Covid-19 pode afetar campeonatos

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POR GERSON NOGUEIRA

A pandemia do novo coronavírus mata pessoas, espalha o caos na economia mundial e paralisa eventos de grande porte no mundo todo. Depois da suspensão da temporada da NBA e das rodadas iniciais das Eliminatórias, foi anunciada ontem a paralisação da Taça Libertadores.

A Conmebol suspendeu temporariamente a Libertadores depois que nove dos 10 países da América do Sul adotaram medidas restritivas a jogos de futebol. O único país que permanece permitindo jogos com portões abertos ainda é o Brasil, onde tudo, como se sabe, fica para depois.

Como a confederação costuma ir a reboque de decisões governamentais, preferiu esperar até ontem pelo posicionamento dos países do continente. Até quinta-feira da semana passada, apenas três países da América do Sul tinham adotado restrições a grandes eventos.

Ontem, porém, mais seis países oficializaram medidas de limitação a jogos de futebol. O rápido avanço dos índices de contaminação do Covid-19 deve fazer com que a CBF adote providências parecidas em relação ao Campeonato Brasileiro (todas as divisões), à Copa do Brasil e estaduais.

Os vizinhos agem com mais presteza e antecipação. O governo da Argentina baixou ordem para que todos os jogos da Superliga (campeonato nacional) sejam realizados com portões fechados. Determinou o mesmo procedimento para os grandes eventos esportivos. Postura igual foi adotada no Paraguai, no Equador e na Colômbia.

Já a CBF mantém o critério de esperar pelo Ministério da Saúde. “Existe a compreensão que, até este momento, não há motivo para nenhuma providência especial em relação ao calendário do futebol no país”, justificou a entidade em comunicado de dois dias atrás.

E aqui no Pará? Dirigentes de clubes, FPF e Ministério Público não se manifestam sobre a possibilidade real de adiamento de jogos ou medidas restritivas ao acesso de torcidas aos estádios. Nem mesmo uma reunião de pré-avaliação do cenário foi realizada entre os envolvidos com o Parazão 2020, o que pode levar a providências de afogadilho.

É compreensível que a dupla Re-Pa receie a perda de receita caso os jogos sejam realizados com portões fechados, mas a possibilidade existe e deveria ser analisada. Goiás determinou oficialmente que todos os jogos do campeonato estadual serão disputados com portões fechados.

O fato é que o risco de contaminação ainda é avaliado como “brando” pelo mundo do futebol no Brasil, o que não chega a surpreender, visto que a postura do próprio presidente da República segue essa linha. Nos últimos dias, ele minimizou os riscos à população, avaliando a pandemia como “fantasia da mídia” e “um pequeno problema”.

Com pandemias é desaconselhável postergar providências, principalmente pela mudança rápida de cenário quanto ao registro de casos da doença. O bom senso recomenda a prevenção, tanto sobre os riscos quanto ao possível impacto da doença nas diferentes áreas de atividade. Que o futebol paraense, através de seus gestores, não durma no ponto.

Blindagem para uns, má vontade com outros

O Santos faz campanha 100% na Libertadores e caminha para a classificação à próxima fase do Paulistão, mas o técnico Jesualdo Ferreira segue sob a mira implacável de corneteiros e da mídia paulista. Um tratamento que contrasta com a extrema boa vontade com que todos tratam o Corinthians, de Tiago Nunes, eliminado da Libertadores na primeira fase e capengando nas últimas posições do campeonato estadual. Mais que isso: praticando um futebol horroroso.

O que, afinal, determina blindagem para uns e bombardeio sobre outros? Nunes, ao que parece, ganhou esse habeas corpus preventivo porque o Corinthians como instituição é normalmente preservado pelos grandes veículos da mídia tradicional.

Há um quê de não-me-toques em relação ao clube mosqueteiro, coisa antiga. Com o Peixe, porém, não há trégua. Nem mesmo quando tinha o melhor ataque do mundo – Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. A economia, atrelada ao tamanho da torcida, pode explicar muita coisa dessa histórica desigualdade de tratamento.

Justiça entra em campo em defesa do torcedor

O projeto Esporte com Justiça, do Tribunal de Justiça, vai marcar presença no jogo Remo x Independente, pela 8ª rodada da fase inicial do Campeonato Paraense, amanhã (15h30), no estádio Evandro Almeida. Será a primeira atuação no Baenão. O projeto, de grande relevância para a paz nos estádios, realiza atendimentos a conflitos e inibe delitos em eventos esportivos de massa.  

Em fevereiro, a Coordenadoria dos Juizados Especiais solicitou o cumprimento, por parte de Remo e do PSC, de adequação técnica nos respectivos estádios. A portaria 2.761/2019, do Gabinete da Presidência do TJPA, autoriza atividades do Juizado Itinerante do Torcedor em jogos de grande presença de público nos estádios de Belém, não se restringindo apenas ao Mangueirão, como ocorria desde 2014.

A atuação do Juizado Itinerante no Baenão foi assegurada pela diretoria do Remo em reunião realizada no TJPA, no último dia 6 de março. O Baenão foi dado como apto para receber a unidade do Juizado do Torcedor depois de inspeção das secretarias de Engenharia e Informática do TJPA em fevereiro. Amanhã, a equipe será integrada por servidores do Juizado Especial Itinerante, coordenados pelo juiz Márcio Bittencourt.

O plantão é feito antes, durante e depois da partida, para atendimento das demandas. Entre as mais corriqueiras, estão queixas quanto ao preço de ingressos vendidos por cambistas e brigas entre gangues de torcedores.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 13)

3 comentários em “Covid-19 pode afetar campeonatos

  1. A pergunta é, como os clubes vão pagar salários sem a renda do jogo? Por que a maioria incluindo a dupla RexPa dependem muito da bilheteria. Realmente a situação aqui em Atlanta está ficando um caos, as escolas foram fechadas por duas semanas, ontem teve briga no supermercado, água e produtos de higienização como álcool gel, cloro etc… estão faltando a população parece muito assustada. O que nós restar e rezar a Deus, pedir sua misericórdia neste tempo da quaresma, hã muito que o homem se afastou de Deus, é ganância tomou conta da terra.

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  2. Essa situação do nosso futebol me lembra o enredo do filme Tubarão(Steven Spielberg), depois que o monstro destroça o corpo da primeira vítima e o delegado pede ao prefeito que adie o início da temporada de verão, pois há risco iminente à segurança dos veranistas. Óbvio que o prefeito ganancioso rejeita a proposta, minimiza os efeitos e o resto quase todo mundo já sabe, pois o filme foi visto por quase todo mundo.
    Tomara que a CBF não faça como o alcaide da fita e a pandemia não nos atinja como já atingiu mundo afora.

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  3. O problema é que a torcida já não se sente em segurança para ir aos jogos. Tanto remistas quanto bicolores fugiram de jogos importante no sábado e domingo. Isso torna paticamente inviável a continuidade do campeonato.

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