No ano do VAR, Fla triunfa

POR GERSON NOGUEIRA

Mídia de cabeçalho

A comoção que faltou durante todo o campeonato resolveu brotar nos minutos finais dos jogos de Flamengo e Internacional, ontem à noite. Muito pouco, diriam os mal-humorados, mas é algo quase inédito na história dos campeonatos brasileiros de pontos corridos. Como não há decisão direta entre dois clubes, depende-se de coincidências como a de ontem para que haja alguma emoção mais forte.

Para os rubro-negros, a conquista do 8º título nacional chegou a estar perigosamente ameaçada a menos de 10 rodadas para o encerramento da disputa. Uma campanha instável, com direito a muitos tropeços, mesmo depois que Rogério Ceni assumiu o comando.

Ocorre que uma improvável sucessão de tropeços dos adversários mais fortes – São Paulo, Atlético-MG e Palmeiras – restituiu as esperanças e a pegada competitiva tradicional da equipe. Alguns bons jogos e o dedo da arbitragem em momentos críticos, como no embate direto com o Internacional, deram ao Fla a chance de conquistar o bicampeonato.

Diante de um aguerrido São Paulo, o time de Ceni atuou mal, dispersivo em excesso e pouco contundente nas jogadas de área. Foi derrotado, com justiça, por 2 a 1, e esteve perto de sofrer mais gols. Acabou campeão por ter vencido a final antecipada, domingo, diante do Inter.

A rigor, o Brasileiro 2021 entra para a história como uma competição excessivamente marcada por questionamentos quanto ao abusivo poder de interferência do VAR, avacalhado pelo mau uso na maioria das vezes. Os erros de avaliação comprometeram a atuação até de árbitros reconhecidamente bons e respeitados.

Ao contrário do que ocorre em outros países, o monitoramento eletrônico não adicionou segurança e lisura à análise de lances polêmicos. No Brasil, o instrumento virou alvo de desconfianças e queixas, além de comprometer o andamento dos jogos pelo tempo excessivo empregado nas consultas.

Óbvio que o problema não está na máquina, mas nos analistas da cabine, tão erráticos como os árbitros de campo. Um exemplo da distorcida presença do VAR é o tempo gasto neste espaço falando dele – e isso ocorreu durante todo o campeonato.

Méritos (quase) todo finalista tem. O Flamengo tem os dele. Conseguiu a proeza de levantar a taça de campeão, mesmo aos trancos e barrancos, crescendo na reta final. Nesse aspecto, foi ligeiramente superior aos concorrentes, incluindo o Inter, que se atrapalhou mais do que o necessário e foi também atrapalhado pelo temível VAR.

No confronto com o Corinthians, que mostrou uma raça impressionante em Porto Alegre, o VAR castigou o Colorado em pelo menos um lance decisivo. O penal desmarcado logo no começo do jogo dividiu opiniões e reabriu a eterna discussão sobre as orientações da Fifa quanto ao toque da bola no braço e no antebraço dos jogadores.

Assinalado pela arbitragem, foi desautorizado pelo VAR, que ainda iria interferir – aí sim, corretamente – em mais dois lances de gol. As resenhas serão intermináveis a partir de agora, muito mais em cima das tretas do que de lances espetaculares ou jogadores talentosos.

Tecnicamente, foi um campeonato fraco, com poucas revelações e nenhum craque unânime. Não há registro de um jogo memorável, daquele de encher os olhos da massa. O troféu acabou ficando, quase por exclusão, nas mãos do clube que mais batalhou por ele. Por justiça, cabe lembrar que foi o Flamengo que lutou com todas as forças pela volta do futebol no auge da pandemia, aliando-se ao discurso negacionista do governo.

Triste coincidência, não mais que isso, que a decisão do campeonato tenha ocorrido no dia em que o país chora 250 perdas humanas. Que Deus nos ajude.

Furacão norueguês é a próxima grande atração

Com uma fieira de gols marcados, o grandalhão Erling Haaland desperta a atenção do mundo desde que explodiu em 2020 comandando o ataque do Borussia Dortmund. Desponta como uma das grandes estrelas para suceder Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Ibrahimovic, astros que começam a entrar na chamada fase crepuscular da carreira.

O empresário de Erling, Mino Raiola, disse anteontem que o goleador tem todas as condições de virar uma das grandes estrelas do futebol na próxima década. Na verdade, já é um fenômeno e desperta a cobiça de todos os grandes e endinheirados clubes do mundo.

Como não para de fazer gols, na disputa da Liga dos Campeões, o norueguês com cara de menino tem à sua disposição uma vitrine excepcional. Na pole position dos interessados em seu futebol aparecem os clubes da Premier League.

Na prática, somente 10 clubes estão acima do Dortmund em termos de recursos financeiros e estrutura para oferecer a um grande jogador – e quatro deles, seguramente, estão no Campeonato Inglês.

Direto do blog campeão

“Elyeser, 30 anos, apenas mais uma contratação para esquentar o SPA em que se tornou o banco de reservas da Curuzu nos últimos 3 anos. Se atleta de rendimento satisfatório, teria sido prestigiado para ajudar a reerguer o Figueirense. Na Série B-2020/21, foi relacionado em apenas 20 dos 38 jogos. Tempo médio de participação nos 16 jogos que atuou: 47 min/jogo. Nos últimos 14 jogos do Figueira, sequer foi relacionado”.

George Carvalho

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 26)

Um comentário em “No ano do VAR, Fla triunfa

  1. São os órfãos dos estelares Calbergue, Elielton, Kerve, Keirton, que o bairrismo obtuso elegeu como injustiçados, a fim de cornetar preventivamente novos contratados mantendo de pé o sofisma da valorização da base, mesmo que esta tenha dado todas as demonstrações de estar sob prolongada estiagem: futebolística e onomástica. Faltam futebol e apelidos.

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