Um Leão à moda gaúcha

POR GERSON NOGUEIRA

Com as dificuldades naturais de tentar concorrer com clubes de Série B e até de Primeira Divisão na busca por reforços, o Remo tenta avançar nas negociações para completar o elenco de 30 jogadores previsto pelo técnico Rafael Jaques. No momento, o clube tem um grupo de 22 jogadores, incluindo egressos da base – Vítor (goleiro), Pingo e Lailson (volantes), Hélio e Wallace (atacantes).

A batalha pelos jogadores mapeados dentro do perfil buscado pelo clube começou há um mês, depois que o executivo Carlos Kila foi confirmado. Nas últimas semanas, a busca ganhou o reforço do técnico Rafael Jaques. Pela experiência de ambos com o futebol sulista, há uma forte tendência por jogadores da região.

Robinho, meia-atacante do Operário (PR), é um dos nomes pretendidos pelo Remo. A negociação está praticamente concluída e o anúncio deve sair junto com a apresentação marcada para o começo da próxima semana.

Dudu Mandai, lateral-esquerdo que jogou pelo São José sob o comando de Jaques, foi um dos primeiros reforços anunciados. Everton Junior era outro sonho de consumo para o ataque, mas não chegou a um acordo e fechou com outra equipe.

Gelson, atacante do Operário (PR), é outra aquisição encaminhada pelos azulinos, embora com problemas envolvendo a liberação do jogador, que disputou a Série B. Para fechar com o Remo o jogador talvez precise antes renovar contrato com o clube paranaense.

Quanto a Giovanni (foto), a diretoria não confirma, mas o acerto entre clube e atleta já está sacramentado. Depende apenas da liberação pelo Pelotas (RS). Aos 25 anos, o atacante interessava a outros clubes, mas o interesse do Leão acabou prevalecendo.

Outros atletas conversam com o executivo Kila e podem fechar nos próximos dias. O certo é que o plantel a se apresentar na segunda-feira, 9, só ficará completo ao final do mês, pois alguns dos contratados acabaram de sair da disputa da Série B e aproveitam o recesso para descansar.  

Apesar da presença de vários jogadores da base, o time que será preparado para estrear no campeonato estadual em janeiro deve ter uma forte presença de jogadores oriundos do Paraná e Rio Grande do Sul. Nas entrevistas que concedeu, o técnico deixou claro que há uma preocupação com as exigências técnicas e climáticas do Parazão.

Por esse motivo, é bom a torcida ir se acostumando: jogadores de força e bom porte físico devem predominar na primeira versão do Leão sob o comando de Jaques.

Palmeiras quer mudar o idioma de comando

Em meio às especulações sobre o técnico que o Palmeiras vai escolher para comandar seu milionário elenco, depois da demissão de Mano Menezes, alguns nomes são citados com insistência. Jorge Sampaoli é o grande favorito, citado diariamente pela mídia paulistana.

Além do colombiano Juan Carlos Osorio, mencionado como alternativa a Sampaoli, os dirigentes falam até em Marcelo Gallardo, do River Plate, que é hoje visto como o principal técnico sul-americano. Ontem, entrou na dança o ex-lateral paraguaio Chiqui Arce, que dirige o Nacional-PAR.

Como se vê, o ponto básico e inegociável é que o novo comandante tem que vir do exterior. Reflexo direto do êxito de Jorge Jesus no Flamengo.

Fla questiona indenização para vítimas de incêndio

A notícia não teve a mesma ressonância midiática das grandes conquistas rubro-negras, mas é tão importante quanto. A Justiça condenou o Flamengo a pagar pensão de R$ 10 mil mensais às famílias dos 10 jovens da base que morreram na tragédia no Ninho do Urubu, em fevereiro.

A ação foi movida pela Defensoria Pública e Ministério Público do Rio de Janeiro. A diretoria do Flamengo já recorreu, questionando o que considera um valor muito alto das indenizações.

Um cálculo rápido mostra que o clube arrecada hoje R$ 700 milhões por ano, o que dá R$ 58,3 milhões mensais. A quantia a ser gasta com as famílias é de R$ 100 mil, exatos 0,0017%.

O brado consciente de um jovem boleiro da periferia

“Saí da favela, mas não posso me dar ao luxo de ficar alienado enquanto matam negros e pobres”. Enfim, uma voz consciente e articulada quebrou ontem o constrangedor silêncio de boleiros brasileiros a respeito do extermínio de jovens pobres e negros, na grande maioria, na periferia das duas maiores cidades do país em meio às guerras de repressão ao narcotráfico. A declaração acima é de Lucas Santos, 20 anos, destaque na Copa SP de 2017 pelo Vasco e hoje no CSKA Moscou.  

Apesar das vantagens que a ascensão profissional lhe garante, Lucas segue atento à dura realidade do lugar de onde saiu no Rio. Morava na favela Para-Pedro, em Irajá, zona norte do Rio. Amigo do mototaxista Kelvin Cavalcante, 17 anos, morto a tiros durante batida policial quando cortava cabelo numa barbearia policial. A brutal morte do amigo revoltou Lucas, que hoje mora em ambiente seguro e tranquilo na capital russa.
Ao El País, ele disse que morrem cada vez mais pessoas negras e pobres na periferia. “Cada vez mais o Rio é um lugar medonho para se viver, apesar das belezas naturais”, afirmou corajosamente Lucas, que ataca o “espírito genocida” da política de repressão do governo fluminense. 

Coisa rara entre desportistas brasileiros, Lucas abre o coração em relação ao que considera uma política discriminatória e seletiva. “Nenhuma pessoa deve comemorar a morte de um ser humano, independentemente do que estivesse fazendo. Entendo que é preciso ser duro com a criminalidade e o tráfico, mas não consigo ficar feliz com o assassinato de alguém. Quem deveria proteger, na verdade, está matando muitos de nós”. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 06)

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