Performance dos copos de leite é aceno aos supremacistas brancos no Brasil

Por Luís Felipe Miguel

Parece bem estabelecido que a tal performance dos copos de leite foi uma piscadela para os grupos de supremacia branca no Brasil. Desde o começo do governo, Bolsonaro e seu círculo têm emitido esses sinais. Nos últimos tempos, eles têm se tornado mais frequentes.

É claro que ele não vai colocar uma suástica no seu gabinete no Planalto. Mas está cada vez mais dependente de uma base ultra-radicalizada à direita.

Ele precisa dessa base mobilizada, agressiva, de preferência armada, para ameaçar o país com desordem e violência caso ocorra o que cada vez mais se impõe como urgente: sua destituição da presidência.

O que espanta é a passividade com que soi-disant democratas, instalados no poderes da República, assistem a essa escalada.

Mas Bolsonaro é neonazista?

Tendo a crer que, em suas convicções, ele não passa de um oportunista autoritário, com inclinações racistas, misóginas e homofóbicas. Mas as conveniências o levam a namorar, para usar uma de suas metáforas preferidas, com grupos extremistas mais ideológicos, cuja vinculação com o neonazismo é mais ou menos explícita.

Esses grupos decodificam, entendem o gesto dos copos de leite. Para o restante do gado, que ainda não é capaz de assumir tal discurso, é fácil desconsiderar tal interpretação como fantasia malévola da esquerda.

E assim, pouco a pouco, o “mito” vai vestindo a fantasia de Führer tropical.

Um Führer farsesco, dirão alguns.

De minha parte, nunca gostei da famosa frase de Marx sobre a História que ocorre uma vez como tragédia, depois como farsa. Parece-me uma frase de efeito, circunstancial, que foi indevidamente alçada à condição de lei histórica. Uma lei apriorística, metafísica e idealista, em completo desacordo com o materialismo histórico que o próprio Marx fundou.

E, como nós estamos vendo, a farsa pode ser bem trágica para quem a sofre.

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