Para sair da maré de empates

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×0 Guarani-SP (Dioguinho)

Depois da boa apresentação contra o Náutico, no sábado, o Remo volta a campo hoje recebendo o Sampaio Corrêa no Baenão, a partir das 21h30. O jogo vale pela oitava rodada do Brasileiro da Série B e representa um desafio para o Leão: romper a incômoda sequência de empates – foram três nas últimas rodadas: contra Vitória, Guarani e Náutico.

Nos confrontos em Belém a principal dificuldade foi a falta de qualidade no meio-campo, tendo como consequência a inoperância ofensiva, tanto que diante de baianos e campineiros o placar foi 0 a 0. Paulo Bonamigo optou por improvisar Rafinha como meia, barrando Felipe Gedoz.

Não funcionou, mas a opção de sacar Gedoz mostrou-se correta. O camisa 10 não se apresentava bem há várias partidas e parecia exaurido fisicamente. Pelo que apresentou contra o Náutico, nos Aflitos, o banco parece ter feito bem a Gedoz.

Voltou a ser o meia dinâmico, colaborativo e atento às funções de ataque. Não por acaso, saiu de campo como o principal atacante do time, marcando inclusive o gol azulino após bonita jogada de Erick Flores.

Flores foi outra boa notícia para Bonamigo. Pouco adaptado ao esquema tático, entrou sempre no decorrer das partidas e sem maior inspiração. Diante do Náutico ficou clara a utilidade dele para a equipe, desde que seja um a mais no esforço de marcação e saída na meia-cancha.

Em 17º lugar na classificação, ocupando a zona do rebaixamento, o Remo precisa encarar o Sampaio de forma diferente do que costuma fazer em seus domínios. Não pode permitir que o visitante se tranquilize. Precisa pressionar desde o começo, a fim de assumir as rédeas e ditar o ritmo.

A vitória é obrigatória, até mesmo para capitalizar os efeitos positivos da performance contra o líder Náutico, que só empatou em função de um erro de arbitragem. A disciplina tática, a intensidade e a concentração exibidas nos Aflitos devem se tornar uma prática permanente.

Bonamigo segue com baixas importantes. Não terá Marlon, Wellington, Tocantins e Jefferson, que saiu lesionado no Recife. Em contrapartida, terá o retorno de Dioguinho e Rafael Jansen já está recuperado. Nas laterais, tão importantes ao modelo praticado pelo Remo, Tiago Ennes volta no lado direito e Igor Fernandes vai se consolidando no esquerdo.

Um jogaço que só a Euro poderia proporcionar

A Euro oferta encantos irresistíveis para o fã de futebol. Ontem, dois jogos das oitavas – Croácia x Espanha e França x Suíça – renderam 14 gols, quantidade de gols de muita rodada de torneios chinfrins aqui no Brasil. O nível das partidas é simplesmente avassalador em comparação com a soturna Cova América, que ora se arrasta melancolicamente no país de 514 mil vítimas fatais da pandemia.

Sobre o embate entre franceses e suíços, esperava-se que os campeões do mundo atropelassem uma seleção que não é da prateleira principal do futebol europeu. A partida revelou um time suíço vibrante, que reagiu a uma virada que parecia definitiva aos 30 minutos do 2º tempo. Nos minutos seguintes, dois gols incríveis decretaram a igualdade em 3 a 3.

Chamou atenção a maneira como a França desmoronou e cedeu o empate por excesso de confiança. Na prorrogação, duelo absolutamente parelho. Nos penais, nove tiros perfeitos, sem chance para os goleiros. Na última cobrança, Mbappé bateu no canto, mas Sommer voou para defender.  

Detalhe: aos 9 minutos do 2º tempo da prorrogação contra a Suíça, Pogba deu um passe longo em direção à esquerda, pegando na bola com a costa do pé. Uma pintura, algo como uma grande finta. Uma Euro admirável fez o volante francês, com direito a um golaço ontem. Sentirei mais saudades de suas apresentações do que dos gols de pênalti de CR7.  

Pogba sai do torneio, mas ficam os animados suíços, à frente o camisa 10 Xhaka, que esbanjou habilidade e atitude ofensiva. Afinal, como ninguém viu a Suíça evoluir? É a pergunta que até Tite deve estar se fazendo.

Em confronto igualmente eletrizante, a Fúria despachou a Croácia vice-campeã do mundo. O time de Luis Enrique teve lá seus momentos de tibieza, mas conseguiu cravar 5 a 3 na esquadra de Modric, o que é um feito digno de respeito.

Leão está no colegiado que vai fundar a Liga Nacional

Uma reunião realizada em S. Paulo, ontem, sacramentou a carta de intenções para a fundação da Liga Nacional, que os 40 clubes das Séries A e B querem que assuma futuramente a organização do Campeonato Brasileiro. Representado pelo presidente Fábio Bentes, o Remo participa e é um dos signatários do documento, que apresenta itens importantes: igualdade de tratamento e “negociações privadas e públicas uniformizadas”.

“Os clubes ao subscreverem a presente CI manifestam a sua intenção de constituir a Liga para fortalecimento do futebol brasileiro, uniformizando a atuação em negociações privadas e públicas, mirando eficiência, transparência e igualdade de tratamento”, diz a carta.

Alguns pontos seguem em aberto, antes da constituição legal da Liga. Um deles é a discussão em torno da igualdade de votos e direitos dentro da entidade. A priori, a negociação de verbas e contratos do Brasileiro será feita de forma coletiva, embora não se saiba ainda como isso ocorrerá.

Por enquanto, os contratos em vigor (individuais) com a Globo e a Turner vão até 2024. A intenção dos clubes, porém, é demarcar o planejamento para os próximos 10 anos. A partilha da grana deve ficar para mais longe, contornando o risco de divergências neste momento.

Outro aspecto importante é que uma comissão de clubes das duas principais divisões vai cuidar da redação dos estatutos e atas, para que a Liga saia formalmente do papel em três meses, no máximo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 29)

Um comentário em “Para sair da maré de empates

  1. Em que pese a propaganda da Globo de que esta Série B é a maior de todos os tempos, o que vemos até agora é um nivelamento entre os times participantes. Os chamados “grandes” até o momento não fizeram o passeio esperado. Vão alcançar os grandes objetivos de subir para a Série A ou permanecer na Série B quem mostrar competência e regularidade em campo. Que o Remo esqueça arte e beleza, até porque não tem material pra isso, e foque no pragmatismo de jogar com empenho, ganhar em casa e beliscar pelo menos um pontinho fora.

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