A vitória da maturidade

POR GERSON NOGUEIRA

Bruno José; Remo x Cruzeiro

Não basta vencer, é preciso jogar bem e mostrar competência na administração da vantagem. O Remo cumpriu bem esse papel ontem à noite diante do Cruzeiro, no Baenão. Venceu por 1 a 0, gol marcado logo aos 22 minutos por Victor Andrade com requintes de categoria. Depois da obra de arte que foi o gol o confronto não teve mais nenhuma jogada à altura.

Era previsível que o Cruzeiro viria desesperado para enfrentar o Remo. O que podia ser uma vantagem ou uma ameaça para o clube paraense. As coisas começaram a sorrir para o Leão a partir da presença firme desde os primeiros movimentos e do gol construído em trama bem organizada.

O voleio de Victor Andrade coroou uma triangulação iniciada por Felipe Gedoz na intermediária do Cruzeiro. Ele deu um passe preciso para Tiago Ennes avançar e cruzar para o meio da área. Andrade recebeu a bola no ar, livre de marcação, e mandou um tiro forte e indefensável no ângulo superior esquerdo trave de Fábio.

A empolgação gerada pelo golaço deixou o Remo ainda mais à vontade e ciente de sua força. Passou a tocar a bola com mais consciência, dosando a correria e fazendo o Cruzeiro se desgastar. A melhor chegada do visitante aconteceu aos 31 minutos, em boa finalização de Matheus Barbosa, que passou levando perigo.

Os minutos finais do primeiro tempo fizeram o jogo decair tecnicamente. Faltas seguidas e erros de passe travaram a partida, mas o Remo terminou com maior presença no campo ofensivo.

Tentativas rápidas do Cruzeiro com Rafael Sóbis, Marcinho e Felipe Augusto, mas o time tinha dificuldades de acertar chutes a gol. Aos 6 minutos, porém, o lateral Rômulo cruzou da direita e a bola bateu no travessão assustando o goleiro Vinícius.

Sem pressa, o Remo tramava bem pela ala direita. Foi por ali que, aos 7 minutos, Erick Flores foi à linha de fundo e tocou para Felipe Gedoz na entrada da área. O camisa 10 bateu rasteiro à direita do gol.

Houve um lance confuso com Bruno José e Igor Fernandes, que os cruzeirenses reclamaram pênalti, mas o árbitro mandou seguir. Logo depois, aos 22’, Matheus Barbosa levou um chapéu de Gedoz e fez falta dura. Tomou o segundo amarelo e saiu do jogo.

A perda de um jogador deixou o Cruzeiro ainda mais hesitante, lançando-se pouco ao ataque. Bruno José foi substituído por Wellington Nem, mas o ataque que mais incomodava era o remista. Com Wallace no lugar de Dioguinho e Wellington Silva na vaga de Victor Andrade, o time avançava sempre com quatro ou cinco jogadores.

Aos 39′, Wellington deu um passe perfeito para Gedoz. O chute forte tinha endereço certo, mas o goleiro Fábio defendeu bem. O Remo controlou as ações e garantiu a vitória sem correr riscos.

Com 16 pontos após a terceira vitória consecutiva, o Leão subiu para a 11ª posição. A atuação de ontem, embora menos intensa que a de sábado em Campinas, revela um estágio técnico impensável até a oitava rodada, quando parecia um time desprovido de ataque e agressividade

Melhores do Remo no jogo: Tiago Ennes, Flores, Gedoz e Andrade.

Dois gigantes em apuros na Série B

O Botafogo capenga em sua terceira participação na Série B. Clube tradicional, entrou como um dos candidatos ao acesso, junto com Vasco, Cruzeiro, Coritiba e Guarani. O desenrolar da competição revela um cenário inteiramente diferente do previsto. Por enquanto, apenas Bugre e Coxa confirmam as projeções,

Junto com o Cruzeiro (17º), o Botafogo tornou-se um time facilmente batido até dentro de casa, como ontem pelo Goiás, e sem confiança para sustentar vitórias encaminhadas no primeiro tempo. Foi assim contra CRB e Brusque. Está na 11ª posição, sem exibir forças para uma recuperação.

Por coincidência, tanto Cruzeiro quanto Botafogo já trocaram de técnicos. Marcelo Chamusca caiu há duas rodadas e será substituído por Enderson Moreira, anunciado ontem. Na Raposa, Mozart entrou no lugar de Felipe Conceição, mas deve ser dispensado ainda nesta semana. Fala-se em Vanderlei Luxemburgo para assumir o cargo.

O problema maior não está à beira do gramado, vai muito além disso. O problema desses gigantes adormecidos é mais complexo, começa nas gestões estropiadas e escolhas infelizes. Investimentos que se revelaram desastrosos contribuindo para o caos financeiro.

Nos dois casos, o rendimento em campo reflete fielmente a balbúrdia da gestão. Mais do que a busca por técnicos milagreiros e torcida pela reação dos times, é preciso cuidar da saúde administrativa. O tombo técnico talvez não leve ao rebaixamento, mas o acesso a essa altura é improvável.

Papão mira em nomes de peso para a criação

Depois de sonhar com o ex-vascaíno Bruno César, que não aceitou a proposta feita, o PSC segue tentando trazer alguém que resolva de fato a carência de qualidade no meio-campo. O primeiro a ser cogitado é o argentino Emanuel Biancucchi (32 anos), que é primo do craque Lionel Messi e fez boas participações no Vila Nova até o ano passado. Está livre no mercado.

Outro jogador experiente visado é o meio-campista Cícero, de passagens por Fluminense, Grêmio e Botafogo. A diferença para Biancucchi é que Cícero não é um meia-armador de ofício. Joga como segundo ou terceiro volante, mas não é um especialista no setor de criação.

Demonstração clara de que os novos responsáveis pelo setor de futebol do clube estão conscientes da necessidade premente de dar ao time mais qualidade no meio. Sem isso, será difícil sustentar o sonho do acesso. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 21)

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