À procura de um camisa 10

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O PSC aproveita o Campeonato Estadual para tentar formar o time que vai disputar a Série C. Além das dificuldades óbvias de entrosamento, desacertos técnicos também se revelam na fase decisiva da competição. O problema crucial está no meio-de-campo, onde a ausência de um jogador criativo responde por boa parte dos problemas do time.

Rui, experiente meia-armador que chegou para ser o titular da posição, ganhou chances durante cinco partidas, mas acabou perdendo espaço já no final da fase de classificação. Não deu liga. Discreto, pouco participativo, está longe do perfil exigido para a função.

Um camisa 10 clássico precisa ter iniciativa, desprendimento e ousadia para abrir caminhos, surpreender a marcação adversária, descortinar espaços e liderar tecnicamente o próprio time. Nada disso tem sido visto no curto histórico do jogador na Curuzu.

Há quem alegue problemas de condicionamento, mas os quase três meses no clube deveriam ter deixado o jogador em forma. Nos últimos jogos, contra Bragantino e Castanhal, Itamar Schulle escalou Rui nos 20 minutos finais. Quase não foi notado. Ou melhor: apareceu negativamente, perdendo grande chance no jogo de domingo. Bateu por cima do gol.

Ontem, no programa Linha de Passe, da Rádio Clube, um ouvinte (professor Edmar) lembrou que desde a passagem de Eduardo Ramos pelo Papão, em 2013, nunca mais o time teve um camisa 10 de verdade.

Não é, porém, um mal que aflija exclusivamente os bicolores. Do outro lado da Almirante Barroso, o Remo se prepara para a previsivelmente difícil Série B com apenas um meia de verdade, pelo menos no aspecto prático. Felipe Gedoz é titular absoluto e atua bem no Parazão.

Mas, quando o técnico Paulo Bonamigo precisa substituí-lo, como no final da partida com a Tuna, quem entra é Renan Oliveira, que não desembarcou ainda em Belém. Entra desligado, joga burocraticamente, não arrisca um drible ou disparo a gol. Não há encaixe com o time.

Bonamigo lançou Renan em duas partidas como titular, mas o meia de amplos recursos e grande habilidade dos tempos de Atlético-MG parece que desaprendeu. Não cabe comparar nem com Douglas Packer, outro meia que não deixou saudades, mas faz lembrar de Eduardo Ramos, que mesmo aos 35 anos jogava muito mais.

A despedida do “Marechal da Vitória”

Gostem ou não os puristas, Manoel Ribeiro marcou época como dirigente. Admiradores e críticos concordam quanto a isso. Presidiu o Remo por cinco vezes e foi vigoroso o suficiente para presidir o clube pela última vez já perto dos 80 anos de idade.

As homenagens que o Remo presta a ele, como o luto oficial de sete dias, são mais do que justas. Refletem a imensa importância de Manoel. Na verdade, como registrou ontem o ex-presidente André Cavalcante, a trajetória dele se confunde com a do próprio Remo.  

Seu nome é vinculado a timaços montados no final dos anos 60 (com Amoroso, Alemão & cia.) e início da década de 70, principalmente o que tinha João Avelino como técnico na disputa do Nacional de 1972, com destaques como Aranha, Nelinho, Dutra, Alcino e Roberto. (Não era, porém, o presidente do clube naquele ano)

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Ganhou o apelido de “Marechal da Vitória” pelas conquistas e títulos. Era adorado pela torcida. Os anos dourados da cartolagem-raiz já haviam passado quando ele voltou a comandar o Remo, em 2017-2018, talvez o período menos exitoso de sua biografia como dirigente.

Ele ingressou no clube em 1967, junto com Ronaldo Passarinho e Jones Tavares, a convite de Jorge Age. Foi com Manoel na presidência que o Leão conquistou o bi-tricampeonato (73-74-75, invicto, e 77-78-79).

Tinha orgulho de ter quebrado uma escrita na carreira de Dario Maravilha, que defendeu o PSC em 1979 e perdeu a final por 2 a 1 para o Remo.

Ganhou o apelido glorioso de “Marechal da Vitória” pelas conquistas e títulos. Era adorado pela torcida. Os anos dourados da cartolagem-raiz já haviam passado quando ele voltou a comandar o Remo, em 2017-2018, talvez o período menos exitoso de sua biografia como dirigente.

A morte de Manoel, ontem, consternou a torcida. Engenheiro civil de formação, se transformava em defesa do Remo. Baixinho, enérgico, cansou de descer à beira do campo para peitar árbitros que prejudicassem o time.

Alguns episódios foram marcantes, como a confusão com o ex-árbitro Darcey Lucas nos anos 60. É muito difundida também a história de que mandava desligar a luz do Baenão quando o placar era desfavorável ao Leão. Nunca ficou provado, mas o povo fala até hoje.

Situações inusitadas e folclóricas que construíram a imagem singular de um dirigente que talvez seja o mais icônico do futebol no Pará. Contribuiu muito com o clube que tanto amava e certamente jamais será esquecido.  

Ditadura argentina: Boca anuncia revisão histórica

O Boca Juniors anunciou ontem que anulará as honrarias concedidas a dois ditadores militares da Argentina, Emilio Massera e Alejandro Lanusse, entre outros governantes do período autoritário que foram homenageados no passado. Massera formou, ao lado de Jorge Videla e Orlando Agosti, a Junta Militar que governou o país após o golpe que derrubou a presidenta Isabelita Perón.

Massera morreu em 2010. Cumpria pena de prisão perpétua, condenado por crimes contra a humanidade. Já Lanusse foi ditador anos antes, entre 1971 e 73, como comandante do Exército. Em sua gestão, surgiram várias práticas de terrorismo de Estado que seriam usadas dali em diante.

Aqui, em sentido inteiramente oposto, o Flamengo já homenageou uma penca de ditadores e estuda agora fechar patrocínio com cadeia de lojas pertencente a um explícito e assumido defensor de práticas fascistas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 11)

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