Uma questão de escolha

POR GERSON NOGUEIRA

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O clássico do próximo sábado já começou. Tanto na movimentação dos times, quanto nas projeções feitas pelos torcedores e até na disputa extra para ver quem vende mais ingressos virtuais. Mais ainda: desde o fim de semana, uma polêmica agita os dois ambientes. Poupar ou não jogadores que estão pendurados com dois cartões amarelos?

A dúvida não é esclarecida por ninguém, nenhum dos técnicos revela seus planos, afinal o clássico é sempre um jogo importante, mesmo quando não define classificação. Desta vez, o resultado vai determinar para onde irão os dois velhos rivais na divisão de grupos da próxima fase.

Além disso, mesmo sem caráter eliminatório, o confronto é esperado com ansiedade pelas torcidas. Ninguém abre mão de um bom resultado no Re-Pa. Os jogadores sabem da mística do clássico e também projetam grandes atuações. Quem se destaca atuando contra o maior rival ganha um lugar especial no coração do torcedor.

No Papão, são oito jogadores com a corda no pescoço. Alex Maranhão, Juninho, Nicolas, PH, Serginho, Tony, Uilliam Barros e Wesley Matos. Caso joguem sábado e recebam um cartão amarelo estarão suspensos do primeiro jogo válido pela segunda fase da Série C.

O regulamento prevê que a partir da segunda fase todos os cartões serão zerados, o que permite aos times administrarem as situações dentro dos elencos, podem eventualmente optar por times alternativos na última rodada da etapa classificatória.

João Brigatti ainda não se posicionou publicamente sobre a escalação da equipe para o confronto com os remistas. Ontem, circulou a notícia de que a provável formação do Papão seria a seguinte: Paulo Ricardo; Wylliam, Perema, Micael e Collaço; Uchoa, Wellington Reis e Marlon; Mateus Anderson, Jefinho e Vítor Feijão.

Na hipótese de ser confirmada essa equipe, que implica em mudanças importantes do meio-campo para frente, o Papão estaria levando à risca os cuidados com atletas pendurados, principalmente os titulares, como Nicolas, Uilliam, Tony, Serginho, PH e Juninho.

Além da questão dos cartões, a opção por um time mesclado revela a intenção do técnico de fazer experiências e avaliar jogadores da suplência num embate de alta voltagem emocional. Teste melhor não poderia haver. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Leão pode poupar para diminuir desgaste físico

No Baenão, o número de atletas com dois cartões amarelos é bem menor do que do lado alviceleste. São cinco: Marlon, Lucas Siqueira, Mimica, Gelson e Wallace. Como Wallace vem em fase de recondicionamento físico, é provável que seja poupado naturalmente.

Gelson é suplente e nem foi aproveitado nos últimos jogos do Leão na competição. Lucas, Marlon e Mimica são titulares, o que exigirá de Paulo Bonamigo uma decisão de caráter técnico.

Caso mexa na formação titular, corre o risco de perder uma oportunidade de entrosar ainda mais o time. Por outro lado, não pode arriscar a possibilidade de estrear na próxima fase sem três jogadores fundamentais para o funcionamento geral da equipe.

Prejuízo em campo, na TV e uma triste vitória

A eliminação do Flamengo anteontem diante do Racing, no Maracanã, causou prejuízos muito maiores do que as dores de cabeça geradas na apaixonada torcida rubro-negra. Para o SBT, que comprou os direitos de transmissão da Taça Libertadores, os jogos do Flamengo constituíam a cereja do bolo. Oportunidade para obter audiências expressivas em todo o país e, por tabela, faturar alto com isso.

O surpreendente tropeço rubro-negro fez ruir os planos da emissora de Sílvio Santos, que, por coincidência, teve durante a exibição do jogo picos de 25 pontos de audiência no Rio de Janeiro, dobrando os números da Globo na hora da cobrança dos pênaltis.  

A decepção pelo resultado deve ter feito os executivos do SBT entenderem que o futebol tem razões que a própria razão desconhece. Embora ainda tenha o Palmeiras na disputa, com perspectiva de grandes audiências, a verdade é que ficar sem o apelo popular do Fla não estava nos planos.

O jogo em si foi quase todo pautado pelo Racing, apesar dos comentários quase sempre patrioteiros da mídia esportiva, para quem o Flamengo era absoluto e favoritíssimo. Apesar de ter um time superior individualmente, o time brasileiro e seu técnico Rogério Ceni abusaram dos equívocos. Não foi acidental o triunfo final do Racing.

Aliás, times brasileiros costumam ser eliminados por clubes supostamente modestos da Argentina, Colômbia e Equador. Nesses casos, incluindo o do Flamengo agora, a empáfia é a pior das companhias. O Racing foi certeiro e objetivo no mata-mata, por isso levou a melhor.

Ontem, como consolo, a arrogante diretoria chefiada por Rodolfo Landim comemorou uma triste vitória na Justiça do Rio. A pensão de R$ 10 mil mensais paga a famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu (que vitimou 10 meninos da base do clube, em fevereiro de 2019) foi suspensa.

Um dos clubes mais ricos e bem patrocinados do país faz economia de palitinho às custas da desgraça alheia.

Direto do blog campeão

“O Flamengo está pagando todos os pecados desde que se aliou ao Bolsonaro em apoio à MP e ter tentado, quase consegue, a volta das torcidas aos estádios em plena pandemia. Não fosse a reação da imprensa, a CBF tinha embarcado nisso. E acabou também sendo vítima da contaminação em seus jogadores. São mais de 300 jogadores já contaminados no Brasil. Partiu do Flamengo e do Vasco, aliados e embalados pelo negacionismo do presidente, a volta do futebol no Campeonato Carioca”.

Guilherme Barra, jornalista

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