Ô, Lula!

Por Gustavo Conde, no Jornal GGN

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Quando um homem do povo protagoniza uma revolução democrática sem precedentes no mundo e, ainda assim, continua sendo um homem do povo, somos levados a pensar: como isso é possível? Como a fama e a glória não “estragaram” o caráter de um sujeito, a princípio, frágil como todos nós?

A pergunta é até simples de responder. Mas diante da degradação das expectativas classistas com relação às suas próprias fragilidades morais, ela se torna um desafio filosófico.

A Lava Jato é a expressão máxima da discrepância moral entre Lula e seus detratores: procuradores classistas em conluio com juízes tecnicamente fracos tentaram medir Lula com suas próprias réguas. Deu no que deu.

Tentou-se impregnar Lula da histórica falta de caráter das elites. Mas, qual o quê – e para surpresa dos próceres do justiçamento vingativo e especular -, ele ainda pertencia aos parâmetros populares e humanistas de desapego material e da solidariedade cristã (real, não dissimulada).

Foi um choque para seus perseguidores. Até porque, a verdade pode tardar a chegar, mas quando chega, chega forte.

A Lava Jato estampou para o Brasil e para o mundo – a duras penas e num processo trágico que destruiu o país – que Lula jamais quis enriquecer, que jamais teve conta na Suíça ou nas Ilhas Cayman, que jamais desviou um centavo de dinheiro público, que jamais fez tráfico de influência, que passou a vida repelindo todo o assédio empresarial que lhe circundava a popularidade e que buscava a todo custo comprometê-lo para chantagens futuras – para, inclusive, desacreditar o fosso moral existente entre pessoas do povo e a burguesia conformista.

Fracassaram fragorosamente. A fibra de Lula lhes atravessou a carne como adaga incandescente. São, agora, restos que lutam desesperadamente para sobreviver no eixo midiático que, por sua vez, lhes concede migalhas.

A Lava Jato foi a certeza de que Lula jamais traiu suas origens – caso não houvesse uma, seria o caso de desconfiarmos. Ser perseguido por gente tão mesquinha, tão violenta, tão corrupta, tão prepotente e tão oportunista é um selo definitivo de qualidade moral e espiritual.

Vale mais que um Nobel.

Nesse sentido, Lula tirou a sorte grande – mas, como advogam os meritocratas, sorte não se tem, sorte se constrói.

A parte simples de responder – sobre a fortaleza de caráter que edifica a personalidade de Lula tem nome próprio. Chama-se Dona Lindu.

O orgulho que Lula tem em sempre destacar o papel de sua mãe na construção de seu caráter é um capítulo à parte na compreensão universal do que seja uma índole despida de preconceitos e de ambições materiais classistas.

Esse poder moral das pessoas do povo é insuportável para nossas elites.

Trata-se da regra existente entre pessoas de origem humilde que um dia passaram fome na vida e superaram o destino fatal de miséria com trabalho e luta.

Lula levou tão a sério essa lição de Dona Lindu, que chegou à presidência da República, outro soco no estômago dos setores conservadores e concentradores de renda.

Provou, mais uma vez – e desta vez, de maneira definitiva -, que a força moral e estrutural de um sertanejo investido de bravura e disposição ao trabalho digno, é historicamente pregnante e prevalece sobre a aridez covarde dos burocratas do Estado e do Direito.

Não há país no mundo que tenha um Lula e disso o povo brasileiro trabalhador pode se gabar.

Fato ainda não tão conhecido – a despeito de toda essa monumentalidade biográfica intragável para nossas elites – é a doçura de Lula no trato com os amigos. Lula é doce, é carinhoso e irradia felicidade na companhia das pessoas.

Sua experiência no cárcere político assombrou o Brasil e o mundo justamente por sua capacidade de conquistar corações improváveis ao seu entorno, como carcereiros e advogados.

Ser advogado de Lula é ser advogado do amor. Ser carcereiro de Lula é ser o guardião da esperança. Ser amigo de Lula é ter iluminação espiritual garantida pelo resto da vida.

Lula subverte as regras porque ele é a expressão máxima de nossa humanidade. Lula “é” a humanidade, é o que de melhor e mais admirável os seres humanos podem produzir: um homem que luta contra a fome, contra as desigualdades, contra o arbítrio, contra a violência, sempre de posse de muita inteligência coletiva e do incorrigível espírito democrático concentrado no partido político que soube fundar.

Por isso, ver este homem fazer 75 anos, livre, apaixonado, saudável – depois de passar 580 dias preso por inveja egocêntrica de nossas elites -, é um dos sentimentos mais poderosos para todo e qualquer brasileiro que tenha alguma memória e algum sentido de gratidão em sua vida.

Lula é esse “ajuntamento” de sentidos, é essa emanação social, é esse núcleo de convergências humanísticas e é também esse homem simples, que sabe demonstrar o seu carinho e sua gratidão pelo povo brasileiro e pelos povos do mundo – por sua origem, por seu caráter e por sua história.

Sorte de um povo que tem um Lula. Sorte de um mundo que tem um Lula.

Parabéns, meu querido. Que a sua vida continue iluminando a todos nós. Que seu amor pela vida e pelo povo trabalhador continue inspirando todas as pessoas desse planeta. Que sua emoção, sempre à flor da pele, prossiga nos mostrando que o caminho para uma sociedade melhor é o caminho do amor e o caminho da paz.

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Um beijo e um abraço fraternos – tão fraternos quanto tua expressão abençoada de felicidade.

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