É hora de encontrar saídas

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×0 Guarani-SP (Viníicus Kiss)

Virou moda espinafrar o Remo na Série B. Todo mundo aponta erros e apresenta soluções miraculosas. O pior, para o time, é que as críticas estão corretas – todas. Nada de novo sob o sol. O futebol é assim mesmo. Fases ruins, mais comuns do que as boas, geram imediata rejeição e fazem com que feitos recentes rapidamente sejam esquecidas.

Paulo Bonamigo, que já deve ter passado por isso, é o catalizador desses ataques diários. Clubes de massa não podem se dar ao luxo de um tropeço ou deslize. A expectativa criada pela volta do Remo à Segunda Divisão suscitou na torcida a fé numa grande campanha.

Apesar de todo mundo saber das imensas dificuldades, acentuadas pelo nível dos clubes classificados para a edição deste ano, muita gente esperava um grande desempenho do Remo na competição. De repente, depois de apenas cinco rodadas, o desânimo dá o tom.

Ao Remo faltam 33 rodadas ainda, mas o torcedor já visualiza o pior dos cenários: o rebaixamento à Série C. Os riscos existem, é claro. Competições são definidas, em média, no primeiro terço de disputa.

O aproveitamento foi sensivelmente prejudicado pela perda de atletas fundamentais. Os laterais titulares (Marlon e Wellington Silva) e o atacante mais agudo (Lucas Tocantins) são baixas que expõem em cores vivas as limitações técnicas do elenco.

Bonamigo chegou ao Remo no ano passado e levou o time ao acesso por acertar no uso das ações laterais dobradas. Tinha inicialmente Ricardo Luz-Hélio pela direita, Marlon-Wallace pela esquerda. Com os lados bem azeitados, o Remo conquistou o objetivo de retornar à Série B.

O ataque passou a depender tremendamente dessa estratégia. Mesmo com a contusão de Wallace, bem substituído por Tocantins, Marlon continuou funcionando como grande assistente e presença crucial nas ações ofensivas, com cruzamentos, chutes e até arremessos.

Ocorre que Tocantins também se lesionou e o time perdeu identidade na esquerda. A direita sofre com a ausência de Wellington. Dioguinho, em especial, se ressente de uma conexão mais efetiva com Tiago Ennes, que é bom defensor, mas ataca com parcimônia.

Procurei abordar aquele que é o maior problema encarado por Bonamigo. Existem outros – falta de vida inteligente no meio-campo, insegurança à frente da zaga e desgaste físico acentuado – igualmente importantes, mas a perda da força que impulsionava o time ao ataque (e resolvia jogos) explica muito da frustrante participação azulina neste início de Série B.

Sem poder repetir a estrutura de suporte ao ataque e de pressão sobre os adversários, Bonamigo precisa encontrar saídas. Tem pouco tempo para isso em meio à maratona de jogos. Tem pouco material à disposição, pois os jogadores recém-contratados não tiveram como adquirir entrosamento.

O elenco treina jogando e os resultados revelam esse descompasso. Para agravar ainda mais, peças que tinham protagonismo, como Felipe Gedoz e Dioguinho, entraram em queda livre. A exaustão física está levando ao cansaço de ideias. Os jogos contra Vitória e Guarani expuseram isso, com o agravante de não servirem de parâmetro quanto ao rendimento defensivo.

Bonamigo, sem ter o que destacar após o empate de terça-feira, elogiou a defesa, que não levou gols nos últimos jogos. Cabe considerar que foram partidas em casa, com adversários pouco dispostos a se arriscar.

Mesmo avaliando que a zaga melhorou, persistem os problemas no meio e na frente. Sem gols não há como sair do marasmo. Para que o time volte a vencer será necessário rever posicionamentos e até escolhas. A dúvida é se o técnico está mesmo disposto a isso.

Alemães mostram como desafiar o preconceito

Pegou muito mal a rejeição da Uefa à ideia lançada pela cidade de Munique para decorar a belíssima arena com as cores LGBT (bandeira de arco-íris) durante os jogos da Euro. Usou um argumento pífio, o de ser “uma entidade politicamente neutra”. Até porque a tal neutralidade na batalha contra os preconceitos vira forçosamente conivência e adesão a eles.

A reação foi imediata. A entidade que manda no futebol da Europa proibiu o arco-íris em Munique, mas os clubes Eintracht Frankfurt, Colônia, Hertha Berlin, Wolfsburg e Augsburg anunciaram que iriam iluminar os seus estádios com as cores do movimento LGBT enquanto estivesse ocorrendo o jogo Alemanha x Hungria, ontem, em Munique. E foi o que aconteceu.

Além disso, foram distribuídas milhares de bandeiras defendendo a causa aos torcedores que compareceram ao estádio. Decisões idiotas devem ser enfrentadas à altura. A Uefa se alia à Fifa nesse biombo de neutralidade. Os tempos atuais não permitem meias palavras e meias atitudes.

Surge o primeiro clube engajado com a Amazônia

O conceito é inédito no cenário paraense. Unir futebol e conscientização sobre a importância de cuidar das riquezas naturais e culturais da região. Meta e pretensão do Amazônia Independente FC, mais nova agremiação a se filiar para disputar torneios oficiais da CBF e da FPF.

Walter Lima, fundador do Amazônia Independente, quer obter vitórias, mas sem abrir mão de levar mensagem de cuidados com a região ao maior número de pessoas. Politizado e atento à realidade, ele já treinou vários clubes (incluindo o Remo) e quer disputar a Segundinha já em 2021.

A formação de atletas é uma prioridade, bem como o compromisso de levantar bandeiras ambientais importantes. As cores do novo clube não deixam dúvidas: verde (representando a natureza), azul (liberdade), preto (clamor), estrela (símbolo da luta indígena) e o muiraquitã, ícone da cultura e do artesanato.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 24)

Um comentário em “É hora de encontrar saídas

  1. No meu círculo de amigos, torcedores do Remo, há a consciência de que o clube vem em longo processo de soerguimento técnico e financeiro. Não esquecemos que, há pouco tempo, nem série tínhamos e o Baenão estava em ruínas. Os sucessos recentes são méritos dos últimos dirigentes e da torcida engajada. O torcedor consciente sabe que a meta a alcançar nesta Série B é manter-se nela, pela penca de problemas que o clube tem ainda a resolver, principalmente os financeiros. Agora, não há como negar que, nessa escalada, o sarrafo a ser ultrapassado vai sendo colocado em posição cada vez mais alta. O que serviu para as séries anteriores não mais servem para a atual, com as exceções às regras de sempre. Os times da Série B estão nivelados, vistos pelos adversários que o Remo enfrentou e pelos resultados gerais da competição até o momento. Vencer em casa é crucial para fazer uma boa campanha.

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