Que ninguém duvide das bruxas

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×2 Santa Cruz-PE (Carlos Alberto)

Contra o líder geral do Brasileiro da Série C, o Remo sucumbiu em casa pela primeira vez na competição, sexta-feira à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença. Apesar de ter sido superior na maior parte do confronto, com 25 finalizações contra apenas seis do adversário, o Leão teve contra si uma série de acontecimentos que contribuíram diretamente para o fracasso na busca pela classificação antecipada.

A ideia de que um Santa Cruz desfalcado de vários titulares seria presa fácil se desfez logo nos primeiros movimentos. O time pernambucano se lançou à frente, disposto a desencorajar uma pressão inicial do Remo. O expediente funcionou.

Durante cerca de 10 minutos, os remistas se atrapalhavam com a marcação adiantada e cometiam erros seguidos. A situação começou a mudar com o avanço dos volantes Lucas Siqueira e Charles, que passaram a pisar na intermediária adversária, ajudando Carlos Alberto na armação de jogadas.

Lucas quase marcou aos 17 minutos, chutando forte da entrada área. Dois minutos depois, cabeceou rente ao poste esquerdo de Maycon Cleiton. Aos 39’, outra excelente oportunidade: Eron fez o papel de pivô para Hélio finalizar. O goleiro defendeu e, no rebote, Gustavo Ermel se antecipou a Lucas e chutou torto por cima do gol.

No segundo tempo, o Remo voltou disposto a matar o jogo. Logo de cara, Rafael Jansen cabeceou e o goleiro Maycon Cleiton conseguiu desviar a bola para escanteio, resvalando ainda no travessão. Em seguida, Hélio Borges quase abriu o placar, em jogada abafada pela zaga na pequena área.

Só que, aos 13’, Didira abriu jogada pelo meio aproveitando um dos poucos descuidos da marcação. A bola foi colocada na área pelo lateral Leonan e Jeremias finalizou para as redes de Vinícius. Lance rápido, que o setor defensivo do Remo não conseguiu bloquear.

Além da queda, o coice. Aos 18’, Hélio Borges deu uma entrada dura em André e tomou o segundo cartão amarelo, desfalcando o time e dificultando ainda mais a tentativa de reagir. levou outro golpe aos 18, com a expulsão de Hélio.

Mesmo assim, o Remo continuou agressivo e tentando encurralar o Santa Cruz. Aos 24’, Marlon invadiu pela esquerda e foi derrubado por Jeremias. O estreante Felipe Gedoz (que havia substituído a Carlos Alberto) pegou a bola e assumiu a responsabilidade de cobrar a penalidade. Bateu rasteiro e forte, mas Maycon Cleiton defendeu. Em dois rebotes seguidos, o meia bateu para novas intervenções do goleiro.

O fracasso no pênalti abateu ainda mais o Remo, que, a partir daí, não conseguiu mais atacar organizadamente. Marlon ainda deu um cabeceio com perigo, mas no centro do gol, para defesa tranquila de Maycon Cleiton, o grande nome da partida. Aos 44’, após uma falha na saída de bola, o volante Lucas derrubou Caio Mancha na área. O próprio atacante cobrou e decretou o placar final de 2 a 0.

A partida teve movimentação e boas alternativas, mas o Remo superou as dificuldades de entrosamento do ataque e criou várias chances. Foi incompetente nas finalizações e sofreu um grande prejuízo, no aspecto físico, com a expulsão de Hélio.

Vale dizer que, em noite de sexta-feira 13, o destino quis que o primeiro gol pernambucano surgisse aos 13 minutos do 2º tempo e o placar final fosse o mesmo da derrota remista na 15ª rodada da Série C 2019: 2 a 0 para o Tombense, no Mangueirão.

As coincidências ficam por aí. A disputa do ano passado tinha um grau de aperreio maior para o Remo, que vinha em queda livre após perder o primeiro Re-Pa. Desta vez, o Leão precisa de dois empates em três jogos para se garantir na próxima fase.

Paulo Bonamigo, por seu turno, mostra mais serenidade e controle da situação que Márcio Fernandes, o técnico da temporada passada.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 23h, na RBATV, logo após a cobertura das eleições. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A direção é de Toninho Costa.

Brasil de Tite sofre para passar pela ex-zebra Venezuela

Faz muito tempo que a Seleção Brasileira não se mostra capaz de encantar a torcida. Por outro lado, vai longe também a época em que jogar com seleções como a da Venezuela era promessa de goleadas arrasadoras. Os tempos são outros e, como diz um conhecido gato-mestre da bola, não há mais bobo no futebol.

Com muitos jovens no time, aliás a renovação é a causa maior da evolução do futebol por lá, a Venezuela impôs correria e criou imensas dificuldades para a sempre previsível equipe de Tite. Problemas exacerbados pela ausência de Neymar, o único capaz de surpreender e romper linhas de marcação.

Richarlison, Gabriel Jesus, Firmino, Everton Ribeiro, Douglas Luís, Allan, Renan Lodi. Todos bons jogadores em seus times, merecedores da titularidade no escrete, mas desprovidos de personalidade suficiente para se impor perante a apenas aplicada armada venezuelana.

Falta aquela faísca que diferencia o jogador em estado de graça, capaz de diabruras com a bola nos pés. O trio atacante atua em times fortes do prestigioso certame inglês, mas se torna comum e previsível com a camisa amarelinha tão maltratada nos últimos tempos, dentro e fora de campo.

O placar magro, conquistado às duras penas na metade do 2º tempo, não pode nem ser considerado um acidente. É parte da rotina que faz com que o Brasil se torne cada vez mais nivelado aos seus irmãos sul-americanos.

É dia de votar com consciência e noção de pátria

Velho amigo me enviou um lembrete, a ser passado aos interessados. Segundo ele, no ato sagrado de votar, é bom não esquecer dos seguintes itens: documentos, máscara, álcool em gel e caneta.

Tão importante quanto os apetrechos citados é lembrar que lugar de pastor é na igreja, de militar é no quartel e de louco é no hospício.

No mais, que as escolhas sejam felizes.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

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