Dúvidas atormentam o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

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Três jogos movimentam as quartas de final do Parazão neste domingo. O que gera mais expectativa é o confronto entre Bragantino e PSC, marcado para 15h30, no estádio Diogão. Todos querem saber como irá se comportar nesta nova fase do campeonato o vice-líder na pontuação geral, depois de uma campanha sem brilho na etapa de classificação.

O técnico Itamar Schulle busca entrosamento, confiabilidade e qualificação. Para isso, testa novos jogadores em praticamente todos os jogos. Apesar do método científico, como ressalta, os resultados não amparam a maneira de experimentar atletas.

Com oito volantes no elenco, sem contar atletas da base, Schulle ainda não conseguiu se decidir sobre a melhor formação para o meio-de-campo. Denilson tem sido o jogador mais constante, tanto como defensor quanto como artilheiro – marcou três gols desde a estreia.

Paulinho, que chegou com o campeonato em andamento, virou titular, assim como Jhonnatan nas últimas três apresentações. As demais peças do polígono seguem indefinidas. Ratinho, Elyezer, Rikelton, Bruno Paulista, Yure e Ruy são opções. João Paulo também, mas está lesionado.

O melhor momento foi quando Schulle optou por Paulinho, Denilson, Jhonnatan e João Paulo, no 2º tempo com o CRB pela Copa do Brasil. Mesmo inferiorizado no marcador (perdia por 2 a 1), o time teve elogiada atuação ofensiva, criando oportunidades e sufocando o adversário.

Apesar do bom rendimento, nunca mais o quarteto foi repetido. Jhonnatan ganhou mais espaço, mas João Paulo não ganhou a titularidade. A parte criativa tem sido insistentemente delegada a Ruy, que ainda não deslanchou. Jogador de bons recursos, mostra timidez excessiva.

Em função dos desajustes observados até agora, o ataque arca com as consequências. A produção ofensiva no campeonato está abaixo do esperado. O PSC marcou 12 gols, ocupando a quarta posição – atrás de Tuna (20), Remo (18) e Bragantino (15).

A maior vítima disso é Nicolas, artilheiro no Parazão 2020, atacante de forte presença na área. Ele fez cinco gols em oito jogos, aquém das expectativas que a torcida alimenta. Como não está fazendo gols com a regularidade habitual, a cobrança se acentua.

As críticas se acumulam e o problema permanece, pois o ataque joga muito divorciado do meio. Não há criatividade, apenas a repetição de cruzamentos para a área adversária. O jogo de hoje representa a chance de um recomeço para o atual campeão estadual.

Do lado bragantino, a esperança está do lado de fora das quatro linhas. Artur Oliveira volta a dirigir o Tubarão após três anos e chega com a missão de dar ordenamento tático e regularidade a um time que teve altos e baixos na primeira parte da competição.

Clássico do interior e desafio de opostos

Itupiranga e Tuna fazem o duelo dos contrastes: o time que mais faz gols no campeonato contra o que melhor se defende. Sob o comando de Wando, o Itupiranga surpreendeu pela campanha e consistente. Tomou apenas cinco gols e foi uma carne de pescoço para todos os adversários.

Já Castanhal e Independente disputam um verdadeiro clássico interiorano, com ligeira vantagem para o Galo Elétrico, que cumpre boa trajetória. Sob o comando de Cacaio, o Japiim ainda não se estabilizou.

Bola na Torre

Valmir Rodrigues apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam em sistema de home office. Em pauta, a primeira rodada das quartas de final do Estadual. A edição é de Lourdes Cézar.

Regra de cinco exige criatividade e bom senso

A regra vai vigorar, a princípio, até julho de 2022. Em função da pandemia e de seus efeitos sobre o condicionamento dos atletas, a Fifa instituiu em maio de 2020 a regra das cinco substituições, rapidamente assimilada e hoje é adotada como se existisse desde os primórdios do futebol.

Diante do sucesso da novidade – e do impacto da pandemia no mundo inteiro –, em sua recente reunião anual, a International Board (Ifab) prorrogou a regra até o fim deste ano para torneios de clubes e até a metade do ano que vem, meses antes da Copa do Mundo do Qatar.

Mesmo com o consenso quanto à necessidade de manutenção das cinco substituições por equipe, um ponto desperta preocupação. Alguns treinadores pecam por excesso. Diante de situações que permitiriam no máximo as três trocas, metem os pés pelas mãos e trocam de baciada.

Mexem cinco vezes, alteram a maneira de jogar das equipes – normalmente para pior – e se confortam com a ideia de que cumpriram a obrigação. O exagero na dose pode ter a ver com a cultura de cobrança das torcidas.

Ocorre que, não raro, o tiro sai pela culatra. Com cinco mexidas, os times normalmente terminam os jogos de forma completamente oposta à atuação no primeiro tempo e até o começo do segundo. Jogos em torneios nacionais e internacionais demonstram isso.

Na Inglaterra, técnicos como Pep Guardiola já se posicionam criticamente a respeito. Entendem que do ponto de vista do condicionamento as mudanças já não são obrigatórias, pois os times já recuperaram plenamente a capacidade física de antes da pandemia.

No aspecto coletivo, a inclusão de novos jogadores no time ao longo de um jogo pode afetar a organização e o rendimento técnico. Significa que a infalível e velha lei do bom senso deve nortear decisões. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 02)

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