A importância do “Paredão”

POR GERSON NOGUEIRA

Goleiro Vinícius do Remo é eleito vereador em Belém

A torcida azulina agradece aos céus pela presença de Vinícius no time que enfrentará o Vila Nova amanhã, em Goiânia, pela primeira partida da decisão da Série C 2020. Não que o goleiro seja o único jogador da equipe capaz de garantir vitórias ou evitar derrotas. Ocorre que o ídolo remista tem se configurado num bastião de segurança e tranquilidade, sendo responsável direto pela excelente performance do sistema defensivo da equipe na competição.

O Remo sofreu 15 gols em 24 jogos disputados até agora. É a melhor performance entre os 20 clubes participantes da Terceirona. E isso, obviamente, tem muito a ver com a segurança que Vinícius transmite sob os três paus. É um goleiro que não exprime emoções, parece sempre frio e tranquilo. Não faz extravagâncias e nem saídas espetaculosas.

É um goleiro que prima pelos gestos econômicos, contidos. Até na hora de reagir aos aplausos da torcida, Vinícius não exagera. Antes dele, o Remo teve grandes goleiros. Adriano viveu uma época curiosa e carrega uma injustiça. Ganhou o apelido de “paredão”, por seus méritos e grandes defesas, mas não é identificado com grandes títulos.

Vinícius veste como poucos o perfil de ídolo. Não dá problemas extracampo. Treina como um animal e brilha nos jogos. A denominação de paredão, que já coube a Adriano, agora está em boas mãos.

Com 17 atletas relacionados para o jogo de amanhã, o Remo sabe que será um jogo estratégico. O time está sem o seu principal zagueiro (Rafael Jansen), seu lateral esquerdo titular (Marlon) e sem dois atacantes fundamentais, Salatiel e Hélio Borges.

Mais do que nunca, a hipótese do empate é vista com simpatia. Caso não perca a partida, com tantos desfalques em consequência do surto de covid-19 no elenco, o Remo sai no lucro de Goiânia.

Para que isso aconteça, o time tem que jogar mais do que mostrou – já com peças improvisadas – contra o Londrina, sábado passado. Ramos terá que ser mais dinâmico na transição entre meio e ataque. Gedoz não pode se ausentar das movimentações, como ocorre frequentemente. Tcharlles terá que fazer muito mais quanto às tomadas de decisão.

E, lá atrás, Vinícius terá que estar inspirado para ajudar o departamento defensivo a não tomar gols. Zagas dependem de muita coisa para funcionar, mas nada é mais importante do que um goleiro que sabe o que faz.

RBATV exibe os jogos da final da Série C

A CBF confirmou a programação da final da Série C entre Remo e Vila Nova, com direito à confirmação de que os dois jogos serão exibidos pela RBATV/Band, nos dois próximos sábados (23 e 30 de janeiro), às 17h.

O primeiro jogo será amanhã em Goiânia, no estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, e o jogo decisivo será no estádio Jornalista Edgar Proença, em Belém.

Nos jogos de Remo e PSC transmitidos pela RBATV na Série C deste ano, a audiência foi expressiva, mostrando a força da torcida paraense e garantindo o primeiro lugar na faixa de horário das partidas.

Um campeonato surpreendentemente emocionante

O Brasileiro da Série A está longe de ser o mais empolgante, mas caminha para ser o de desfecho mais emocionante de todos os tempos. A sete rodadas do final, o Internacional assumiu a ponta novamente após uma goleada categórica sobre o São Paulo, para espanto da mídia paulistana e até dos narradores da Globo. Meteu 5 a 1 e podia até ter feito mais gols.

Abelão, sempre execrado pelos métodos ultrapassados, acertou a mão e conseguiu fazer o time do Inter jogar bola com consistência. Não dá para imaginar qual a receita para o milagre, mas sob seu comando foram sete vitórias seguidas e a subida vertical na classificação.

Ontem à noite, o Flamengo bateu o Palmeiras em Brasília e voltou a sonhar com o bicampeonato, ficando a quatro pontos do líder Inter. Rogério Ceni, sempre exageradamente avaliado, recupera prestígio e acumula elogios. Foi apenas um jogo bom, eu sei, mas é o suficiente para tentar fazer a cangula pegar vento novamente e inflar a audiência.

Seis clubes têm chances de título: Inter, São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, Palmeiras e Grêmio. Nenhum, a bem da verdade, joga futebol exuberante. Oito pontos separam o primeiro (59) do sexto (51) colocado. O Fla tem um jogo atrasado. O Inter pega o Grêmio na próxima rodada. O Galo se atrapalha à toa. Muita coisa pode mudar em duas rodadas.

Sobre o São Paulo, que até uma semana atrás era a oitava maravilha do planeta bola – para a açodada mídia da Paulicéia –, cabe uma observação. Desde que a rabugice de Muricy Ramalho voltou a ser parte do cotidiano do clube, as coisas começaram a degringolar.

Ninguém comenta sobre isso porque Muricy é um fenômeno planetário. Tratava repórteres a pontapés quando era técnico do São Paulo. Qualquer pergunta era motivo para respostas grossas e descabidas. Todos relevavam as carraspanas. Mais que isso: quando se aposentou, mudou de lado e foi contratado para comentar jogos na TV.

A dicção é tenebrosa, os comentários ininteligíveis, mas ninguém questionava. Ouço ataques a Casagrande, mas não há ressalvas ao rabugento. Agora, ele voltou ao Morumbi como supervisor e sua reentrada coincide com a queda brutal de rendimento do time. Há imagens dele participando de reuniões entre o técnico Fernando Diniz e os atletas.

De sete pontos de vantagem, o time caiu para a segunda posição. E dá sinais de esgotamento, tanto técnico quanto emocional. Algo precisa ser feito, na estrutura de poder e hierarquia, para que o São Paulo volte a ter chances de se reencontrar com o título nacional.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 22)

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