POR GERSON NOGUEIRA

O que pode se extrair de mais positivo na cruzada liderada pelos presidentes de PSC, Remo e Santa Cruz (PE), que levou à mudança de formato de disputa do Brasileiro da Série C, é a constatação de que uma mobilização bem organizada pode render vitórias aos clubes, mesmo que do outro lado da mesa esteja a Confederação Brasileira de Futebol e sua proverbial má vontade com os clubes do Norte.
Para surpresa de muitos, a assembleia de ontem à tarde, na sede da CBF, aprovou por ampla maioria (14 votos a 6) a adoção de uma nova fórmula de disputa da competição, depois de oito anos com a utilização do sistema de mata-mata para definição do acesso à Segunda Divisão.
A fase classificatória permanece inalterada, com 20 clubes divididos em dois grupos regionalizados de 10 clubes. A fase seguinte, porém, sofre significativa modificação, a partir da proposta elaborada e defendida pelos três clubes – PSC, Remo e Santa.
Agora, ao invés de confrontos em mata-mata, serão disputados dois quadrangulares (com jogos em ida e volta) para escolha dos quatro classificados. O formato privilegia a regularidade e reduz o risco de injustiças, algumas derivadas de erros graves de arbitragem, como no jogo entre Náutico e PSC, quando Leandro Vuaden deu um pênalti inexistente contra os bicolores.
Os dois primeiros de cada grupo sobem de divisão e decidem o título. Os segundos colocados também garantem o acesso. A composição dos quadrangulares vai entremear times das chaves A e B. A dupla Re-Pa reivindicava a não marcação de clássicos regionais para a penúltima e última rodada da primeira fase, mas a tabela já estava aprovada.
Apesar do favorecimento ao mérito técnico na definição do acesso, a reunião fez uma concessão perigosa quanto à capacidade dos estádios para a segunda fase. Ao contrário do que vigorava até 2019, praças com capacidade abaixo de 10 mil pessoas passam a sediar jogos. Há o sério risco de avacalhação do campeonato com jogos em campinhos de várzea, como já acontece na Copa do Brasil.
A força-tarefa montada por Papão, Leão e Coral pernambucano conquistou um feito expressivo: mexer na fórmula que a CBF mantinha desde 2012. Sinal de que outros benefícios podem ser alcançados, precisando para isso superar diferenças e deixar as vaidades de lado.
O próximo passo deve ser uma nova pressão coletiva para que a CBF se empenhe em viabilizar parceria com um canal de TV (aberta ou por assinatura) para a transmissão dos jogos, hoje o ponto crítico da competição, cuja baixa visibilidade gera sérios prejuízos aos clubes.
De repente, o Remo descobre que tem lateral
Os torcedores que foram ao Baenão domingo pela manhã se surpreenderam com a qualidade do futebol de Ronald, menino de 17 anos, que substituiu Ronaell na lateral esquerda do Remo. Foi um dos poucos a merecer aplausos ao final da difícil e conturbada atuação azulina conta o Carajás.
Ronald tem sido relacionado em partidas do Campeonato Estadual como atacante de lado, posição que abraçou nos últimos dois anos. Era lateral quando iniciou na base azulina, mas a velocidade e o talento para o drible determinaram a opção pelo ataque.
Sua aparição lembrou a do lateral-direito Rony, que foi lançado também numa situação emergencial pelo então técnico Eudes Pedro, na partida contra o Atlético-AC, no Baenão, e encantou a torcida.
Mas, ao contrário do ocorrido com Rony, que entrou em litígio com o Remo, Ronald deve ter um futuro auspicioso no clube. Tornou-se alternativa providencial para o técnico Mazola Jr. contra o Carajás e está cotado para entrar de cara no Re-Pa de domingo.
Ao lado de Hélio Borges, Wallace e Warley, Ronald integra a novíssima fornada de jogadores revelados pela base remista. Sua atuação no domingo deixou a forte impressão de que está prontinho para ocupar um lugar no time.
Jogo bruto é o recurso dos incompetentes
Com a cara de pau de sempre, Felipe Melo e Fagner deram desculpas esfarrapadas para tentar justificar as entradas criminosas que se transformaram em cartão de visitas de ambos. Os dois pontificam pela violência desmedida há muito tempo, beneficiando-se do fato de que a maioria dos árbitros não tem peito para aplicar a lei.
Felipe, como todo carniceiro, alega que sempre jogou assim e que a maneira dura de entrar nas jogadas não é desleal. Insiste que futebol é jogo de contato físico, confundido a disputa normal pela bola com pugilismo explícito.
Fagner usa a mesma ladainha. Diz que sempre usou um estilo mais duro (sem maldade, diz ele) como forma de compensar o físico mirrado e assim garantir o leite das crianças. Ora, se fosse verdade, alguns dos maiores craques de todos os tempos nem teriam tido oportunidade de jogar.
Pela tortuosa lógica defendida pelo lateral corintiano, Maradona, Tostão, Baggio, Zico, Iniesta, Romário, Paolo Rossi, Bebeto, Ronaldinho Gaúcho e Messi jamais se dariam bem em campo. Todos eram baixinhos e só brilharam (e brilham) em campo pela força do excepcional talento.
A questão é que os bons de bola gostam do jogo limpo, praticado dentro das regras. Não precisam apelar para o antijogo dando pontapés e sarrafadas de intimidação. Distribuir botinada é uma forma de trapaça contra os adversários e contra o próprio futebol.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 03)
Deixe uma resposta para George CarvalhoCancelar resposta