Advogado da Human Rights considera “absurda” ação contra Glenn

O advogado Augusto de Arruda Botelho, fundador do Instituto Direito de Defesa (IDDD) e conselheiro da Human Rights Watch, criticou a ação do procurador do Wellington Oliveira, pró-Moro, contra o jornalista Glenn Greenwald. Para ele, a denúncia apresentada pelo MPF é “absurda” e deve ser rechaçada. “Eu não costumo me manifestar sobre questões jurídicas sem ler o tema. Agora já li a denúncia contra o Glenn Greenwald, posso afirmar com todas as letras: É UM ABSURDO”, disse Botelho.

O advogado ainda declarou que repudiar a ação é um “dever cívico” de toda pessoa que se reconhece como democrata. “Toda pessoa que se diz democrata, seja de esquerda, centro, o que for, tem o dever cívico de repudiar esse ato”, afirmou.

Pelas redes sociais, diversas figuras da cena política criticaram a atuação do MP no episódio. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saiu em defesa de Glenn e disse que “jornalismo não é crime”. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff também criticaram Oliveira e disseram que houve um atentado contra a liberdade de imprensa.

Posição do The Intercept

Em nota publicada nesta tarde, o The Intercept considerou que o MP adotou um papel “claramente político” e denunciou uma tentativa de cerceamento de liberdade de expressão. “Nós do Intercept vemos nessa ação uma tentativa de criminalizar não somente o nosso trabalho, mas de todo o jornalismo brasileiro. Não existe democracia sem jornalismo crítico e livre. A sociedade brasileira não pode aceitar abusos de poder como esse”, disse o veículo.

Líderes políticos criticam MPF

A notícia de que o Ministério Público Federal (MPF) havia apresentado denúncia contra o cofundador do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, pegou congressistas de surpresa nesta terça-feira (21). Mesmo ser investigado, o MPF alegou a suposta ligação do jornalista com hackers que invadiram o celulares de diversas autoridades, entre elas o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Em pouco tempo, as redes foram inundadas por comentários sobre o assunto.

“Essa denúncia do MPF em Brasília não atinge só o Glenn Greenwald. Agride frontalmente a liberdade de imprensa. Um absurdo a mais nesse enredo de abusos autoritários. Nosso repúdio!”, declarou o vice-líder do PCdoB, deputado federal, Márcio Jerry (MA).

Manuela d’Ávila (PCdoB), candidata a vice na chapa com Fernando Haddad (PT) nas eleições de 2018, cujo nome chegou a ser envolvido no escândalo que culminou na prisão dos supostos hackers, aproveitou as redes sociais para externar seu apoio. “Minha total solidariedade ao jornalista Gleen Greenwald diante da denúncia do MPF. A Polícia Federal, após longa investigação, declarou que Glenn não cometeu nenhum crime e que agiu com muita cautela. Estamos diante de um forte ataque à liberdade de imprensa!”

Também em solidariedade ao jornalismo americano, o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, chegou a afirmar que a acusação feria os preceitos básicos da profissão. “A denúncia contra Glenn Greenwald é um atentado à liberdade de expressão e ao direito ao sigilo da fonte. A Justiça deveria se preocupar com um juiz que cometeu crimes ao investigar adversários políticos, não em perseguir jornalistas. Nossa solidariedade a Glenn Greenwald”.

Presidenciável, Ciro Gomes (PDT) considerou estapafúrdia a decisão do MPF e reforçou a importância do jornalismo para garantir a democracia. “Sem pé nem cabeça esta denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald. O jornalismo é tarefa essencial à democracia e às liberdades individuais e públicas. O que Glenn fez foi o mais genuíno jornalismo”, defendeu.

Deputada federal eleita pelo PT-DF, Érika Kokay disse que o caso é uma clara perseguição ao trabalho desenvolvido pelo Intercept. “Em ato de perseguição, MPF denuncia Glenn Greenwald e mais seis por ‘invasão de celulares de autoridades’. Trata-se de uma absurda tentativa de intimidação do trabalho jornalístico do The Intercept Brasil, que revelou ao Brasil e ao mundo os crimes da Lava Jato!”, comentou.

Também petista, deputado Rogério Correia (MG) mencionou a proximidade entre o promotor responsável pela denuncia Glenn Greenwald e Sérgio Moro. “Wellington Divino, o procurador que assina a denúncia, é aliado de Moro, persegue o ex-presidente Lula há anos e, ultimamente, também o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz”.

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