Um ídolo não pode calar

POR GERSON NOGUEIRA

De saída? Atacante Nicolas, do Paysandu, confirma interesse do Sport

Fazia um bom tempo que o PSC não tinha um ídolo para chamar de seu. Nicolas chegou há dois anos e, aos poucos, com talento e persistência, ocupou o espaço vago. De cara, não parecia talhado para cair nas graças da Fiel torcida, mas foi evoluindo, marcando gols em profusão e logo se transformaria em xodó absoluto.

Junto com a inegável capacidade de fazer gols e a execução de múltiplas funções do meio para frente, Nicolas se estabeleceu como um jogador taticamente imprescindível. Pelo menos cinco técnicos passaram pelo clube nesse período e todos, indistintamente, basearam seus sistemas de jogo no potencial do atacante.

Foi um casamento perfeito ao longo dessas duas temporadas. Quando desembarcou em Belém, Nicolas não veio cercado de expectativa ou badalação – talvez por isso mesmo tenha dado certo. Havia atuado por clubes de pouco destaque e no Criciúma, seu último endereço antes do PSC, era um jogador de segundo tempo, entrando para reforçar o jogo pelos lados, sem maior brilho.

Não chegou com cartaz de goleador. Seu currículo não prenunciava o atacante que a torcida do Papão passou a admirar e os adversários a respeitar. Junte-se a suas diversas funcionalidades um irrepreensível comportamento como atleta. É o tipo do jogador adorado pelos técnicos. Cuida-se muito, raramente se lesiona ou desfalca o time por suspensões disciplinares.

Deve ter ficado ausente de três ou no máximo quatro partidas desde que chegou à Curuzu. Com essas credenciais, tornou-se naturalmente o astro do time, o que lhe garantiu um lugar de destaque no elenco e um contrato diferenciado. O ônus disso é a responsabilidade sempre alta em relação à instituição e à torcida.

A velha máxima de que o amor vem de braços dados com o ódio aplica-se ao atual momento de Nicolas no PSC. Assediado por vários clubes desde o ano passado, o jogador se mantém em silêncio a respeito das ofertas e se dedica com afinco ao trabalho, sem dar margem a críticas.

Depois do Sport, o Goiás se apresentou como interessado em contratá-lo. As conversas, mesmo negadas pela diretoria alviceleste, evoluíram a ponto de o clube goiano ter preparado um vídeo de apresentação do reforço. Teria também comprado passagem para o jogador ir a Goiânia. Tudo acabou desfeito, não sem queixas por parte do Goiás.

O episódio ainda nem havia saído das resenhas quando surgiu a informação de que o Vasco também tinha interesse no atacante. O PSC confirmou a oferta (R$ 600 mil, parcelados) sem demonstrar a intenção de aceitar. Aí veio o executivo Alexandre Pássaro e a história ganhou outro contorno.

Segundo Pássaro, o Vasco foi procurado por Nicolas e seu empresário. O jogador teria falado com o técnico Marcelo Cabo e dito que seu sonho era defender o clube de São Januário. Coincidentemente, depois da afirmação do executivo, o atacante passou a treinar em separado, o que soou como um pré-litígio.

As palavras de Pássaro reverberaram negativamente junto à torcida do Papão, que se manifestou nas redes sociais criticando pela primeira vez o comportamento do ídolo. Nicolas, por seu turno, fechou-se em copas. Um comportamento que só confunde e dificulta a compreensão. Pelo carinho que sempre recebeu, tem agora o dever de, pelo menos, esclarecer as coisas. Ainda há tempo.

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o programa, a partir das 20h, excepcionalmente. Participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião, via home office.

Em discussão, a Copa do Brasil e a expectativa pela retomada do Campeonato Estadual. A edição é de Lourdes Cézar.

Gedoz reina absoluto no setor de criação do Leão

Tem sido frequente o debate sobre a formação do meio-campo azulino a partir do retorno de Felipe Gedoz. Retorno triunfal, por sinal, com direito a gol decisivo no confronto com o Esportivo (RS) pela Copa do Brasil. Há quem acredite na possibilidade de Gedoz ter a companhia de outro meia, que seria Renan Oliveira.

Acontece que a formação usada por Paulo Bonamigo desde que chegou ao clube não faz crer em dois meias lado a lado. Renan ainda não estreou de verdade. Tem sido discretíssimo até aqui, fazendo um trabalho mais burocrático que criativo, apesar de inegáveis qualidades técnicas.

É mais provável que, para confrontos contra adversários mais qualificados, Gedoz seja o responsável pela criação, atuando à frente dos volantes Lucas Siqueira e Uchoa, outro que ainda está devendo uma estreia.

No Parazão, em jogos menos importantes, a torcida talvez tenha a oportunidade de ver a dupla Gedoz-Renan em ação. Mas, para o embate da segunda fase da Copa do Brasil, contra o CSA, é improvável que Bonamigo altere seu plano de jogo escalando os dois meias.

Lusa já contratou um substituto para Ramos

A Tuna emitiu sinais de que não espera mais pelo retorno de Eduardo Ramos, que havia pedido folga por tempo indeterminado para ficar ao lado da família. A contratação de um outro meia já é dada como certa pelos dirigentes cruzmaltinos, embora seja mantido sigilo quanto ao nome.

O nome do contratado não foi revelado, mas é um nome com potencial para compensar a perda do camisa 10. Como o campeonato ainda está em seu início, o encaixe desse reforço não deverá representar problema para o técnico Robson Melo. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 28)

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