Um reforço providencial

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Gedoz

Vinícius; Ricardo Cruz, Rafael Jansen, Mimica e Marlon; Lucas Siqueira, Charles e Felipe Gedoz; Hélio Borges, Eduardo Ramos e Tcharlles (Wallace). Esta é a provável equipe do Remo para o jogo de amanhã à noite contra o Santa Cruz, no estádio Jornalista Edgar Proença. Já registrado junto ao BID, Gedoz deve estrear e sua entrada deve provocar algumas mudanças na maneira de jogar do time.

Um jogador da importância de Gedoz, alvo de uma transferência internacional, não chega para ser suplente ou compor elenco. Vem para entrar no time na condição de titular. Em consequência disso, o Remo deve adotar um estilo mais centrado na troca de passes e valorização da posse de bola.

Antes, sob Mazola Junior, o Remo era um time que brincava de ser reativo. O meio-de-campo, mola mestra de qualquer equipe, era essencialmente marcador. Quatro volantes compunham a linha média.

Com Paulo Bonamigo, a coisa mudou da água pro vinho. O time abraçou a formação 4-3-3 ou 4-2-1-3 e ficou naturalmente mais ofensivo. Graças a isso, emendou uma sequência de vitórias e ficou a um passo de garantir classificação antecipada à próxima fase.

Não sem problemas, diga-se. Com Carlos Alberto na armação, o time ganha mobilidade, mas perde peso ofensivo. Com Eduardo Ramos, amplia o repertório do ataque, mas fica sem dinâmica no meio e desacelera a transição.

Felipe Gedoz

A contratação de Felipe Gedoz tem o objetivo de solucionar esse impasse técnico. Com ele, o meio-campo deve ficar mais ágil e qualificado para os passes longos. Os alas Ricardo Luz e Marlon devem ser beneficiados diretamente com essa nova configuração.

O ataque também sai ganhando, pois passa a ter mais um jogador em condições de finalização, além de abrir a perspectiva da troca de passes em velocidade deixando de ficar refém dos cruzamentos na área.

Gedoz já se integrou ao grupo e afirma estar em condições de jogar. Para um time que tinha uma ideia de jogo ofensivo, mas carecia de qualidade para exercer isso plenamente, ele cai com uma luva. Se jogar em nível parecido ao dos tempos de Atlético ou no Goiás, o Remo terá muito a lucrar com sua presença.

Interesse do Sport por Nicolas ainda no terreno da especulação

Fala-se muito, os boatos se acentuam e ganham pernas, mas o fato é que a suposta proposta do Sport para tirar Nicolas do PSC até agora está no plano das especulações. O atacante confirmou que foi procurado, considerou normal a sondagem e revelou que a diretoria já foi avisada.

A dúvida é quanto à multa rescisória, visto que Nicolas fez recentemente um acordo de renovação de contrato, pelo qual teve seus salários reajustados. Fontes da diretoria garantem que a multa é alta (seria de R$ 5 milhões), inviabilizando uma transferência imediata do jogador.

Por outro lado, a possibilidade de disputar a Série A é tentadora para um atacante que tem 31 anos e pouco mais de três anos para continuar jogando em bom nível. O exemplo de Vinícius Leite, seu parceiro de ataque, é outro fator que pode pesar na decisão de Nicolas.

Vinícius encerrou contrato com o PSC para jogar pelo Avaí na Série B, com direito a salário de R$ 45 mil e contrato por três temporadas.

Há quem associe a má fase de Nicolas, que não marca há cinco jogos, com uma proposta do Sport. Isso poderia estar afetando o rendimento do atacante. É uma explicação fácil demais para uma situação bem mais complexa.

Nicolas joga praticamente sozinho no ataque, sem receber ajuda dos homens de meio-campo. O PSC não tem um camisa 10 para organizar as ações e municiar o ataque. Com Vinícius Leite, o artilheiro tinha com quem dialogar na frente. A partir de agora, nem isso.

Charles e o lado traiçoeiro da profissão de técnico

É comum surgirem comentários sobre as delícias da carreira de treinador de futebol no Brasil, com seus ganhos fabulosos e constante exposição na mídia. A realidade é que não há visão mais equivocada e distante da realidade. Ser técnico significa encarar instabilidade no cargo, riscos de calote e pressão de todos os lados.

Raros são os casos que justificam a fama de emprego dos sonhos. Charles Guerreiro, que abraçou a profissão tão logo deixou de jogar futebol, é um exemplo claro das agruras que perseguem os “professores” da bola.

Depois de várias experiências bem sucedidas, com passagens por Remo e PSC e alguns títulos conquistados, tem atravessado uma fase difícil na carreira, com direito a missões de alta periculosidade.

Foi convidado para comandar o Independente Tucuruí na Série D e sofreu com as limitações do elenco, além de turbulências administrativas causadas por um processo confuso de terceirização do futebol profissional.

Uma sequência negativa (cinco derrotas) deixou o Galo Elétrico na lanterna de sua chave e acabaram por decretar a saída de Charles. Surpreendentemente, assim que houve a mudança, o time começou a ganhar. Está invicto há seis rodadas e a apenas quatro pontos da zona de classificação.

Óbvio que isso nada tem a ver com o trabalho de Charles, mas gera de imediato especulações sobre a competência do treinador, visto que a equipe manteve o mesmo elenco e passou a responder positivamente em campo.

Ao sair do Galo, Charles aceitou um convite ainda mais espinhoso: dirigir o Imperatriz, lanterna geral da Série C e imerso em profunda bagunça interna, gerada também por um processo caótico de terceirização.

Nos últimos dias, o técnico convive com a ameaça de boicote dos jogadores por causa de atrasos de salários. O confronto contra o PSC, marcado para segunda-feira (16), está sob risco de não acontecer, pois seis atletas aguardam a renovação de contratos para ganharem condições de jogo.

Até agora, Charles coleciona uma indigesta marca no comando do Cavalo de Aço: quatro derrotas em quatro rodadas, com 24 gols sofridos e apenas três marcados. A essa altura, o trabalho do técnico é o de minimizar danos, convivendo com a falta de motivação da equipe e o apetite dos adversários por aumentar artilharia. Ossos do ofício.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 12)

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