Com atraso, Fifa pune o ex-chefão

POR GERSON NOGUEIRA

“O Ricardo Teixeira é filho de João Havelange. Existe uma dinastia no futebol. Ele é Ramsés II. Ricardo Teixeira é um dos que ficaram com a riqueza do futebol. Ele, Eduardo Farah, J. Hawilla… Enquanto isso, os clubes ficam cada vez mais perto da falência”, dizia o ex-jogador Sócrates, pioneiro em críticas ao sucessor de Havelange no comando do futebol brasileiro e herdeiro de todas as maracutaias armadas pelo ex-Rei Sol.

Lembrei essa frase do Doutor diante da notícia de que a Fifa baniu Teixeira do futebol profissional, depois da análise e julgamento das acusações quanto à fortuna que juntou graças em propinas recebida pelo então presidente da CBF durante a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014.

A devassa nos papéis que comprometem Teixeira foi feita por uma equipe independente do conselho de ética ligado à Fifa. Ele era investigado por um super propinoduto que funcionou a todo vapor no período de 2006 a 2012. Teixeira exercia ativo papel junto às empresas que atuariam com mídia e direitos de imagem de eventos da CBF, Conmebol e Concacaf.

O livro “O Delator” (Ed. Record, 2018), dos jornalistas Allan de Abreu e Carlos Petrocilo, desnuda as rapinagens de Teixeira e cúmplices, entre os quais o falecido J. Hawilla, o multifacetado personagem central da obra.

Pela riqueza de documentos consultados pelos repórteres, os auditores da Fifa só precisariam ler o livro para descobrir o tamanho do lamaçal que envolve a CBF e suas ramificações no continente, sob o manto protetor de Havelange e seu sucessor, Ricardo Teixeira.

A decisão, anunciada na sexta-feira pela Fifa, não surpreendeu ninguém, mas revela que Teixeira agiu contra o artigo 27 do código de ética da entidade, que trata da prática de propina. A sanção é o banimento por toda a vida de qualquer atividade ligada ao mundo do futebol.

Inclui questões de campo, mas passa pela parte administrativa, tanto no Brasil como no exterior. O ponto mais importante é a multa de 1 milhão de francos suíços – cerca de R$ 4,7 milhões.

Teixeira, que vive tranquila e nababescamente no interior do Rio de Janeiro, sem jamais ter sido incomodado pela Justiça brasileira, foi notificado oficialmente da dura decisão, que ratifica todas as incontáveis denúncias contra o ex-genro de Havelange.

É improvável que lamente alguma coisa. Seu maior medo era ser preso pela Justiça norte-americana, que costuma prender e jogar as chaves fora. Para um sujeito blindado no Brasil da impunidade, a sentença da Fifa soa como leve brisa.

Formato mais enxuto pode deixar Parazão interessante

A diminuição do número de datas a serem utilizadas (13) torna o Campeonato Estadual de 2020 desde já um dos mais curtos da história recente. O formato contempla os interesses da dupla Re-Pa, mas pode ter apenas um clássico, na 1ª fase, quando todos jogam contra todos.

De minha parte, preferia que fosse mantido o sistema anterior, com jogos entre dois grupos de cinco, com semifinais e finais em um confronto só. Fases finais em dois jogos constituem desperdício de tempo e dinheiro.

O lado ruim da história é a bagunça habitual na montagem da tabela. O Re-Pa, por exemplo, marcado inicialmente para a quarta rodada, não tem data certa para acontecer. Será disputado na sétima ou oitava, num flagrante desrespeito ao torcedor.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h30, depois do jogo da NBA, na RBATV. As mudanças na forma de disputa do Parazão e a montagem dos elencos da dupla Re-Pa para a próxima temporada. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

Projeto de clube-empresa pode revolucionar o futebol no Brasil

A possível aprovação do projeto de lei 5.08216, que estabelece condições para que clubes de futebol, federações e ligas se transformem em sociedades anônimas (S/A), com ações negociadas em bolsas de valores, é vista por especialistas como uma verdadeira revolução no futebol brasileiro, capaz de superar as mudanças impostas pela Lei Pelé, em 1998.

O PL pode entrar em vigor já a partir de 2020, com práticas e procedimentos que irão exigir dos clubes uma profissionalização sem precedentes na história do futebol no país.

O texto do projeto perpassa diversos temas, como novo regime tributário para clubes, imposição de ratings e criação de regras para a recuperação judicial. Caso seja aprovado no Congresso Nacional, o Brasil passará a ter a mais moderna legislação de clube-empresa do mundo, o que não garante muita coisa, visto que o que realmente importa é a implementação.

Na próxima semana, o Projeto de Lei Nº 5.082/16, que incentiva a criação da via societária e adoção de mecanismos de governança nos clubes brasileiros, será apresentado no Senado pelo relator, o ex-atacante e senador Romário (Podemos-RJ). Depois da aprovação, o PL precisará ser sancionado pelo presidente da República.

Desde a aprovação da Lei Pelé, os clubes precisam elaborar suas demonstrações contábeis e ser auditados por firmas independentes, responsáveis por analisar as informações patrimoniais e financeiras da organização, assim como o desempenho de operações e fluxo de caixa.

Com as propostas do PL, muda o sistema de refinanciamento de dívidas, do pagamento de salário e até da venda dos jogadores para clubes estrangeiros. Para os especialistas, o projeto traz segurança, governança e transparência, além de atrair novos investidores para o mercado.

O problema é que a migração do sistema atual para o de S.A. vai mexer com velhos feudos e a vaidade que costuma acometer dirigentes de futebol no país. Com executivos profissionais, a gestão sai da mão dos cartolas, o que pode ser um processo extremamente doloroso para as castas que dominam os clubes. A conferir.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 01)

2 comentários em “Com atraso, Fifa pune o ex-chefão

  1. A punição “brisa leve” de banimento imposta pela FIFA à Ricardo Teixeira, se assemelha no Brasil às condenações em regime semi-aberto, em domicilio ou em instalação especial da PM ou PF. Autênticos prêmios, e reconhecimento tácito de que o crime continuará a compensar !!

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