Os perigos da terceirização

Comandado por acreana, Independente de Tucuruí, do Pará, vence o Atlético |  ContilNet - O Acre em um só lugar - Portal de Notícias do Acre

POR GERSON NOGUEIRA

A terceirização do futebol profissional já foi cantada e decantada, pelo menos no Pará, terra de gente meio apressada, como panaceia para quase todos os males. Dizia-se que podia ser a saída para a crônica pindaíba da dupla Re-Pa. O tempo passou e as experiências mais recentes indicam que terceirizar não é bom negócio.  

Os danos causados ao Independente Tucuruí confirmam o quanto é temerário delegar a gestão do futebol a terceiros. Com o time nas mãos de empresários, a campanha do Galo na Série D se revelou um desastre.

Em cinco rodadas, o Independente não conseguiu marcar pontos. Foi eliminado precocemente da disputa em meio ao constrangimento de derrotas dentro de casa para adversários não mais que medianos.

Nem mesmo a experiência e competência de Charles Guerreiro foram suficientes para garantir um desempenho digno à equipe. A única vitória conquistada até agora ocorreu anteontem, contra o Atlético-AC, já sem a participação de Charles, que pediu demissão.

Os desprazeres da terceirização não ficaram restritos à Série D. No Brasileiro da Série C, o Imperatriz-MA segue trajetória quase semelhante à do Galo Elétrico. Conquistou apenas um ponto em 10 rodadas (graças ao empate com o Remo de Mazola Junior).

Com duas trocas de técnico, o Cavalo de Aço esteve perto da vergonha suprema de perder por W. O. para o Jacuipense, por motivo sui generis: a falta de jogadores em quantidade mínima para entrar em campo. Tudo porque os empresários que terceirizaram o futebol do clube resolveram desfazer o acordo e retirar a maioria dos atletas.

Um acordo de última hora permitiu ao Imperatriz contar com 16 jogadores para a partida. Sofreu outra derrota, de virada, mas pelo menos não perdeu a dignidade. Não se sabe, porém, até quando o acerto irá perdurar. Permanece o risco de o clube desistir do campeonato.

Sistema que não vingou no futebol europeu, a terceirização deveria ser olhada com desconfiança no âmbito regional. Diretorias são eleitas para responder por seus atos e assumir o compromisso de gerir o futebol, sem cair na tentação de empurrar os problemas para terceiros.

Em meio a uma fase crítica, a diretoria da Tuna decidiu entregar o clube a empresários. Os resultados ruins serviram de lição e a experiência foi encurtada, antes de gerar maiores prejuízos.

Quem terceiriza está sempre a fim de lucrar com a negociação de atletas. Mas, no afã de obter faturamento fácil, a galinha dos ovos de ouro é abatida a tiros de negligência e pouco caso. Não há comprometimento.

Mais grave ainda é o efeito devastador do fim da terceirização. O empresário sai e arrasta seus atletas, deixando um cenário de terra arrasada, como quase aconteceu com o Imperatriz.

Nem a caótica terceirização do Figueirense na Série B 2019, com motim de jogadores e ameaça de abandono da competição, foi levada a sério pelos incautos deste ano. Já é tempo de aprender.

Um traço monumental estremece o futebol cearense

Bergson, aquele atacante que fez sucesso defendendo o PSC há algum tempo, é pivô de uma polêmica que promete acentuar ainda mais a rivalidade entre Ceará e Fortaleza. Insatisfeito com a reserva no Vozão, ele foi negociado com a Ponte Preta. Até aí, tudo normal.

Ocorre que o Fortaleza se movimentou rápido e armou com a Macaca para adquirir Bergson. O negócio foi fechado e o artilheiro foi anunciado pelo Tricolor, para assombro geral na terra de Iracema. É claro que logo teremos forra do Vozão, assim manda a lei.

Filho de Baião brilha em meio à crise no Galo Elétrico

Darley, atacante baionense, marcou três gols e deu passe para Joãozinho fazer o quarto na vitória do Independente sobre o Atlético-AC, na quarta-feira, em Tucuruí. Além da surpresa pelo primeiro triunfo do Galo Elétrico na Série C, despertou curiosidade o desempenho do jovem artilheiro.  

Em contato com a coluna, Eldon Meireles, amigo e empresário de Darley, destacou a atuação dele diante dos acreanos. Como todo o time do Independente, Darley precisava muito de um resultado positivo, após cinco rodadas frustrantes e a eliminação precoce do Brasileiro.

Eldon conta que Darley veio de Baião para tentar conseguir uma oportunidade no futebol profissional. Nascido na Vila de Calados, tem origens que o recomendam: é filho de Jorge Moreira, um ex-jogador do Brasília Futebol Clube e ativo militante de esquerda na região.

Através de bons contatos, Eldon conseguiu que Darley atuasse pelo Sport Belém no ano passado, depois de rápida passagem pelo Paraense. Ganhou chance no Independente, sob o comando de Charles Guerreiro, mas a má campanha na Série D atrapalhou os sonhos de obter visibilidade.

Apesar das dificuldades, o atacante de 24 anos manteve o espírito perseverante e deixou sua marca ajudando o Galo a conquistar seu primeiro triunfo no Brasileiro. Um orgulho para Calados e, obviamente, para Baião.

Baseado no exemplo de Darley, outro garoto baionense já começa a abrir caminho no futebol. É Popó, de 17 anos, nascido na vila do Açaizal, que acaba de fechar contrato com a Desportiva.

Sucesso a ambos. O baionense é sobretudo um resistente.

Covid pode desfalcar o Leão pela terceira semana seguida

Lucas Siqueira, Julio Rusch, Alemão e Ermel estão sob observação e suspeita de covid. São jogadores normalmente escalados pelo técnico Paulo Bonamigo, embora o único titular absoluto seja o volante Lucas. Os quatro casos vêm se juntar a problemas ocorridos nas semanas anteriores, que desfalcaram a zaga (Fredson) e o ataque (Eduardo Ramos e João Diogo), o que reforça a necessidade de manter um elenco de alto nível.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 16)

Um comentário em “Os perigos da terceirização

  1. Os médicos do Remo precisam rever esse protocolo da Covid, já são vários jogadores contaminados em menos de duas semanas, fazer uma higienização profunda no Baenão, checar os protocolos dos hotéis onde estão concentrando.

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