Tempo curto para ajustes

POR GERSON NOGUEIRA

Os seis dias que faltam para a primeira partida da decisão da Copa Verde contra o Cuiabá devem ser dedicados a muito treinamento, avaliação e correção de problemas no PSC. Os amistosos contra Tuna e Sport foram oportunos por escancarar vulnerabilidades perigosas, principalmente quanto à marcação e posicionamento dos defensores.

Contra a Tuna, no domingo passado, apesar do placar favorável, o time teve dificuldades no primeiro tempo. Isso contra um time tecnicamente modesto e desmotivado pela eliminação na Segundinha.

Diante do Sport, a situação ficou mais clara ainda. Desde o começo, a defesa e o meio bateram cabeça para deter a rápida troca de passes entre jogadores rubro-negros. O gol de abertura nasceu de uma desatenção no lado esquerdo da zaga. Não custa lembrar que o Cuiabá tem como ponto forte as jogadas em velocidade.

De início, ficou a impressão de que a falha no primeiro gol do Sport tinha sido fortuita. Não foi. Minutos depois, o Belém marcou pela segunda vez, em lance ainda mais denunciador da baixa vigilância à frente da área.

Não se trata de apontar problemas apenas na marcação à frente dos zagueiros. As falhas são sistêmicas, envolvem também a recomposição por parte dos homens de frente, que não aconteceu na frequência adequada.

Outro ponto inquietante é que o Sport comandou a marcha da contagem. Sofreu o segundo empate já na etapa final, quando já era visível a pressa dos bicolores em chegar ao gol, o que comprometeu muito a criação de jogadas. Nem bem se estabeleceu o 2 a 2 no placar, o Sport saiu em contra-ataque de almanaque e marcou o 3º.

No lance, o jogador Edcleber só fez partir com a bola dominada, protegendo e correndo mais que os zagueiros Micael e Vítor Oliveira. Pesados e lentos, ambos não conseguiram conter o avanço e evitar o chute.

É claro que os amistosos devem ser observados sob a perspectiva de treinamento, programados para que o técnico possa justamente aferir o nível atual do time. Hélio dos Anjos chegou a argumentar que a falta de concentração em alguns momentos é própria de jogos não oficiais.

Ocorre que, no 2º tempo, o PSC mostrou-se inteiramente concentrado e focado em tentar em derrotar o ousado Belém. Apesar disso, não conseguiu em nenhum momento ser superior ao sparring. Ficou devendo e expôs falhas que não combinam com a longa invencibilidade de 23 jogos. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Garoto da Vila supera projeto de craque rubro-negro

Assim meio de repente, sem muito alarde e com muito menos badalação midiática que Vinícius Jr., o ex-santista Rodrygo começa a conquistar a exigente torcida do Real Madrid aproveitando todas as chances que Zidane tem lhe concedido no time principal.

Quando o contratou, a ideia do Real era ir cuidando de sua evolução aos poucos, em muita pressa. Projeto mais ou menos parecido com o que foi pensado para Vinícius, que chegou cercado de muito mais cartaz.

Pois em 43 dias, Rodrygo fez mais do que Vinícius em seu primeiro ano no clube. Dois meses depois da estreia oficial com gol contra o Osasuna, em setembro, o menino da Vila fez um hat-trick na goleada (6 a 0) sobre o Galatasaray, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Em todo o ano passado, Vinícius marcou quatro vezes. Neste ano, sob o comando de Zidane, não tem sido relacionado para o time principal.

Rodrygo tem ainda o mérito, raro entre boleiros brasileiros, de conceder entrevistas em espanhol fluente, respondendo de maneira inteligente e clara. Outro diferencial em relação a Vinícius, até pouco endeusado como nova grande promessa de craque surgido na Gávea.

Mídia paulistana segue passando pano para arbitragem

Durante os anos 70 e 80, virou lugar-comum chamar parcela da mídia esportiva do Rio de Janeiro pela denominação Flapress pela coincidência de abordagens positivas ao clube mais popular do país. Isso se perpetuou e até ganhou amplitude na era Globo e influenciou exemplos em outros Estados, alguns com postura até mais evidenciada.

O Palmeiras, desde o ano passado, quando conquistou o Brasileiro com o pé nas costas e vários erros favoráveis por parte da arbitragem, conseguiu neste ano superar até o notório beneficiado Corinthians.

Anteontem, contra o Vasco, o árbitro Rafael Traci – que já havia operado o Botafogo diante do Cruzeiro há duas rodadas – deixou de marcar falta do atacante Luís Adriano no lance do gol da vitória palmeirense, além de ignorar uma bola que bateu na mão de um beque alviverde dentro da área.

Cabe observar que, na rodada anterior, o Ceará foi vitimado por uma arbitragem desastrosa na arena palmeirense, em São Paulo, com um gol ridiculamente invalidado na etapa final.

Engraçada foi a reação do presidente palmeirense Galliote, um radical crítico das arbitragens até umas 10 rodadas atrás. Segundo ele, não houve lance polêmico e nem favorecimento ao Verdão. Ainda teve a coragem de elogiar (a sério) a atrapalhada atuação de Traci.

O Corinthians merece um capítulo à parte na vitória sobre o Fortaleza na Arena Itaquera. O triunfo, que mantém o Timão na briga por uma vaga na Libertadores, foi saudada pelos analistas de todos os canais esportivos de S. Paulo, como se nada de estranho tivesse acontecido. Nenhuma crítica aos dois indecentes penais que mudariam por completo a cara do jogo.

Uma das jogadas faltosas – cabeceio dentro da área que tocou na mão de um defensor corintiano – lembrou o penal cometido por Bruno Collaço e não marcado por Dewson Freitas no Re-Pa da semifinal da Copa Verde.  

Rogério Ceni foi ferino: “Temos que valorizar o trabalho das pessoas do VAR que trabalharam hoje. Todos os lances de toque de mão foram avaliados, o árbitro foi lá olhar, tudo certo. Parabéns. Nada a reclamar diante de tanta ajuda que o VAR tem nos dado ao longo do campeonato”.

Enquanto isso, com aquele riso amarelo, analistas ficaram passando o pano, como se Ceni estivesse apenas esperneando sem motivo. Mas o técnico do Tricolor cearense tinha, sim, motivos de sobra para esculachar a arbitragem de Caio Max Augusto Vieira.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 08)

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