Um patrimônio resgatado

POR GERSON NOGUEIRA

Ícone do pórtico do Baenão é encontrado em meio à sujeira - Rádio Clube do  Pará

Depois de 12 anos, foi encontrado nesta semana o escudo original do pórtico do Evandro Almeida, sumido desde a época em que o então presidente remista Amaro Klautau tentava de todas as maneiras fechar a venda do estádio, em 2009, em meio a grande polêmica que dividia os torcedores do clube.

As escaramuças que envolveram o negócio foram acompanhadas e detalhadas pela coluna, de forma solitária, com críticas aos rumos e critérios da iniciativa, e principalmente à falta de transparência da diretoria na condução da negociação com a construtora interessada.

Os conselheiros – com as honrosas exceções de Artur Carepa e Ronaldo Passarinho num primeiro momento – chegaram a aprovar a transação, encantados com a argumentação do presidente, mas recuaram quando perceberam que estavam prestes a cair num engodo.

De concreto mesmo só havia a oferta de terreno localizado no bairro do Aurá, próximo ao depósito público de lixo, com direito a uma compensação financeira a ser paga em suaves parcelas. Em resumo: o Remo abriria mão de um bem imóvel no valorizado centro urbano de Belém por um arremedo de estádio na periferia da Região Metropolitana.

A futura praça de esportes seria erguida com a suposta ajuda da compradora. Animações computadorizadas eram exibidas nos programas esportivos da TV, respaldadas por elogios entusiasmados de jornalistas e radialistas favoráveis à transação.  

Quando se tornou pública a fragilidade da oferta, com a revelação do valor a ser pago – um furo de Giuseppe Tommaso no programa Bola na Torre –, os conselheiros questionaram a pressa pela venda, a preço aviltado, de patrimônio tão importante. A reação forçou o fim das negociações.

Durante o debate que se estabeleceu, na mídia e junto à torcida, ocorreu o episódio da retirada do escudo do pórtico do estádio Evandro Almeida, operação executada durante a madrugada, a golpes de picareta.

Curiosamente, não houve apuração sobre o ato criminoso de depredação do estádio e ninguém se responsabilizou pela retirada da peça, que só agora foi resgatada de um sítio de empresário não identificado em Belém. Bastante deteriorada pelos efeitos do tempo, deverá passar por cuidadoso trabalho de restauração antes de ser recolocada no pórtico.

A retirada do escudo foi um ardil malandro para descaracterizar a arquitetura original do Evandro Almeida, antecipando-se a um eventual decreto que tornasse o estádio patrimônio cultural e imaterial, o que barraria o lucrativo (só para alguns) negócio.

Diante do que poderia ter ocorrido com o Baenão, caso a desastrada venda se consumasse, cresce ainda mais a importância do trabalho de resgate do estádio, empreendido pela atual diretoria, liderada por Fábio Bentes, com ajuda de grupos de torcedores e colaboradores diversos.

Depois de cinco anos em ruínas, o estádio foi inteiramente reformado, ganhou nova iluminação e voltou a sediar jogos oficiais. Prova viva de que, mesmo em períodos de crise, é possível reconstruir e crescer – desde que haja responsabilidade e zelo pelo patrimônio do clube.

Desafios e encantos da próxima fase da Copa do Brasil

A Copa do Brasil abre em junho sua etapa mais seletiva, com a entrada em cena dos times que participam da Libertadores. A mudança no regulamento tornou a competição difícil para clubes emergentes, obrigados a superar equipes de alto investimento para chegar às fases mais importantes.

O Atlético-MG será o adversário do representante paraense. Se é verdade que o Leão podia pegar um cruzamento teoricamente menos duro – com América-MG, Chapecoense ou Ceará –, é fato que as coisas poderiam ser piores, pegando times mais fortes, como Flamengo ou Palmeiras.

O Atlético-MG, treinado pelo ex-remista Cuca, ainda busca a formação ideal, embora tenha um dos elencos mais qualificados do país, com jogadores caros, como Hulk, Nacho Fernandez, Vargas e Keno. No certame mineiro acumula tropeços e atuações fracas, mas é um adversário sempre respeitável em competições nacionais.

Franco-atirador, o Remo terá que realizar atuações quase perfeitas para superar o Galo. Os jogos serão entre a primeira e a terceira rodada da Série B, quando o time azulino já terá nova configuração, reforçado em relação ao grupo atual. A missão é difícil, mas não impossível.

Bola na Torre

O programa terá apresentação de Lino Machado, com participações (em home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, as rodadas de definição do Parazão. A edição é de Lourdes Cézar. Na RBATV, a partir das 22h.

A voz que fala para muito além da planície

São 93 anos de existência. Nenhuma outra rádio nortista tem esse mesmo tempo de estrada, nem o sucesso que a eterna PRC-5 mantém até hoje. Nascida do arrojo de pioneiros como Edgar Proença, Roberto Camelier e Eriberto Pio, a emissora merece aplausos por tudo que representa.

Instituição das mais importantes e identificadas com o povo paraense, a Clube está enfronhada na vida de cada cidadão, tanto da capital quanto do interior. É justamente o meu caso. Foi lá, às margens do rio Tocantins, que comecei a entender o mundo através dos programas noticiosos da rádio.

Aprendi o básico sobre futebol ouvindo os experts liderados por Edyr Proença. Como tantos outros da minha geração, conhecia os locutores e repórteres pelo timbre da voz. Assim continua a ser no mundo digital, com o reforço de novas plataformas e a chegada a novos tipos de público.

Não há dúvida, a paixão pela Clube é eterna. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 25)

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