Riscos no caminho do Papão

POR GERSON NOGUEIRA

Muita gente considera decisivo o fator campo em jogos de definição de fases, turnos e títulos de competições. Há controvérsias. Algumas páginas gloriosas na história de PSC e Remo foram escritas com o inestimável apoio de suas torcidas. O estádio cheio, estilo caldeirão, costuma funcionar como suporte em determinadas circunstâncias, principalmente quando o time da casa é inferior tecnicamente e precisa de empurrão extra.

O PSC vive uma situação de equilíbrio técnico com o CRB, adversário de amanhã pela segunda fase da Copa do Brasil. O time alagoano passou por Belém, há duas semanas, enfrentando o Independente no estádio Evandro Almeida.

Acompanhei a partida, na jornada esportiva da Rádio Clube, e o sistema usado pelo técnico Marcelo Cabo (foto) se baseia na transição rápida da defesa ao ataque, pelos lados (com Erick) e pelo centro, com Rafael Longuine. O trabalho se complementa com a movimentação de Léo Gamalho, como pivô e atacante mais avançado, em toda a linha de ataque.

Resultado de imagem para Marcelo Cabo CRB

Hélio dos Anjos certamente sabe de tudo isso, acompanha de perto os times das Séries B e C. E deve ter vacina para conter a interessante dinâmica de jogo do CRB, que se fecha bem no meio-campo e tem uma defesa alta, liderada por Everton.

Como não creio em mudanças radicais no estilo de jogo do alvirrubro alagoano, é bem provável que utilize o mesmo expediente adotado com êxito contra o Independente. Explorou bem os erros de passe do adversário para se impor e tomar conta do jogo.

O ponto fraco mais evidente da equipe foi a queda de rendimento no segundo tempo, com o recuo excessivo dos homens de meio-campo e uma ausência de pegada ofensiva, notada a partir dos 15 minutos do 2º tempo.

Ao Papão, cuja equipe ainda não está oficialmente definida, cabe controlar as saídas e caprichar nos passes, a fim de não permitir que o visitante se sinta confortável. Nada que os manuais já não ensinem.

Depois de Honda, Fogão sonha com Yaya Touré

O Botafogo se movimenta para contratar Yaya Touré. Mobiliza grandes parceiros para viabilizar a contratação do veterano meio-campista marfinense, que teve sucesso no futebol europeu (Manchester City, Barcelona) e hoje joga na China.

Vi Touré jogar na Copa de 2010, na África do Sul, absoluto no meio-campo, distribuindo jogo e apoiando. Não se sabe como está atualmente, mas no futebol brasileiro ainda tem plenas condições de fazer bonito.  

As contratações que o Flamengo fez repatriando com sucesso Rafinha e Filipe Luís de certa forma avalizam as tentativas alvinegras de montar um time a partir dos experientes Honda (33) e Touré (36). Seedorf também veio com 36 e foi o principal jogador do país entre 2012 e 2013.

Curiosamente, como o Botafogo é o clube buscando tais reforços, parte da mídia esportiva, principalmente a de São Paulo, cai matando. Acham que é incompatível com as finanças do clube, ignorando que a contratação de nomes conhecidos é uma estratégia para captar parceiros.

O Botafogo é o primeiro clube brasileiro a se credenciar em busca do modelo clube-empresa. O processo ainda é incipiente, mas é necessário estar pronto quando for aprovado e implementado no país.  

Fair Play pode abrir caixas-pretas da bola

Na sexta-feira, o Manchester City foi banido de duas edições da Liga dos Campeões por falsear o valor dos seus patrocínios nas suas contas. A manobra é punida pelo Fair Play da Uefa para coibir a entrada ilimitada (e ilegal) de dinheiro nos clubes.

No Brasil, se o Fair Play financeiro em elaboração pela CBF for de fato aprovado, pode travar maracutaias corriqueiras nos dias atuais, com muita grana de origem duvidosa bancando alguns projetos mirabolantes.

O Fair Play foi criado para dar solidez financeira e permitir equilíbrio entre os clubes da Europa. No Brasil, a CBF promete lançar o Fair Play em 2020, inicialmente com punições brandas. O regulamento ainda está em discussão e pode ser anunciado em fevereiro. Até agora, nada.  

Um item fundamental é a limitação de investimentos das empresas nos clubes. Segundo consultores especializados, negociatas permitidas hoje (como a importação de jogadores) seriam mais vigiadas. A conferir.

Caso Marega: racismo não é opinião, é crime

O incidente vergonhoso e inaceitável visto no campeonato português, com hostilidades e hinos racistas contra o atacante malinês Moussa Marega, do FC Porto, recoloca o tema na pauta de todos os desportistas do mundo, visto que o futebol não pode ser desvinculado do processo civilizatório.

A vigorosa reação de Marega, que começou a escutar insultos desde o momento do aquecimento, foi na exata medida do desrespeito e da falta de escrúpulos de parte da plateia presente ao estádio do Vitória de Guimarães. Normal também que, no Instagram, tenha mandado os brutos àquele lugar.

Torcidas europeias têm extrapolado todos os limites, com frequentes atos discriminatórios, principalmente na Itália e no Leste Europeu. Portugal parecia fora desse mapa odioso, mas o que se viu domingo revela que existem bolsões racistas em toda parte, estimulados pelo crescimento de partidos de extrema-direita mundo afora.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 18)

Um comentário em “Riscos no caminho do Papão

  1. Se fosse nos anos 70, era contratar o Luiz Chevrolet, o Beto Fuscão e o Rubens Galaxy.
    Brincadeiras à parte, é super válido dar essa sacodida.

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