Papão joga mal e vacila em casa

POR GERSON NOGUEIRA

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Era natural que o PSC tivesse dificuldades na partida de ontem, nem tanto pela força do adversário, mas o receio tinha a ver com o desgaste físico do time após as duas partidas pela decisão do Parazão. Acontece que o que se viu na Curuzu foi muito pior do que o esperado. Contra uma das equipes mais limitadas do grupo A da Série C, o Papão não conseguiu se estabelecer em campo. Faltavam jogadas simples de imposição e os jogadores se perdiam na marcação do adversário.

Dispersivo desde as movimentações iniciais, o time de Hélio dos Anjos só criou duas oportunidades claras durante todo o primeiro tempo. Mesmo sem grande qualidade, a equipe visitante provocava situações de perigo fustigando o lado esquerdo da defesa do PSC.

O gol da Jacuipense logo aos 13 minutos, após pênalti cometido por Uchoa, deixou o Papão ainda mais desorganizado. Nem jogadores mais regulares, como Nicolas e Vinícius Leite, conseguiam reeditar as boas atuações de outras jornadas. Somente Mateus Anderson se destacava, mais pela insistência nas tentativas. 

Para se ter ideia do nível da atuação, só na reta final foi que aconteceu o segundo chute mais perigoso do PSC ao arco da Jacuipense na partida. Alex Maranhão cobrou falta batendo direto. Antes, Nicolas havia cabeceado e a bola explodiu no rosto do goleiro.

Quando finalmente o time chegou com mais força ao ataque, marcou o gol de empate através de Uilliam Barros, que novamente entrou bem. Mas, no minuto seguinte, um apagão generalizado permitiu que a Jacuipense desse a saída e fizesse o gol de desempate, com extrema facilidade, através do atacante Tiaguinho.

A partir daí, o confronto ficou ainda mais esquisito, pois o jogador Rafael Bastos virou cavalo do cão, revoltado com a arbitragem após tomar o segundo amarelo. Ameaçou e tentou agredir o confuso apitador e depois foi até o banco de reservas do PSC procurar confusão. A muito custo, foi contido, mas o jogo ficou paralisado por quatro minutos, o que esfriou as ações. Se o PSC já estava apático, ficou mais ainda.

Quando a bola voltou a rolar, Vinícius Leite continuou a errar muito, Nicolas mostrava-se apenas esforçado e Alex Maranhão – surpresa! – era o mais lúcido. Apesar do esforço para impor uma pressão final, o gol de empate não veio, apesar de a partida ter se prolongado até 55 minutos.

A impressão é de que o PSC podia seguir jogando por mais duas horas e não chegaria ao segundo gol, tamanha a lentidão e falta de reação de seus principais jogadores. O resultado foi ruim porque o campeão paraense permanece na parte de baixo da classificação, com apenas quatro pontos, perigosamente perto dos lanternas.

Depois da partida, Hélio comentou que a Jacuipense teve méritos, o que é verdade, mas esqueceu de fazer uma crítica mais realista do comportamento do PSC. Havia a preocupação com a qualidade e até mesmo a motivação após a festa do título, mas todo mundo sabe que Campeonato Brasileiro não pode ser subestimado.

Fora de casa, Leão tem boa chance de reagir após o Parazão

O Remo encara o lanterna Treze-PB hoje, em Campina Grande, com algumas responsabilidades nas costas. Precisa pontuar para manter o bom posicionamento na Série C e, com isso, superar o insucesso na disputa do título estadual e selar um armistício com o torcedor. A missão não é tão simples como parece, pois o time da casa joga sob a pressão para deixar a última posição na tabela – três derrotas em três rodadas.

Pelo lado psicológico, o maior adversário do Remo é o próprio Remo, às voltas com previsão de cortes no elenco e muita cobrança pela maneira como a equipe encarou a decisão do Parazão. Mazola Junior, o comandante, considera-se injustiçado pelas críticas que recebe.

Na última entrevista antes de encarar o Treze, ele fez um balanço da campanha remista na retomada e ressaltou a invencibilidade antes das derrotas do PSC. Convidou os críticos a contestá-lo de frente, após revelar que tem sofrido insultos e até ameaças nas redes sociais.

Como técnico do Remo, ele precisa esquecer os clássicos perdidos e focar no Brasileiro. É a única maneira de superar críticas e calar detratores, principalmente os baderneiros virtuais, que se comprazem em agredir moralmente as pessoas confiantes no anonimato.

O ideal, para Mazola e o Remo, é que o time comece a reagir hoje, pontuando e mostrando à torcida que já superou os problemas que afetaram o desempenho no Parazão. Sem esquecer que a ausência de Eduardo Ramos segue como principal problema para levar o time ao ataque.  

Crise faz DAZN reduzir equipes e estrutura no Brasil

O DAZN, serviço de streaming que tem os direitos de transmissão da Série C, está botando o pé no freio em suas operações no Brasil. Informou aos funcionários que as ações serão reduzidas ou suspensas. A partir de agora, a plataforma vai concentrar o planejamento operacional nos Estados Unidos, a fim de diminuir os custos de streaming em todo o mundo, após o abalo financeiro causado pela pandemia.

Até as equipes montadas para a transmissão de jogos no Brasil devem sofrer cortes. Um time de profissionais será preservado, mas em tamanho bem inferior ao que existia antes da quarentena. O fato é que a pandemia do novo coronavírus levou à perda de muitos assinantes em todo o mundo, atrapalhando o seu planejamento em todo o mundo.

Para as torcidas de PSC e Remo, a esperança é de que as condições técnicas do streaming melhorem, pois assistir jogos pelo DAZN é um desafio: além da limitação de câmeras e dos comentários nonsense, a exibição é muito afetada pelo atraso (delay) em relação ao tempo real de jogo.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 10)

6 comentários em “Papão joga mal e vacila em casa

  1. Nada de novo do quartel da Curuzú. Um time que se arrasta em campo, desde a retomada do futebol, do Itupiranga ao Jacuipense, um festival de horrores que se repete a cada jogo.
    Enquanto isso, o treinador Hélio dos Anjos prefere reconhecer méritos nos adversários, do que admitir que seu elenco é fraquíssimo e nominar os que não têm condições físicas, atléticas e espirito de competição, para vestir a camisa alvi-azul.
    A conquista do título paraense foi apenas um acidente de percurso, disputado nos dois piores RExPA da história do futebol paraense, onde um tinha que ser campeão e o outro vice. Ganhou o menos incompetente, que transpirando, no máximo, 5 minutos, fez 2 gols a mais. A rigor um título que nem justificaria tantas comemorações, a ponto de ser a desculpa da vergonhosa exibição de ontem, contra um time do interior ao Bahia. Mais um “salgueiraço” na Curuzú.

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  2. Treinadores e jogadores com suas grandes parcelas de culpa nos fracassos frequentes. Diretores mais ainda, o que não é novidade. Uma pergunta que não quer calar: por onde andam os tais executivos de futebol dos eternos rivais, denominação pomposa para os velhos mercadores de boleiros, responsáveis pelas dragas e barangas que povoam os elencos atuais da dupla Re-Pa?

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  3. E segue a cantilena da exigência de futebol nível Champions League pra times da Série C do Brasil. De fato, Hélio errou muito, vide a contusão do PH, que saiu domingo último esgotado e não deveria ser utilizado ontem, saiu por contusão. O clube teve mais de um ano pra mandar o Caique Oliveira embora, resolveu fazer quando precisava desesperadamente dele; Nicolas e Vc. Leite jamais deveriam ter entrado em campo, ontem, seus respectivos estados precários como terminaram falam por si. Dos Anjos parece temer críticas, só isso explica a exploração desumana de uns cinco ou seis jogadores ali na vã esperança de evitar críticas. O resultado não poderia ter sido pior. Agora, restam 39 pontos em disputa pro Paysandu, reservando-lhe a circunstância a obrigação de conseguir 26, cerca de 80%, caso queira brigar pelo acesso.

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  4. Quem quer fugir do limbo da Série C e ascender tem que estar jogando no mínimo um futebol de Série B. Ou o objetivo é continuar onde está? Se é isso mesmo, então não adianta chorar. Não esquecer que a Série D está um degrau abaixo.

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