Velocidade como estratégia

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2×2 Independente (Dioguinho)

A inclusão de Lucas Tocantins e Gabriel Lima, dois avançados especialistas no jogo pelas beiradas, no grupo de atletas que o técnico Paulo Bonamigo está levando para Maceió dá bem a medida da importância que o jogo de velocidade adquire no confronto decisivo de amanhã, válido pela segunda fase da Copa do Brasil.

Tanto Tocantins quanto Gabriel estão recuperados de lesões. O esforço para contar com os dois é revelador da estratégia que o Remo deve adotar diante do CSA: a mesma empregada exitosamente contra o PSC.

Quem acompanhou o clássico vai lembrar que o Remo começou aparentemente encolhido, evitando partir para cima e preocupado em priorizar as jogadas pelas extremas. Em 17 minutos conseguiu estabelecer a vantagem necessária para vencer o jogo.

O segredo foi a utilização de Lucas Tocantins bem aberto, partindo sempre para a jogada individual sobre o lateral e usando a velocidade para ir à linha de fundo. Todas as jogadas trabalhadas no meio tinham o objetivo de acionar o ponteiro.

É óbvio que isso funcionou bem porque o PSC foi atraído para o campo de defesa azulino, permitindo a estratégia reativa, com a exploração de lançamentos longos. Não precisa ser pitonisa para prever que Bonamigo pretende repetir a dose diante do CSA.

Até porque o time alagoano atua muito em função dos atacantes Rodrigo Pimpão e Guilherme Dellatorre. Dentro do esquema adotado pelo técnico Mozart Santos, Dellatorre tem feito muitos gols – 5 na Copa do Nordeste, 3 no certame alagoano e um na Copa do Brasil.

A vocação ofensiva do adversário permite ao Remo se organizar para atuar em contra-ataque, mas vai exigir atenção especial da marcação remista à frente da zaga. As críticas ao setor defensivo chegam a obscurecer a excelente trajetória do Leão na temporada (cinco vitórias e um empate).

Para que o equilíbrio entre os setores permita uma atuação à altura do que se viu no clássico e no jogo com o Esportivo (RS), Bonamigo terá que contar com a perfeita sintonia entre Dioguinho e Felipe Gedoz no meio, segredo maior dos êxitos deste novo Remo.

Dioguinho, melhor e mais regular jogador do elenco, encontra em Gedoz o companheiro ideal para alternar passes longos e triangulações. Desse entendimento vai depender a sorte do Leão no jogo. 

El Clasico deixa preciosa lição de simplicidade

Real Madrid e Barcelona jogaram no sábado e, pelo menos no primeiro tempo, a posse de bola pertenceu inteiramente ao time catalão. Foram massacrantes 63% de troca de passes, com uma febril troca de passes na maioria das vezes inócua, pois não levava maior perigo ao arco defendido pelo gigante belga Courtois.

A esquadra merengue, ao contrário, fiel ao positivismo de Zidane, partia sempre com passes verticalizados em direção à área do Barça, a partir dos lançamentos longos de Toni Kroos e Modric para Benzema e Vinícius Jr., este jogando bem aberto pela ponta esquerda.

Benzema abriu o placar com um gol de letra. Em seguida, num chute que desviou a caminho do gol, Toni Kroos fez o segundo. O Barcelona, enquanto isso, esbanjava toquinhos marotos no meio, pouca objetividade. O setor defensivo do Real se safava, sempre com Casemiro à frente.

Até Messi, sempre minimalista ao avançar com a bola, tinha poucos momentos de clarividência. A situação mudou um pouco na etapa final quando o Barcelona descontou. Aí os ataques se repetiam, na base da pressão e sem o esmero das jogadas da primeira metade.

Um bom jogo, de variações entre equipes caras e altamente treinadas, mas que deixa a lição imutável de que o futebol segue sem poder abrir mão da simplicidade e do pragmatismo.

Nem Vuaden conseguiu estragar decisão da Supercopa

Ninguém levava muito em consideração essa decisão de Supercopa, um evento normalmente meio sem sal, com pinta daquelas finais que a Globo floreia para chamar audiência. O jogo desmentiu isso. Foi empolgante, mesmo sob a temperatura criminosa imposta aos atletas.

Alternativas diferentes e bem definidas desde o início, com o Palmeiras apostando nos passes rápidos e contragolpes; o Flamengo nas triangulações para ocupar o campo (e a área) do inimigo. Rony e Raphael Veiga foram fundamentais nas ações ofensivas palmeirenses.

Quando Abel Ferreira lançou Danilo e Gabriel Menino, o time ficou ainda mais sólido nas construções de ataques. Foi uma boa apresentação do Palmeiras, até superior à da final da Libertadores.

O problema é que o Flamengo soube encaixar a maneira certa de equilibrar a partida. Diego fez uma partida como há muito não se via, controlando as ações no meio, com excelente contribuição de Arrascaeta e Filipe Luís.

Apesar dos problemas defensivos, principalmente pela avenida Arão – que não tem cacoete de zagueiro e mostra muita insegurança ali – o time cumpriu um papel diferente do que normalmente exibe. Busco ser reativo, cedendo espaço ao Palmeiras.

No fim das contas, o equilíbrio e o nível técnico dos 90 minutos levaram naturalmente às penalidades, onde Diego Alves foi herói e Luan (mais uma vez) vestiu a capa de vilão com um penal displicente e telegrafado.

Decisão com o Flamengo sem queixas da arbitragem é algo até incomum. Leandro Vuaden, sempre ele, não escaparia a críticas. Errou ao usar critérios diferentes na aplicação dos cartões amarelos, carregando para o lado alviverde, mas nem isso estragou o grande jogo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 12)

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