Empate foi bom negócio

POR GERSON NOGUEIRA

Segundo tempo teve menos chances de gol

Para a produção do time ontem diante do Vila Nova, o empate foi um bom resultado para o Remo. Jogando com uma postura defensiva na maior parte do tempo, não seria coerente pretender vencer um adversário bem organizado e que buscou o ataque de maneira sistemática. Sem preocupações com a defesa, pois o Remo pouco incomodava, o Vila teve toda tranquilidade para impor seu jogo de muito toque de bola e inversão de posicionamento. 

A tranquilidade desfrutada pelo Vila era tão acentuada que jogadores como o meia Biancucci, o volante Pablo, os laterais John Lennon e Mário Henrique e os atacantes Henan e Lucas Silva se espalhavam pelo campo de defesa azulino levando perigo em lances de aproximação e cruzamentos.

Biancucci perdeu duas chances na entrada da área. Uma chutou nas mãos de Vinícius e outra saiu tirando tinta da trave azulina. Henan chegava tanto pelo centro do ataque quanto pelos lados. Aos 26 minutos, sofreu pênalti (não marcado) ao ser puxado por Mimica na grande área. 

John Lennon e Lucas Siqueira travaram duelo pela beirada do campo

Muito preso à defesa e preocupado com as articulações do adversário, o Remo pouco atacou. Quando chegou à frente, produziu lances esporádicos, em cruzamentos de Marlon e cobranças de falta por Eduardo Ramos, sem maiores problemas para o goleiro Fabrício. No finalzinho, Biancucci foi lançado por Lucas Silva na área do Remo e desarmado por Fredson quando ia finalizar em direção ao gol.

Depois do intervalo, com a saída de Mimica para a entrada de Everton Castro, Jansen foi deslocado para a zaga e o setor ganhou em segurança no jogo aéreo, mas, ainda assim, a bola mais perigosa do jogo pertenceu ao Vila. Aos 17 minutos, Mário Henrique cruzou para o cabeceio de Henan no ângulo. Vinícius espalmou com as pontas dos dedos. 

O Remo teve sua melhor oportunidade aos 19 minutos, quando encaixou um contra-ataque de almanaque, com três contra um. A bola foi espanada pela zaga, chegou a Eduardo Ramos, que lançou Tcharlles na direita. Ele retardou um pouco o passe e quando tocou para Ermel a zaga já estava recomposta e o chute foi abafado.

No afã de produzir alguma coisa na frente, Mazola substituiu Tcharlles por Zé Carlos, que não teve nenhuma participação marcante. A entrada de Carlos Alberto deu um novo alento ao setor de criação, mas em nível insuficiente para mudar a história do jogo. 

Mazola justificou a opção por um esquema fechado com a falta de opções no elenco para um jogo mais ofensivo, mas ontem ele já tinha alternativas e manteve a camisa-de-força. Exemplos: Carlos Alberto, que podia ter entrado antes e contribuído mais, entrou a 4 minutos do final. Zé Carlos talvez não fosse a melhor opção para o ataque na reta final. Por isso tudo, o resultado acabou refletindo o que se viu em campo e o empate não pode ser lamentado pelo Remo. Podia ter sido pior. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

Repetição de velhos erros derruba Papão no Amazonas

Nem a chuva que caiu em boa parte do jogo em Manaus, sábado à noite, serviu para refrescar as ideias do time do PSC, que afundou nos erros de sempre: lentidão excessiva nas ações de ataque, ausência de poder criativo no meio e falhas de cobertura na defesa. A (justa) vitória do Manaus poderia ter sido mais tranquila se o time baré fosse mais objetivo e certeiro nas finalizações.

Fumaça, Rossini e Paulinho perderam boas chances, além dos gols marcados por Renan e pelo próprio Paulinho, um em cada tempo. O gol alviceleste foi de Diego Matos em precisa cobrança de falta no último minuto da primeira etapa, batendo no canto esquerdo da trave com extrema categoria.

O mais preocupante é que quase todas as chances (e gols) do Manaus foram propiciadas pelo PSC. O primeiro gol foi um erro grotesco de Diego Matos, cabeceando torto nos pés do lateral amazonense, livre na área. O segundo nasceu de erro de marcação no lado direito e falha no centro da zaga bicolor.

Depois do jogo, o técnico Hélio dos Anjos admitiu que o PSC não merecia melhor sorte na partida, mas adotou uma retórica enérgica, bem ao seu estilo, atribuindo a derrota apenas ao mau desempenho dos jogadores e criticando a “omissão” do time em campo. Não foi bem assim.

O treinador acerta e vai na ferida quando observa que o PSC voltou a cair na postura de correr atrás do resultado, mas erra ao avaliar que o time criou uma “situação predominante na parte ofensiva” no final do 1º tempo e no início do 2º período. Na verdade, o jogo não mostrou predomínio absoluto de nenhum lado, mas as ações mais agressivas eram todas do Manaus.

O PSC só passou a acelerar as jogadas quando ficou inferiorizado, mas os equívocos suplantaram as boas intenções. Apesar de cometer seguidas falhas na troca de passes, o Manaus levou a melhor por optar por um jogo mais verticalizado e ofensivo, principalmente pela participação dos laterais.

No Papão, Nicolas raramente conseguiu pegar na bola e Nicolas é o principal jogador do time, merecendo ser priorizado em todas as manobras do meio para frente. Quando aponta indecisões e mau posicionamento dos jogadores, Hélio passa a impressão de que o problema não passa por ele – e as coisas começam justamente pelo sistema adotado, de responsabilidade do treinador.

O PSC não propõe jogo e quando tenta, com Luís Felipe centralizado na meia, a movimentação dos volantes não permite que o articulador tenha muita margem de manobra. Acabou escondido pelo lado esquerdo, sem aproximação com Nicolas. Juninho, que poderia ter sido o jogador responsável por romper as linhas demarcação também participou discretamente do jogo, como quase todo o time.

Há muita preocupação em resguardar o setor defensivo e pouca iniciativa para ir à frente. O Manaus, mesmo sem maior brilho, entendeu isso e explorou bem os espaços permitidos. No segundo tempo, uma saída rápida pela direita após recuperação de bola fez com que o time da casa chegasse em dois passes à área do PSC. Renan cruzou e Rossini testou com perigo. 

Essa facilidade ficou evidente nos dois períodos, pelos erros de posicionamento de volantes e laterais. Micael entrou nos minutos finais e atuou quase como um primeiro volante, mas o problema parece ter raízes ainda mais profundas no aspecto da confiança. Os jogadores pouco arriscam, talvez temendo cometer erros. Ora, arriscar é do jogo, ninguém vence sem se expor a riscos.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 31

3 comentários em “Empate foi bom negócio

  1. Na coerente análise do time do Paysandú, acrescentaria as falhas do goleiro nos dois gols. No primeiro, estava no meio do gol, com total visão do lance, e o chute foi fraco. No segundo, apesar do chute mais forte, poderia ter se antecipado. Em ambos os lances, faltou elasticidade. A pergunta que já passou da hora da torcida bicolor merecer resposta é: até quando o “professor”, e sua comissão técnica, continuarão prestigiados ??
    Quanto a melancólica final de campeonato paraense, meu prognóstico é de que as partidas terminarão empatadas em -1 a -1. Após 4 séries de penâltis, também empatadas, as equipes serão proclamadas vice-campeãs. É o máximo que merecem nossos ex-titãs, hoje medíocres figurantes da Série C, jogando futebol de Série E !!

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  2. Como falei anteriormente vejo o Remo com as duas mãos no Tricampeonato.
    Mazola é mais técnico e sabe tirar o coelhinho da cartola na hora certa.
    E com este apático do Paysandu não tem a menor condição de reagir quando toma um gol.
    O gol de empate de bola parada e as eternas falhas e a avenida que se tornou este meio campo para a defesa é sinal de fim dos tempos na era Dos Anjos.

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  3. O Mazola é bom treinador, sem dúvida. Só não entendo o porque da insistência com o Zé Carlos. Penso que o Ronald deveria ter entrado ontem e o Tcharlles não deveria ter sido substituído. Por outro lado, gostei do futebol do Jansen em sua posição de origem.

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