Em busca de regularidade

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasileiro da Série C é um campeonato que exige regularidade. As equipes que conseguem manter um nível relevante de acertos pontuam  mais e têm mais chances de classificação à fase decisiva, que neste ano não tem mata-mata como acontecia até o ano passado.

A partir deste ano, os quatro melhores colocados de cada grupo se classificam para dois quadrangulares: de um lado, o 1º colocado do Grupo A, o 2º colocado do Grupo B, o 3º colocado do Grupo A e o 4º colocado do Grupo B. Do outro, o 1º colocado do Grupo B, 2º colocado do Grupo A, o 3º colocado do Grupo B e o 4º colocado do Grupo A.

Os clubes se enfrentam dentro de suas chaves e os dois melhores de cada lado conquistam o acesso à Série B. Os vencedores de cada grupo se classificam disputar as finais – nos dias 24 e 31 de janeiro de 2021.

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Para chegar à 2ª etapa, como ocorreu com o Papão em 2019, será necessário somar entre 28 e 30 pontos na fase inicial, o que obriga um time a fazer pelo menos 14 pontos nos primeiros nove jogos. O Remo chegou a sete pontos em três jogos, o que pode ser considerada uma boa largada. O Papão soma quatro nas três primeiras rodadas.  

Até agora, as melhores equipes do grupo A são Santa Cruz, Remo, Ferroviário e PSC. É cedo para avaliar possibilidades, mas em geral quem larga bem acaba tendo mais êxito na competição. Botafogo e Treze, que têm potencial para brigar pela classificação, estão nas últimas posições.  

Entre os bicolores, que começaram com baixo rendimento, reina a convicção de que a vitória sobre o Treze, no sábado, marca o início da arrancada para o acesso. Mesmo sem grande atuação, o time superou dificuldades e foi objetivo, fazendo o gol na reta final da partida.

É com esse espírito que Hélio dos Anjos vem trabalhando a equipe nos preparativos para o compromisso contra o Manaus, sábado, na capital baré. O time amazonense é um time mediano, mas tem tradição de endurecer quando atua dentro de seus domínios.

Depois de experimentar sem êxito a marcação alta, adiantando a zaga para forçar erros do adversário no meio-campo, o técnico reavaliou as coisas e teve a grandeza de retornar ao sistema antigo, embora discretamente.

Contra o Treze, o time não repetiu os erros primários de marcação e cobertura exibidos na partida contra o Vila Nova. Ao mesmo tempo, a entrada de um meia-atacante dinâmico e inquieto como Juninho – que deve ser escalado na partida de amanhã – abre espaços e possibilidades para Nicolas, artilheiro e principal jogador do time.

Em situação normal, diante do Manaus, o PSC reúne as condições necessárias para obter a segunda vitória e se aprumar na competição. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Cartola do Vitória reproduz a grosseria que vem de cima  

Paulo Carneiro é um legítimo expoente da cartolagem obtusa e ditatorial que teve como ícones Caixa D’Água, Eurico Miranda, José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Castor de Andrade, entre outros menos votados. Sempre deu as cartas no futebol baiano, espraiando sua influência pelo Nordeste inteiro. Um capitão do mato em toda a sua essência. 

Anteontem, em rede nacional, ele mostrou a intolerância e o autoritarismo próprios de quem se acha acima das leis. Há muita gente no Brasil de hoje seguindo essa trilha do ódio, espelhada em exemplos de quem está no poder. Aliás, Carneiro é um declarado apoiador das ideias e métodos do presidente da República.

Exibiu essa identificação até nas palavras usadas para interpelar e ameaçar Vinícius, jogador do Ceará, no intervalo do jogo no Barradão: “Te dou porrada. Aqui tu apanha, vagabundo!”, vociferou, com som captado pela TV. Frase gêmea do “Vou te encher a boca de porrada”, proferido impunemente pelo presidente a um repórter três dias antes.

Carneiro age como aquele desembargador de S. Paulo que se negou a botar a máscara de proteção e humilhou o guarda da esquina. É da mesma estirpe. Um bronco.   

O presidente do Vitória deveria ser exemplarmente punido, se houvesse um mínimo de normalidade jurídica no futebol brasileiro. É caso para suspensão sumária, mas duvido que seja sequer advertido. O próprio atleta pareceu intimidado diante da fúria do cartolão metido a valente. Cercado de bate-paus e seguranças, qualquer um vira Cisco Kid.

Ramonismo empolga o Vasco após a excelente começo

O Vasco entrou no Brasileiro estava naquele rol de times sem maiores ambições. “Vai brigar para não cair”, era o comentário mais comum, até entre os torcedores. A premissa não estava errada. O clube atravessa uma tremenda pindaíba, sem condições de fazer grandes contratações.

Para economizar, promoveu Ramon a técnico quando Abel foi demitido. O ex-jogador assumiu sem maiores expectativas por parte da torcida. Talvez por isso mesmo sua caminhada invicta encanta a todos. Foi criado até um neologismo, o “ramonismo”, para definir o momento vivido pelo Vasco.  

O time engrenou usando um formato simples. Defesa forte, boa marcação no meio e um atacante nato na frente. O argentino Cano é um dos principais goleadores da Série A e caiu como luva no esquema de Ramon.

A fase é tão abençoada que, anteontem, na Copa do Brasil, o time venceu o Goiás no tempo normal com dois gols acidentais, com a bola desviando em zagueiros adversários. Nos penais, vitória do Almirante.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 28)

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