Fator Covid foi decisivo

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2×3 Vila Nova-GO (Lucas Siqueira)

Uma decisão entre times parelhos, que empataram em 0 a 0 nos confrontos diretos da fase de classificação, deveria ser marcada pelo equilíbrio e não pelo disparate de uma goleada (no agregado) de 8 a 3. Nem o mais empolgado torcedor do Vila Nova ignora que o surto de covid que acometeu o Remo foi decisivo na final desta Série C.

Em situação normal, com os dois times inteiros na primeira partida decisiva, o Vila Nova tinha plenas condições de vencer. Tem um time bem organizado, com bons valores individuais – Alex Mineiro, Henan, Pablo. Ocorre que o retrospecto na competição não fazia crer em goleada na final.

Ao longo da competição, somente o Imperatriz sofreu goleadas tão contundentes. Nos demais jogos, pouquíssimas vezes os escores tiveram diferenças superiores a dois ou três gols. Apesar disso, é bem possível que o Vila Nova se sagrasse campeão e o título seria merecido, como realmente foi. Mas a definição seria em embates acirrados. Daí a conclusão de que o fator covid acabou facilitando as coisas para o time de Márcio Fernandes.

O que desequilibrou a disputa foi a imensa perda que o Remo teve com a contaminação por covid-19 de 11 de seus jogadores, dos quais cinco são titulares. Na transmissão da partida pela RBA Band, no sábado à tarde, locutor e comentarista goianos se esmeravam em apontar a superioridade do Vila Nova. Menos, menos…

Não se pode minimizar o fato de que a vantagem imposta na primeira partida tornou a segunda quase que um amistoso, justamente porque os times se equiparam no aspecto técnico. O condicionamento físico azulino foi que destoou no primeiro e, em parte, no segundo duelo.

Ocorre que há uma brutal diferença na maneira de atuar de um time que precisa descontar quatro gols e um que administra as ações. E foi assim que se desenrolou a partida final, com o Remo fazendo o gol muito cedo, em belíssima jogada de Felipe Gedoz, mas sofrendo em seguida o empate no arremate indefensável de Alan Mineiro.

Depois, o Remo fez o segundo gol, com Lucas Siqueira, mas permitiu novo empate (Pablo ou Mimica, segundo o árbitro), ainda no primeiro tempo. Bem verdade que Pablo estava adiantado quando recebeu o rebote do chute de Henan na trave. Em seguida, finalizou para as redes após assistência do centroavante.

Um gol contra de Mimica garantiu a virada do Vila na etapa final em momento de maior presença ofensiva do Remo, que subia ao ataque e deixava a zaga desguarnecida. É natural que o desgaste se manifestasse com mais ênfase no lado azulino, pelo tempo de isolamento da maioria dos jogadores que foram acometidos de covid.

O placar de 3 a 2 reflete o equilíbrio de forças dos finalistas e é um resultado normal, ao contrário da surra estabelecida pelos goianos no jogo de ida. De qualquer forma, a Série C termina em boas mãos. Vila e Remo foram os times mais regulares e o alvirrubro de Goiás garantiu merecidamente o tricampeonato da Série C.

Aos azulinos, fica a lição dolorosa de que a pandemia não poupa descuidos e falta de zelo com protocolos médicos. O Remo seguiu à risca as recomendações e cuidados desde março do ano passado, mas bastou um momento de vacilo nos festejos do acesso para terminar pagando um preço alto demais.

Papão desmancha elenco e anuncia novo comandante

O anúncio da contratação do técnico Itamar Schulle foi cercado de um curioso ritual de suspense com chamadas para o site oficial do PSC, na noite de sábado. Não era para tanto. O novo comandante tem dois acessos no currículo, boas passagens por clubes medianos, mas não pode ser visto como uma estrela no ramo.

Foi especulado umas 200 vezes para dirigir o PSC e o Remo, mas desta vez firmou compromisso com os bicolores. E vai assumir provavelmente amanhã já com o elenco reduzido. Nove jogadores – Micael, Tony, Vítor Feijão e Uilliam Barros entre eles – foram dispensados.

Nenhuma surpresa na barca. Quase todos estavam marcados pela campanha de altos e baixos na Série C. Talvez Feijão merecesse mais oportunidade, mas se a ideia é reformular não pode haver hesitação neste momento.

Schulle terá uma dura missão pela frente, a começar pela montagem de um time competitivo para os duelos da Copa Verde com o Manaus, que começam na quarta-feira (3), em Brasília. A partir do próximo mês, começa a indicar e receber reforços para o Campeonato Estadual.

Palmeiras absoluto e Conmebol abusiva no Maracanã

Os números da campanha do Palmeiras na Libertadores são, por assim dizer, o chamado paraíso orgástico dos cartesianos. O time de Abel Ferreira (e de Rony) foi o primeiro em quase tudo. Em aproveitamento teve 82%. Marcou mais gols (33), sofreu menos (6). Deu mais chutes para gols (4.3), mais assistências para gol (246) e foi o 2º em chances claras de gol (36).

Rony foi responsável por muitos desses números, tanto atacando como finalizando e botando os companheiros na cara do gol, como no cruzamento perfeito para a cabeçada de Breno Lopes. Bonito ver a comemoração com a bandeira do Pará. Justa conquista para quem foi tão espinafrado pela mídia paulista nos primeiros meses de clube.

Título foi tão indiscutível quanto o cinismo dos que permitiram a presença de quase 10 mil torcedores no Maracanã. A aglomeração e os abraços nos festejos pelo gol de Breno Lopes e pelo título eram mais do que previsíveis. Quem permitiu – Conmebol à frente – nutre um profundo desamor pela vida humana.

Afinal, apesar do discurso negacionista e pró-pandemia de um certo presidente, ninguém tem o direito de esquecer que 225 mil vidas já foram perdidas neste país para a covid-19. Permitir agrupamentos de torcedores no estádio da final foi uma afronta sem tamanho.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 01)

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