Moro reconhece que PT deu autonomia à PF e critica aparelhamento da polícia por Bolsonaro

Sergio Moro

No pronunciamento em que anuncia sua saída do ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, Sergio Moro paradoxalmente reconheceu a autonomia possibilitada pelo governo anterior, da ex-presidente Dilma Rousseff, às instituições responsáveis por investigações, como a Polícia Federal, assegurando assim o andamento da Lava Jato.

“Na Lava Jato, eu sempre tive um receio constante de uma intervenção do Executivo na Polícia Federal, como troca de superintendente. Mas isso não aconteceu e foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que os resultados fossem avançados”, afirmou, no início de sua fala, depois de lamentar o episódio de hoje, em meio à pandemia.

Em seguida, ressaltou que houve queda em índices de criminalidade e da corrupção, atribuindo isso à sua atuação, no passado, no comando da Lava Jato, e no governo. “Mudou o patamar de combate à corrupção no Brasil”. Contou então novamente a história do convite de Bolsonaro para que integrasse a equipe.

“Final de 2018 recebi convite do então presidente da República eleito Jair Bolsonaro, como já falei publicamente várias vezes, e fui convidado a ser ministro da Justiça e da Segurança Pública. O que foi conversado com o presidente foi que nós teríamos um compromisso com o combate à corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. Foi-me prometido carta branca para nomear todos os assessores desses órgãos e da própria Polícia Federal”, recordou.

Moro então passou a discorrer sobre a interferência de Bolsonaro no comando da PF. “Em todo esse período, tive apoio do presidente Jair Bolsonaro, em outros nem tanto. A partir do segundo semestre do ano passado, passou a haver uma insistência de trocar o comando da Polícia Federal”, relatou.

Na coletiva de imprensa desta sexta (24), confirmando seu pedido de demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro revelou que só fez uma “exigência” a Jair Bolsonaro em troca de largar a magistratura para ser ministro da Justiça do governo de extrema-direita: pensão para a família, “caso algo me acontecesse”. O ex-juiz não deixou claro se falava de atentado à sua vida ou demissão.

“Durante 22 anos eu trabalhei como juiz e contribui para a previdência. E perdi quando saí da magistratura. Eu pedi que se algo me acontecesse, que minha família não ficasse desamparada sem uma pensão. Foi a única condição que coloquei para assumir essa posição específica no ministério da Justiça”, revelou.

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