Paciência e prazos que se esgotam

POR GERSON NOGUEIRA

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É improvável que o técnico Matheus Costa siga no comando técnico do PSC caso ocorra um novo revés na próxima rodada da Série C. O jogo será sábado, em João Pessoa, contra o Treze-PB, que ensaia uma recuperação na competição sob o comando do ex-remista Márcio Fernandes. Pessoas com vivência e conhecimento sobre o ambiente do clube avaliam que a diretoria concedeu uma última chance ao treinador após a frustrante apresentação de domingo frente ao Vila Nova-GO, no Mangueirão.

A queda para a oitava posição agravou ainda mais a situação. O triunfo do Manaus-AM sobre o Botafogo-PB, na noite de anteontem, complicou de vez a situação do Papão no grupo A. Agora, o time está somente um ponto à frente do 9º colocado, o Botafogo paraibano.

O desempenho do novo técnico é fraco até o momento. Perdeu dois jogos – para Remo e Santa Cruz – e empatou com Botafogo e Vila Nova. A conquista de dois pontos em 12 disputados é muito pouco para uma equipe que precisa desesperadamente reagir e retomar o caminho das vitórias.

Matheus tem um bom discurso analítico dos jogos. Faz a leitura correta das movimentações em campo, mas não tem acertado na interferência que um técnico deve fazer em meio às partidas. Contra o Vila Nova, por exemplo, usou dois meias que nada acrescentaram ao time, Juninho e Alex Maranhão.

No banco de reservas, tinha a opção de Alan Calbergue, que também poderia ter sido lançado na posição que coube a Wellington Reis, beneficiado por uma insistência inexplicável.

Quanto ao ataque, setor que passa por uma estiagem preocupante, Matheus deixou Elielton no banco e voltou a prestigiar Uilliam Barros, cujo apogeu técnico parece já ter passado. Elielton entrou na segunda etapa, quando o próprio PSC não tinha forças nem ânimo para pressionar a zaga goiana.

A partir do elenco disponível, há pouco a fazer quanto a peças. O que leva à necessidade natural de um reposicionamento de ideias. Matheus deveria tentar opções ainda não testadas, como uma força de meia cancha que envolva dois volantes (Uchoa, Serginho) e dois meias (Alan, Juninho), trabalhando pelos dois melhores do time, Nicolas e Vinícius Leite.

Já é tempo também de Matheus contar com a colaboração de auxiliares diretos, como Leandro Niehues, quanto a jogadas fortes que o time possuía nos tempos de Hélio dos Anjos. A triangulação pelo lado esquerdo entre Collaço, Uchoa e Vinícius sempre foi um dos trunfos ofensivos do Papão.

Outra ideia que caiu no arquivo morto é a do aproveitamento das bolas paradas, fundamento que fez do ataque do PSC um dos mais eficientes da Série C 2019. Um mês após a ruidosa saída de Hélio, ninguém parece lembrar mais daquela jogadinha mortal em faltas e escanteios.

Não se concebe que acertos consagrados sejam deixados de lados enquanto o PSC parece mergulhar na inércia. A reação deve começar por aí. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

O que seria do craque moderno na dureza do futebol-raiz?

Vi ontem no Twitter uma foto de 1962 que mostrava Djalma Santos, Zito, Pelé e Pepe entrando em campo para um amistoso da Seleção, nos tempos em que a amarelinha despertava paixão e não indiferença. O detalhe que me chamou atenção foram as chuteiras usadas pelos craques. Todas de couro cru, idênticas e com o bico castigado pelo uso. Significa que usavam as chancas há meses, pelo menos.

Quanta diferença para o luxo das chuteiras estilizadas, projetadas em laboratório especial e com aquele ar de giroflex, além das cores vibrantes. Ontem, por coincidência, o egípcio Mohamed Salah postou nas redes sociais foto da chuteira fashion com base e travas douradas, a ser usada contra o Ajax, pela Champions League, como peça comemorativa dos 100 gols que o atacante marcou pelo Liverpool.

Fico a matutar o que Pelé, Pepe & cia não teriam feito de posse de tais artefatos luxuosos, que asseguram conforto e ventilação aos pés, permitindo chutes mais calibrados e potentes. Ao mesmo tempo, cabe imaginar o que seria da geração moderna nos campos duríssimos do passado e com as chuteiras que pareciam peças medievais.

Sem saudosismo, a comparação inevitavelmente favorece aos craques da era de ouro, forjados na necessidade de superar todo tipo de obstáculos. Talvez tenham alcançado tantas glórias justamente porque precisavam dominar todos os elementos e superar a falta de recursos.

Direto do Twitter

“Não apenas nenhum jogador vai se posicionar na questão Robinho, como muitos vão passar pano e apoiar. Ambiente é tóxico, machista, misógino. Acima da média nacional, que já é baixa. E não venha falar que é possível separar. Se é esporte nacional, suas questões transcendem”. (Rômulo Neves)

“No esporte brasileiro pode matar e estuprar mulher, mas não pode gritar Fora Bolsonaro!”. (José de Abreu, ator)

Leão obtém o selo de formação de atletas olímpicos

O Remo passa a integrar o seleto grupo de clubes formadores de atletas do esporte olímpico. O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) incluiu o Leão na lista de 161 clubes brasileiros detentores do selo – no Pará, apenas PSC e Assembleia Paraense faziam parte.  

Mesmo fazendo parte do CBC há três anos, só agora o Remo obteve o selo. Uma forma de reconhecimento pelo trabalho de formação desenvolvido pelo Leão há muitos anos. Antes da pandemia, o Remo tinha cerca de 1.200 atletas/alunos em todas as modalidades olímpicas.

Com o reconhecimento do CBC, o clube passa a ter a garantia de receita em futuras transações de atletas, independentemente de terem passado pelas categorias de base de outros clubes. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 21)

Um comentário em “Paciência e prazos que se esgotam

  1. Se o jogo contra o Treze (PB) será a última chance ao aprendiz de treinador, quando encerram os prazos do tal “executivo de futebol”, e seus protegidos Alex Maranhão, Wellington Reis, Erick Ruim a Bessa e Uiliam Barros ??
    E os recém novos “reforços” – Carlão e Vitor Feijão, estão sendo “guardados” para o Parazão 2021 ??

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