Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, e um dos maiores defensores dos direitos humanos do país, morreu aos 92 anos, às 9h40 deste sábado (8), em Batatais (SP), para onde havia sido removido para tratamento médico devido a problemas respiratórios. Tinha mal de Parkinson há seis anos.
Num ano em que o Brasil já ficou 100 mil vezes menor por conta de uma doença estúpida, a morte de Pedro consegue deixar um vazio profundo.
Ele não era apenas um defensor da vida, mas a representação viva da resistência ao autoritarismo.
Nascido na Catalunha como Pere Casaldàliga, chegou ao Brasil em 1968. Desde então, subvertendo o Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículo 18, Pedro não foi apenas a pedra em torno do qual edificou-se uma igreja na Amazônia, mas a pedra no caminho dos planos da ditadura e de seus sócios na iniciativa privada de passar por cima dos direitos e da vida de camponeses, ribeirinhos, indígenas, quilombolas.
Enfrentou a ira e as ameaças de latifundiários no interior do Mato Grosso. Corajoso, D. Pedro jamais recuou. Seguiu com seu trabalho de organização dos trabalhadores do campo, papel desempenhado pela Pastoral da Terra, que ajudou a fundar na CNBB. Foi muito atuante também no Conselho Indigenista Missionário e nas comunidades eclesiais de base.
Um homem que dedicou a vida a defender os que não têm defesa, por isso chamado de Bispo dos Pobres. Fará muita falta. (Com informações do blog de Leonardo Sakamoto)
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