Decadência chega mais rápido para Neymar do que para Messi e CR7


Por Rafael Reis

Produtividade de Neymar caiu pela metade nos últimos 5 anos - AFP

Neymar é cinco anos mais novo que Lionel Messi e sete que Cristiano Ronaldo. Graças a essa diferença de idade, o brasileiro acreditava que os maiores astros do futebol do século 21 perderiam fôlego antes que ele e permitiriam sua ascensão ao posto de maior nome da modalidade. Só que o tempo parece passar mais depressa para o camisa 10 do Paris Saint-Germain do que para o astro argentino ou para a estrela portuguesa.

A menos que produza pelo menos três gols (marcados por ele mesmo ou nascido dos seus passes) na última partida do Campeonato Francês, contra o Brest, amanhã, Neymar irá terminar sua quinta temporada consecutiva com menos jogadas de gol do que no ano anterior.

Em 2020/21, o meia-atacante brasileiro provocou 28 movimentações de placar (17 gols e 11 assistências) em partidas PSG nas mais variadas competições, três a menos do que na temporada anterior.

Na comparação com 2015/16, o ano mais produtivo de Neymar na Europa, a diferença é enorme. Na ocasião, o ainda jogador do Barcelona meteu 31 bolas nas redes e deu 25 passes para companheiros marcarem. Ou seja, criou 56 gols. Isso significa que, em um período de apenas cinco anos (dos 24 aos 29), o principal jogador brasileiro de sua geração perdeu 50% da sua produtividade em campo.

Messi e CR7, já trintões e provavelmente vivendo a reta final de suas carreiras nos gramados, não tiveram decadência acentuada. Entre 2016 e 2021, os gols gerados pelo argentino diminuíram 20% e os com assinatura do português, 39%.

O maior vilão desse declínio acentuado vivido por Neymar é sua dificuldade para ser escalado. Problemas físicos e suspensões o tiraram de 26 partidas da atual temporada.

Lá em 2015/16, quando o corpo ainda não dava tantos sinais de cansaço e os cartões eram bem mais raros do que agora, ele só não foi aproveitado em 13 oportunidades.

O PSG não depende mais apenas das suas forças para conquistar pelo quarto ano consecutivo o título francês. A equipe entra na última rodada com 79 pontos, um a menos que o Lille, líder da competição.

Por isso, mesmo que derrotem o Brest, os parisienses terão de torcer para que o Lille não passe de um empate contra o Angers. As duas partidas serão disputadas simultaneamente, a partir das 16h de amanhã.

Desde que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao governo do Qatar e se tornou um dos novos ricos do futebol europeu, o PSG só não venceu duas edições do campeonato nacional.

Em 2011/12, primeiro ano da parceria, ficou a três pontos do Montpellier e foi vice-campeão. Já em 2016/17, não aguentou o surgimento de Kylian Mbappé e perdeu a corrida pelo título para o Monaco.

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