Leão, cirúrgico, triunfa na Curuzu

POR GERSON NOGUEIRA

Jansen comemora quarto gol do Remo no Re-Pa

Goleada sempre foi raridade em Re-Pa. Não é todo dia que um time consegue meter quatro gols no rival. Quando isso ocorre, quase sempre tem a ver com situações pontuais, até acidentais, mas ontem na Curuzu o resultado não foi absurdo. O placar refletiu a atuação superior do Remo no primeiro tempo, principalmente pelo excelente aproveitamento de jogadas pelo lado esquerdo do ataque.

O mapa da mina foi bem explorado pelos azulinos: em cima das falhas de marcação do lateral Israel e dos volantes do PSC. Tanto que o triunfo foi construído com três gols marcados em apenas 17 minutos de bola rolando.

Apesar da pressão do PSC nos primeiros minutos, o Remo foi letal logo na primeira investida. Em jogada de Lucas Tocantins, que passou por Israel, a bola foi a Dioguinho, que girou e bateu no canto direito, fazendo 1 a 0.

Não deu nem tempo de comemorar, pois logo na saída de bola o PSC foi lá e empatou. Na verdade, Nicolas fez toda a jogada. Brigou com os zagueiros, levou na marra e bateu para as redes, aos 5’.

Ari Moura teve um grande momento, disparando rente à trave. Logo em seguida, passe errado de Rafael Jansen quase permitiu a Nicolas marcar o gol da virada, mas o tiro saiu torto e ganhou altura.

Apesar do gol sofrido, o Remo insistia com a jogada rápida pela esquerda. Marca do time na era Bonamigo, a manobra foi usada ontem com precisão cirúrgica, mesmo sendo de amplo conhecimento. Marlon e Lucas Tocantins foram acionados, quase sempre por Gedoz, desde que ficou clara a desarrumação defensiva do Papão.

Aos 11’, Lucas Tocantins foi lançado dentro da área, deixou o marcador para trás e tocou rasteiro no canto. Victor Souza ainda tentou segurar, mas a bola passou por baixo. A chuva caía e o Remo se consolidava pela agressividade ofensiva. O PSC batia cabeça, errava passes e acabaria sofrendo o terceiro gol pelo mesmo lado dos anteriores.

Em outro avanço rápido sobre o lateral Israel, Lucas Tocantins chegou à linha de fundo e cruzou para o centro da área em direção a Renan Gorne. O centroavante bateu na bola e ela se dirigiu a Lucas Siqueira, que chegou chutando rasteiro para o fundo do barbante.

Depois desse ritmo inicial vertiginoso, o jogo entrou em modo mais normal, com troca de ataques, mas sem grandes situações de perigo. O PSC tentava se reequilibrar e pouco arriscava. Ruy e Ratinho se movimentavam mais, ajudando Denilson a cobrir a zaga. O Remo, satisfeito com a vantagem, administrava mais e já não forçava tanto.

Na etapa final, Marlon entrou no lugar de Denilson. Ari Moura foi deixado bem aberto pela direita, ajudado por Israel, que no apoio foi bem melhor do que na marcação. Sem esquecer que a saída de Lucas Tocantins, substituído por Jefferson, deu um alívio ao lateral bicolor.

De repente, em dois ataques fortes, o time de Itamar Schulle mostrou que estava disposto a tentar uma reação. Aos 3 minutos, Ruy foi tocado por Vinícius e o árbitro Marcos Jorge de Almeida assinalou a penalidade. Na cobrança, Marlon bateu por cima da trave.

A frustração abateu o PSC e, aos poucos, o Remo reiniciou as jogadas de ataque. Em toques rápidos, aos 7’, a bola chegou a Gedoz na entrada da área. Ele chutou forte e Victor Souza rebateu. Dioguinho mandou de fora da área, mas o goleiro voltou a aparecer bem desviando para escanteio.

No lance seguinte, aos 8′, um escanteio cobrado por Gedoz criou uma lambança na área bicolor. A bola foi rebatida e sobrou limpa para o zagueiro Rafael Jansen encher o pé, marcando o quarto gol remista.

Aos 21′, a goleada esteve a pique de ser ampliada. Jefferson Lima (que havia substituído a Tocantins) recebeu um presente do zagueiro Alisson, tocou para Edson Cariús (substituto de Gorne) que chegava à entrada da área. O centroavante chutou rasteiro e o goleiro Victor Souza fez grande defesa, tirando com os pés.

Aos 31′, quando o PSC já buscava o jogo aéreo como única forma de chegar ao gol, Diego Matos cruzou à meia altura e o artilheiro Nicolas só que deu uma raspadinha para fazer o segundo gol – seu quinto gol no campeonato, assumindo a ponta da artilharia.

O PSC seguiu insistindo com bolas cruzadas, mas o Remo se resguardou bem, garantindo a importante vitória. No fim das contas, prevaleceu a maior organização e o entrosamento dos azulinos. As falhas vistas do lado bicolor já eram evidentes nas outras partidas pelo Parazão.

A maneira tranquila e objetiva que o Remo empregou para vencer encontrou facilidades, principalmente no primeiro tempo, mas é um equívoco avaliar que a goleada se deveu exclusivamente a isso. Foi, acima de tudo, a confirmação do encaixe de sistema de jogo testado e aprovado por Paulo Bonamigo desde a Série C.  

Bonamigo mantém serenidade; Schulle lamenta erros

Os técnicos costumam ser efusivos quando vencem clássicos. Paulo Bonamigo contraria essa linha de pensamento. Com o mesmo tom sereno adotado após jogos menos importantes, ele analisou o clássico deixando claro que se preocupa em não deixar o time perder a concentração.

Apontou dificuldades, destacou a qualidade do adversário e deixou claro que o campeonato ainda está longe de uma definição. Não fez alusões a destaques individuais, preferindo valorizar a estrutura coletiva e a importância de ter um sistema em pleno funcionamento.

Já Itamar Schulle, mesmo reconhecendo méritos no adversário, citou a chamada estatística inútil: as finalizações que poderiam ter mudado a história do clássico. A rigor, além dos gols, o PSC teve duas boas chances no 1º tempo, com Nicolas e Ari Moura, e uma com Ruy no 2º tempo.

Faltou a Schulle explicar as mudanças de posicionamento que tornaram ainda mais vulnerável o balanço defensivo, acentuando os furos na proteção à zaga e aos laterais, principalmente Israel, exposto ao um-contra-um com o rápido Lucas Tocantins, um dos destaques da partida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 05)

3 comentários em “Leão, cirúrgico, triunfa na Curuzu

  1. Verdade Gerson, goleada sempre foi raridade em RE-PA, mas principalmente em favor do remo.

    Na historia dos clássicos houve mais goleadas em favor do Paysandu, basta observar que mesmo o remo tendo mais vitórias do que o Papão em confrontos diretos na história dos clubes, ano passado o Paysandu chegou a ultrapassar o rival em gols marcados nessa rica trajetória de confrontos diretos entre os clubes, fato inclusive citado nesse blog.

    Lembro que a última goleada remista sobre o Papão nesse século foi por 4 a 1 com um dos gols marcado por Eduardo Ramos sobre o time bicolor na época dirigido por Mazzola Júnior.

    Se também considerarmos o placar de 4 a 2 como goleada, o Papão tem ampla vantagem sobre o rival em goleadas, principalmente nesse século, senão vejamos alguns dos placares que lembro:

    Papão 4 Remo 0 dentro do Baenão em 2001.

    Papão 4 remo 0 dentro do Baenão novamente em 2001.

    Papão 4 remo 2 no campeonato paraense de 2010 com gols bicolores de Didi e Moisés

    Papão 3 remo 0 em amistoso com a participação no jogo do goleiro remista Adriano.

    Papão 4 remo 2 na primeira edição de Copa Verde conquistada pelo Paysandu com dois gols de Raí.

    Papão 3 remo 0 no campeonato paraense do ano retrasado.

    Portanto, se considerarmos placares de 4 a 2 como goleada o que é recusado terminantemente por um amigo meu remista que defende que só é goleada a diferença de três gols, a vantagem de Goleadas do Paysandu sobre o remo chega até mesmo a impressionar, principalmente com duas de 4 a 0 dentro do Baenão com a torcida remista presente no estádio e saindo arrasada.

    Por isso, o placar de ontem de 4 a 2 chegou a empolgar torcedores remistas na forma de foguetes pela cidade, até porque é uma raridade, pois a vantagem bicolor em goleadas é um feito na história dos clubes pouco lembrado até por torcedores bicolores.

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  2. Amigo Peixoto ,você está certo. E a própria estatística histórica do clássico revela isso quando mostra uma pequena diferença em gols e uma folgada vantagem remista em vitórias. Quanto à definição de goleada é algo meio ao sabor da vontade e visão de cada um. Respeito quem não qualifica 4 a 2 ou 5 a 3 como goleada, mas entendo que fazer 4 gols em clássico (mesmo sofrendo 2 gols) é uma goleada. Considero mais goleada que 3 a 0, por exemplo.

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  3. Quanto ao tema, um amigo meu remista não considera 4 a 2 como goleada. Toda vez que falei dos placares de 4 a 2 impostos pelo Papão ao remo, ele retruca dizendo que goleada só quando há diferença de três gols. Não sei agora se ele vai mudar de opinião.

    Respeito sua opinião Amigo Gerson, apenas pondero que o placar de 3 a 0 se adapta mais ao termo “goleada” do que 4 a 2, porque o vencedor fez três gols no time derrotado sem ter levado qualquer gol, enquanto no placar de 4 a 2 os dois gols marcados pelo time derrotado acabam “anulando” dois dos quatro gols feitos pelo time vitorioso, sobrando apenas 2 gols de vantagem para a equipe vencedora.

    O certo é que a vitória merecida do remo no Domingo acabou se tornando um triunfo em campo praticamente neutro em razão da ausência de torcida no estádio.

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