A (imensa) falta que ele faz

POR GERSON NOGUEIRA

Contrato de Nicolas não prevê liberação para outros clubes: "Não acharia  justo com o Paysandu" | paysandu | ge

Quem vai substituir Nicolas? É a pergunta que mais se ouve neste momento nos arraiais bicolores. Questão séria, daquelas que pode tranquilamente passar até pelo crivo da presidência do clube, tal seu grau de importância. Afinal, há duas temporadas Nicolas se estabeleceu como o principal jogador do time. Ninguém no elenco bicolor chega nem perto em nível de utilidade coletiva e produção individual.

Nicolas não virou ídolo por acaso. Além de fazer muitos gols, é um jogador que alia a boa técnica a um senso de responsabilidade pouco visto no futebol profissional de hoje. Virou xodó dos torcedores e referência para companheiros e treinadores. Fixado no ataque, como centroavante, função que não exercia antes de chegar ao PSC, deu conta da missão com inegável competência.

Dono de excelente impulsão, é hoje um dos melhores cabeceadores da Série C, com alto aproveitamento em bolas paradas. Pelo chão, põe a serviço do papel de atacante a técnica de jogador acostumado à meiúca. O espírito de equipe faz com que se disponha a auxiliar na marcação, participar da transição e até recuar para reforçar ações na intermediária.

Esse nível intenso de participação torna ainda mais complicada a tarefa de substituí-lo. No Papão atual, não existe um jogador com as características de Nicolas e com o seu nível de entrega ao esforço coletivo. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, ele desfalca o time diante do Botafogo-PB.

No ataque, o técnico Matheus Costa vai buscar suprir a ausência do camisa 9 utilizando Uilliam Santos como centroavante. Com gols importantes nos últimos jogos, Uilliam vive fase inspirada, nem lembrando o jogador errático que sofria muitas críticas no começo da temporada. Vinícius Leite e Elielton, provavelmente, serão os homens de beirada.

O fato de não poder contar com Nicolas dá ao técnico e ao próprio PSC a oportunidade de avaliar como o time se comporta sem um referencial tão importante. Diante do Imperatriz, Nicolas deixou a partida no intervalo e o time atuou bem na sua ausência, impondo um jogo diferente, de verticalização de jogadas e exploração de contra-ataques em velocidade.

Pode ser o caminho a ser adotado diante do Belo, que precisa vencer e deve atacar bastante, deixando espaços para que um ataque rápido possa se prevalecer da situação. Até mesmo o comportamento anímico do time sem Nicolas deve ser bem observado, a fim de contribuir para experiências futuras.

Como será a cara do novo Remo de Paulo Bonamigo?

Os treinamentos têm sido intensos no Evandro Almeida desde a terça-feira. Bonamigo gosta de trabalho com bola e movimentação tática. Os próprios atletas já admitem os efeitos da mudança de propósito. O meia-atacante Dioguinho foi um dos que se manifestou destacando a postura ofensiva adotada pelo novo treinador.

Difícil é imaginar o que a equipe vai mostrar domingo contra o Manaus. Não há como mudar radicalmente a característica de um time em apenas quatro treinos. É bem possível que a atitude seja mais destemida, sem o conservadorismo de antes, mas as funções e variações de jogadas dependerão da continuidade.

Por mais aplicado que o grupo de jogadores seja, assimilar novos conceitos requer um mínimo de tempo e conexão com o comandante. Quem vem acompanhando os treinos de Bonamigo garante que o elenco está focado, consciente da necessidade de uma reformulação.

O confronto de domingo talvez ainda não mostre um time completamente mudado, mas é legítimo esperar que a arrumação do ataque esteja diferente, sem o isolamento de atacantes Tcharlles e Gustavo Ermel, que no esquema anterior participavam esporadicamente das ações da equipe, o que é muito pouco para quem busca vencer jogos.

O fato é que, mesmo sem estar 100% adaptado aos novos conceitos, o Remo de Bonamigo precisa dar respostas. A necessidade de uma vitória, após cinco resultados ruins na competição, torna-se o objetivo natural da equipe e uma espada sobre a cabeça do técnico recém-contratado.

Projeto do novo Mangueirão é apresentado à CBF

A cúpula da CBF conheceu o projeto de reforma e ampliação do estádio Jornalista Edgar Proença, na visita do secretário de Esporte e Lazer, Arlindo Silva, ontem à sede da entidade. O presidente Rogério Caboclo recebeu a solicitação oficial do governo do Estado para que a Seleção Brasileira faça o jogo da reinauguração do Mangueirão, em 2022.

Caboclo aceitou o convite e rasgou elogios ao futebol do Pará e ao estádio estadual, palco “de jogos que reúnem as grandes torcidas de Remo e Paysandu”. Além de Caboclo, Arlindo foi recepcionado pelo coronel Antônio Carlos Nunes, vice-presidente da CBF.

Apóstolos do caos insistem na volta das torcidas

A CBF e os clubes que querem reabrir as bilheterias dos estádios não recuam um milímetro da proposta, nem mesmo com os recentes casos de contaminação surgidos na delegação do Flamengo. Há uma fria determinação no sentido de permitir que os clubes recuperem – mesmo de maneira reduzida – as receitas que a pandemia tirou.

Ninguém discute a situação de dificuldades vividas por todos os grandes clubes brasileiros, mas é imperioso que alguém tenha o desassombro de enfrentar os negacionistas e defensores da liberação, principalmente quando a doença dá sinais de recrudescimento em quase todas as regiões brasileiras. Argumentar que o “pior já passou” é brigar com os fatos e desafiar o bom senso.

Não há qualquer garantia de que os protocolos de saúde serão respeitados em estádios com mais de 15 mil espectadores. A ausência de um plano confiável e seguro para prevenir aglomerações (na chegada e no escoamento dos torcedores) é a admissão de que o futebol não pode ainda conviver com torcida nos estádios.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 25)

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