar com as vitórias. O recente giro sulista deixou desapontamentos, mas permite rever alguns conceitos.

A ideia de um time vitorioso e que pudesse atropelar adversários, esboçada na trinca de triunfos que abriu os trabalhos de Felipe Conceição, talvez não seja tão realista. É possível, sim, fazer uma boa campanha, mas o modelo de jogo baseado na mobilidade ofensiva nem sempre é tão eficaz.

Não por culpa do modelo, mas por deficiência dos executores. O fato é que não há no elenco quantidade tão grande de jogadores capazes de colocar em prática as funções essenciais do sistema. Rapidez na troca de passes, inventividade nos deslocamentos, inversão constante de papéis no ataque.

Funcionou muitíssimo bem contra a Ponte Preta, a contento diante do Cruzeiro, mas afundou completamente frente ao Londrina. Deu sinais de recuperação no jogo com o Avaí, mas precisa se repetir mais vezes para entrar no automático e se consolidar.

O ponto alto do sistema é Victor Andrade. Sem ele, dificilmente Felipe teria como adotar essa configuração de jogo. Com ele, é possível descobrir outras funções para Gedoz e Flores, mas problemas irão surgir sempre que o time como um todo não acompanhar o giro dos homens de frente.

Apesar de a defesa, com Romércio (foto) e Kevem, ter se estabilizado, os laterais seguem pouco participativos, quase ausentes do esforço coletivo. Para que o time não se perca pela distância entre os três setores, é fundamental que Tiago Ennes e Igor Fernandes se entreguem mais ao jogo.  

Dentro do aprendizado geral que a Série B impõe, o Remo precisa estar pronto também a entender que a oscilação é parte do processo e que o perde-ganha é uma contingência natural do equilíbrio da competição. Isso é fundamental para que não surjam abalos acima da linha de normalidade.

Vencer é a prioridade, mas nem sempre será possível empreender uma sequência sem tropeços. Elencos de nível mediano como o do Remo tendem a sofrer mais. O inevitável rodízio de peças põe à prova a qualidade do grupo, principalmente quanto o modelo ainda não está encaixado.

A partida de hoje pode dar respostas a Felipe e aumentar o grau de confiança dos jogadores. Mas, para que isso ocorra, a escolha de titulares e reservas deve ser depurada e até repensada. Mateus Oliveira terá que se integrar de verdade ao time, Dioguinho idem.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h30, na RBATV. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em debate, os jogos de Remo e PSC nas séries B e C, e de Castanhal e Paragominas na Série D. A edição é de Lourdes Cézar.

As histórias de Edgar para deleite da massa

Quando se anuncia um livro de Edgar Augusto é preciso abrir alas e comemorar, aplaudir de pé demoradamente. Por generosidade do autor, tive o privilégio de ler “Leque de Estrelas” (Amo! Editora). Um livro do balacobaco, como bem definiu o mestre Pedro Galvão na apresentação.

São 80 crônicas para ler de um tapa, sem firulas. Por hábito, costumo saborear bons textos, vou me detendo nas entrelinhas e volto páginas para ter a certeza de que não deixei nada passar batido. Levei duas tardes de pura delícia com as reminiscências prodigiosas do nosso Edgar.

Um inventário da história recente de Belém, escrito com destreza para ser lido com prazer. Em alguns momentos, a prosa tranquila de Edgar faz lembrar a maestria de Ruy Castro ao se reportar ao Rio de Janeiro antigo.

Dei boas risadas com histórias pitorescas e curiosas, como o relato hilariante das festas do Automóvel Clube de Belém (sim, é verdade, ele existiu mesmo!), encarapitado no 13º andar do edifício Palácio do Rádio.

É comovente a descrição do encontro do menino Edgar com seu ídolo Pedro Vargas, intérprete de “Farolito” e “Vereda Tropical”, entre outros sucessos imortais.

Como eu, Edgar também se rende às chuteiras imortais daquela Seleção Brasileira de 1962, pontilhada de craques botafoguenses. Pode-se dizer que a Copa do Chile foi a única ganha por um clube, o nosso Botafogo, que generosamente deu ao Brasil seu segundo título mundial.

Há essas e muitas outras histórias maravilhosas, homenagens sinceras a ícones como Nelson Gonçalves, Carlos Lyra, Sebastião Tapajós e – claro – aos Beatles. Acima de tudo, o livro revela em cores vivas a personalidade gentil e a bonomia única de Edyr Proença, o pai de Edgar.

O livro permite que a gente conheça melhor a personalidade de Edyr, descrito em passagens bem-humoradas, como a das desafiadoras botas em plena beatlemania. Recortes que só o amor de filho permite resgatar com tanto esmero e carinho.

Recomendo aos baluartes da coluna que não deixem de ler. Não reúne apenas as memórias de Edgar. É sobre tantas coisas que pareciam escondidas no fundo de alguma gaveta qualquer. E é um mimo apaixonado a Belém, aquela cidade que tanto amamos e que por vezes parece existir hoje apenas em nossa saudade.

O lançamento oficial de “Leque de Estrelas” será em agosto, em local a ser confirmado.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 01)

3 comentários em “Sempre é tempo de aprender

  1. Desconheço as atuações práticas dos técnicos de futebol no quesito aprimoramento técnico de seus jogadores. Minhas informações sobre isso são secundárias, obtidas da imprensa. Telê Santana treinava fundamentos com seus pupilos. Júnior Baiano e Cafu foram insistentemente moldados por ele e, para surpresa de muitos que davam pouco crédito, tornaram-se bons jogadores graças ao saudoso treinador. No caso do Remo, desconheço se os treinadores fazem algum trabalho com Artur, que não consegue acertar um passe de dois metros, apesar de ser um atleta esforçado. E com Tiago Ennes, no seu estranho vício de prender a bola e esperar o contato do adversário para receber a falta, nem sempre marcada, optando por não dar rapidez ao jogo. Aliás, diga-se, alguns outros companheiro optam pelo mesmo procedimento, se bem que de maneira menos recorrente. Dioguinho é um peladeiro que se profissionalizou. Detentor de razoável recurso técnico, é indisciplinado (dentro e fora de campo) e inconsequente taticamente. Não sabe, e parece que ainda não informaram a ele, o que futebol é um esporte coletivo. Gedoz é um bom jogador, às vezes decisivo, mas o treinador precisa dizer a ele que faça como o Zico, que após os treinos ficava aprimorando cobranças de faltas e de pênaltis. Somar a isso cobrança de escanteios e até de arremessos laterais. Quanto a cruzamentos, essa é hoje uma das maiores pragas do futebol brasileiro, pois parece que nenhum jogador treina esse fundamento. A maioria são horríveis. O Remo apresentou razoável organização tática a partir do segundo tempo do jogo contra o Brusque, mas algumas peças não estão a altura para mantê-la ou melhorá-la.

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  2. Gerson, em sua coluna deste domingo, no Diário do Pará, Edgar Augusto anuncia o lançamento do livro de crônicas “Leque de Estrelas” para o próximo dia 14 (sábado), das 09h às 14h00, na Livraria FOX, da Doutor Moraes. Vamos prestigiar o grande botafoguense !!

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