Bayern resgata Müller, alma e liderança na campanha da Champions

Thomas Müller é um dos destaques do Bayern na temporada - Reuters

Por Rafael Reis

Em junho do ano passado, Thomas Müller recebeu uma proposta para jogar na China. A ideia de se transferir para o Oriente não era tão absurda assim. Afinal, o atacante já não parecia mais muito útil para o Bayern de Munique. Mas, para a sorte dos torcedores bávaros, o negócio não saiu. Se o camisa 25 houvesse se mandado para o futebol asiático, é pouco provável que o clube chegasse à semifinal da Liga dos Campeões, contra o Lyon, hoje (19), em Portugal, como o time a ser batido no futebol europeu.

Aos 30 anos, os últimos 11 dedicados ao time adulto do Bayern, o atacante alemão se reinventou. Virou a alma de uma equipe que não perde quase nunca (já são oito meses de invencibilidade em jogos oficiais) e que distribui goleadas como quem troca de roupa (23 gols só nas últimas cinco partidas). Além disso, já bateu o recorde de assistências de sua carreira e se transformou no maior “garçom” da temporada. Em 2019/2020, já distribuiu 26 passes para seus companheiros balançarem as redes, mesma marca de Lionel Messi e mais do que qualquer outro jogador do primeiro escalão do Velho Continente.

Dentro do elenco do Bayern, apenas o centroavante polonês Robert Lewandowski, favorito ao prêmio de melhor jogador do mundo neste ano, participou de mais jogadas que terminaram com a bola nas redes. Entre gols e assistências, o camisa 9 esteve envolvido em 63 ataques que terminaram com o placar sendo movimentado nos últimos 12 meses.

Müller, que marcou 14 vezes, teve atuação direta em 40 gols, sua melhor marca pessoal desde 2015/2016. A importância do jogador para que a máquina comandada pelo técnico Hans-Dieter Flick funcione devidamente ficou explícita na histórica goleada por 8 a 2 aplicada sobre o Barcelona, semana passada, pelas quartas de final da Champions.

No até então compromisso mais importante da temporada, Müller deu um show de técnica e inteligência para marcar, logo aos 4 minutos da etapa inicial, o primeiro gol da partida. O camisa 13 ainda fez o quarto gol do Bayern e deu a assistência para Philippe Coutinho anotar o sétimo tento bávaro. “Como tem um ótimo senso tático de jogo e é um jogador muito importante em campo, ele acaba sendo o braço direito do treinador. Ele comanda o time, lidera os companheiros e joga em um nível muito alto. Thomas é um jogador que faria bem a qualquer equipe”, disse Flick, responsável direto pela “ressurreição” do veterano.

Antes de o ex-auxiliar assumir o comando da equipe, no começo de novembro, Müller vinha sendo relegado com frequência ao banco de reservas. Agora, é peça fundamental no sucesso da equipe. A diretoria bávara percebeu essa transformação. Em abril, ofereceu um novo contrato ao jogador, que agora permanecerá ligado ao clube até junho de 2023, quando ele estará prestes a completar 34 anos.

Na prática, isso significa que o campeão mundial de 2014 pela seleção alemã tem boas chances de encerrar a carreira sem ter vestido outra camisa de clube e de nunca mais se sentir tentado a uma mudança para a China. A partida entre Bayern e Lyon define o adversário do Paris Saint-Germain na decisão desta temporada da Champions. A final está marcada para domingo e será disputada no estádio da Luz, casa do Benfica, em Lisboa, capital portuguesa.

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