Artilheiros improváveis

POR GERSON NOGUEIRA

Os dois principais anotadores de Remo e PSC na década perdida (2010 a 2019) não são atacantes de ofício. Pikachu, ala direito, marcou 64 gols com a camisa bicolor. Eduardo Ramos, meia-armador azulino, balançou as redes 33 vezes. Sem diminuir o mérito de ambos, notadamente o de Pikachu, a ausência de atacantes no topo do ranking é sintomática da crise de qualidade que rondou os dois velhos rivais na linha de ataque.

Isso também permite entender as dificuldades que os times encontraram para chegar conquistar as principais competições disputadas, embora tenham contado com bons especialistas ao longo dos dez anos.

Levantamento feito pelo pesquisador Jorginho Neves mostra que Yago Pikachu foi soberano entre os goleadores paraenses na década, com 64 gols. Só Rafael Oliveira chegou perto de sua marca, tendo assinalado 50 gols. Bergson ficou em 3º lugar, com 28 gols. Leandro Cearense foi o 4º artilheiro, com 25, à frente de Héliton (24), Bruno Rangel (21), Cassiano e Lima (20) no bloco principal.

Com menor destaque, aparecem Bruno Veiga e Djalma (17), Moisés (15), Betinho e Mendes (14); Kiros, Nicolas, Sandro Goiano e Tiago Potiguar (13), Zé Augusto (12); Dennis, Jonathan e João Neto (11); Celsinho, Mike e Pablo (10).

No front leonino, o meia Eduardo Ramos, com 33 gols, liderou a artilharia, o que explica o sucesso dele junto aos torcedores. Val Barreto foi o vice, com 30 gols, seguido por Leandro Cearense (21), Jayme (19), Ratinho (18), Marciano (17), Fábio Oliveira (16), Marlon (15), Vélber (12), Rafael Paty e Reis (11), Ciro, Edgar, Gabriel Lima, Héliton e Isac (10).

Cabe observar que alguns jogadores se destacaram com as duas camisas. Leandro Cearense, por exemplo, seria o terceiro artilheiro do ranking misto, com 46 gols. Héliton fica na quarta posição, com 34 gols marcados vestindo as duas camisas. Aliás, os números fazem justiça a Cearense e Héliton, meio esquecidos pelos torcedores, principalmente o segundo.

As estatísticas permitem reflexões sobre o aproveitamento do talento local pelos nossos clubes. Entre os maiores goleadores do PSC, os importados (14) superam os nativos (10). No Remo, há um equilíbrio maior: 7 nativos e 9 forasteiros. No geral, porém, há um predomínio de artilheiros regionais – Pikachu, Rafael, Cearense e Héliton, três deles saídos das divisões de base da dupla Re-Pa, o que é muito positivo.

Ao todo, o Papão realizou 583 jogos, média de 58,3 jogos por ano. Foram 254 vitórias, 169 empates e 160 derrotas, com 893 gols marcados (média de 1,53 por jogo) e 649 sofridos. Uma curiosidade: os bicolores tiveram 13 gols contra em seu favor.

Já o Leão, que deixou de participar do Brasileiro por quatro anos, jogou 418 vezes na década (165 a menos que o rival), com média de 41,8 jogos por temporada. Foram 213 vitórias, 115 empates e 90 derrotas, com 709 gols marcados (média de 1,69 por jogo) e 439 sofridos. O Remo teve nove gols contra em seu favor.

Na lista dos técnicos mais longevos do PSC, a coluna de ontem omitiu o nome de Marcelo Chamusca, que comandou o time por 33 jogos.

Em breve, a pedidos dos leitores, a coluna publicará a pesquisa de Jorginho Neves sobre contratações da dupla Re-Pa na década.

Uma tragédia impune revivida a cada dia

Muita gente tem falado, contra e a favor, da posição do Flamengo em relação aos 10 garotos (que tinham entre 14 e 16 anos de idade) vitimados pelo incêndio no Ninho do Urubu. As críticas se acentuam, inevitavelmente, em função das notícias sobre a dinheirama que o clube mobiliza semanalmente nas contratações de novos craques e renovações de contratos.

Com o quarteto (Gustavo Henrique, Pedro Rocha, Michael e Tiago Maia) anunciado nos últimos dias, o Flamengo torrou cerca de R$ 68 milhões, sendo R$ 35 milhões somente com o atacante Michael.

O MP do Rio de Janeiro sugeriu indenização de R$ 2 milhões por família de vítima da tragédia, com pensão de R$ 10 mil até que os meninos atingissem 45 anos. A situação se deteriorou dias depois com um recurso apresentado pelo Flamengo, pechinchando o valor da indenização.

Piorou ainda mais quando a diretoria o clube negociou em separado com metade das famílias, isolando as demais para enfraquecer a ação coletiva. Fechou acordos considerados aviltantes por especialistas em situações do gênero. Houve até, segundo relatam jornais do Rio, acerto com uma banda de família – o pai de um casal separado judicialmente.

Além do constante anúncio de contratações caras e busca de novos reforços (como o centroavante Pedro), há a propalada receita orçamentária de R$ 700 milhões para 2020, cenários que só ampliam a nódoa institucional em torno do triste destino dos garotos que estavam sob a responsabilidade do clube.

No fim de semana, surgiu a informação de que o clube vai embolsar R$ 136 milhões pela negociação do atacante Reinier, de 17 anos, com o Real Madri. Contratos de patrocínio têm sido celebrados. Uma ínfima parte dessa grana serviria para solucionar a pendência, aliviar o sofrimento das famílias e recuperar a imagem do clube.  

E é bobagem imaginar que todos irão esquecer o papelão do Flamengo no caso, por iniciativa da atual diretoria, marcada por outros gestos mesquinhos. Exemplo: quase descumpriu acordo firmado com o elenco para destinar parte da premiação da Libertadores aos funcionários, depois de perceber que o valor individual poderia chegar a R$ 400 mil.

Justiça vai acompanhar a abertura do Parazão

O Tribunal de Justiça do Pará anunciou ontem que o elogiado Projeto Esporte com Justiça marcará presença no jogo Remo x Tapajós, que abre o Campeonato Estadual no próximo domingo, 19, no estádio Jornalista Edgar Proença. A iniciativa visa garantir medidas de pacificação em eventos esportivos de grande concentração popular.

Equipe formada por servidores do Juizado Especial Itinerante, coordenada pelo juiz Silvio César Maria, estará de plantão para o atendimento das demandas. Entre as ocorrências mais comuns estão casos de venda de ingressos acima do preço, brigas e atos de vandalismo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 14)

Um comentário em “Artilheiros improváveis

  1. Show de bola as estatísticas dos goleadores da década perdida. Alguém sabe por anda o Héliton? Uma figura curiosa na lista bicolor é o Kiros, atacante alto e que veio do Porto de Caruaru. Ele foi apelidado na época, com o típico exagero local, de Kiroslav Klose, em referência ao atacante germânico. Do lado azulino, eu tinha a impressão que o artilheiro interplanetário Marciano tinha feito mais gols.

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