Brasa brilha na noite da Curuzu

POR GERSON NOGUEIRA

No último amistoso de preparação do Papão para a decisão da Copa Verde, com a Curuzu cheia, em noite de portões abertos, brilhou o futebol rápido e ofensivo do Sport Belém. A lógica das coisas indicava que o cenário favorecia uma grande apresentação do time de Hélio dos Anjos, mas os oito mil torcedores presentes foram surpreendidos pela boa performance do modesto Brasa, que disputa a Segundinha de acesso ao Parazão 2020.

O Papão começou bem à vontade, tocando a bola sem muita pressa, como quem sabe que vai resolver as coisas a qualquer momento. Chegou duas vezes: Tiago Luís cobrando falta e de Bruno Collaço arrematando de fora da área para boa defesa do goleiro Ângelo. Perema saiu logo aos 2 minutos com dores na perna – foi substituído por Vítor Oliveira.

A mudança parece ter afetado a defesa e o Sport soube se aproveitar disso. Aos 13 minutos, em lance rápido iniciado pelo meia Bruninho a bola foi lançada na área e tocou no braço do zagueiro Micael. Pênalti. Pecel cobrou e abriu o placar.

Desafiado pelo visitante abusado, o PSC pressionou e chegou ao empate aos 18’. Depois de escanteio, Caíque Oliveira finalizou de calcanhar. Como a provar que não estava a passeio, o rubro-negro voltou a buscar o gol e chegou ao desempate logo aos 26’, com Railson batendo da entrada da área, num cochilo da dupla de zaga alviceleste.

Mesmo martelando com ataques sucessivos pela direita, com Elielton e Tony, o PSC esbarrou na organização defensiva do Brasa, que abafava os ataques e saía jogando em velocidade. Nicolas parecia muito preso à marcação e Vinícius Leite não avançava como de costume.

No meio-campo, Tiago Luís era o responsável pela criação, ajudado por Yure e Caíque. Além do gol, Caíque mostrava mais desenvoltura e saía constantemente para ajudar nas ações ofensivas.  

Como o jogo estava muito disputado e o Belém não arrefecia, Hélio dos Anjos manteve a formação inicial para o segundo período. Trocou apenas Tiago Luís por Leandro Lima, acrescentando mais participação do meio-campo no esforço para empatar o jogo.

A mudança deu certo. Em disputa de bola na entrada da área, Elielton foi tocado por um zagueiro e o árbitro Inácio José marcou a segunda penalidade máxima. Confiante, Caíque se apresentou para cobrar, retardou o chute e mandou no centro do gol, igualando tudo novamente.

Ocorre que o Sport não estava mesmo a fim de ser apenas coadjuvante. Na saída de bola, em contra-ataque fulminante, Edcleber saiu de seu campo com a bola dominada e mandou um chute certeiro da entrada da área, estabelecendo 3 a 2, aos 11’.

Com a torcida já impaciente, o PSC partiu com tudo em novo esforço de recuperação. Depois de muita tentativa e erro, uma jogada bem construída pelo lado esquerdo fez a bola chegar até o centro da área, onde Nicolas só fez desviar para as redes.

Nicolas ainda teve bola preciosa aos 35’, mas o goleiro Ângelo apareceu bem e espalmou para o lado. Do lado do Brasa, a chance sorriu para Baião, substituto de Pecel, que chutou forte rente ao travessão.

O placar não se alterou mais, porém Hélio dos Anjos ainda teve tempo para algumas observações. Collaço saiu para a entrada de Diego Matos e Tony foi substituído por Bruno. Caíque foi expulso por jogo violento e Yure foi substituído por Willyam.

No ataque, Elielton cedeu lugar para Marco Antonio e Nicolas foi substituído por Flávio. Jogadores vindos da base e que o técnico parece disposto a ter como opção para a final da CV.

O resultado não foi o esperado pelo torcedor, mas o jogo certamente serviu para que Hélio observasse pontos falhos na esstrutura do time. Chamou atenção a fragilidade na marcação à frente da defesa e problemas de recomposição pelo lado direito da defesa. São problemas que podem atrapalhar bastante diante de um adversário mais cascudo e afiado.

Velocidade do adversário expôs problemas do Papão

Como teste, o amistoso foi bem mais produtivo que o de domingo, quando o PSC derrotou a Tuna por 2 a 0. Na entrevista pós-jogo, Hélio dos Anjos foi simpático em relação ao Sport, dizendo que chegou a comentar no banco de reservas que o time de Zé Carlos Pereira jogava direitinho.

O Sport fez mais que isso. Expôs fragilidades óbvias na marcação, claramente prejudicada sem Uchoa e Wellington Reis, ainda lesionados. Yure vem jogando como aposta do treinador, mas não tem ainda a força de combate que os titulares apresentam.

Sobre ele e Caíque, os meias rubro-negros Bruninho e Edcleber trabalharam a bola sem maiores dificuldades, explorando toques em velocidade e aprofundamento de jogadas com Pecel.

É claro que a concentração exigida em jogos decisivos não é a mesma de um amistoso, mas chamou atenção o nervosismo visível de alguns jogadores – Vinícius Leite, principalmente – quando o jogo parecia se encaminhar para uma derrota.

Apesar do papel discreto de Vinícius, Bruno Collaço garantiu que as ações ofensivas pela esquerda funcionassem melhor do que as investidas pelo centro e pela direita. Situações que exigirão de Hélio a intensificação de treinamentos táticos nos sete dias que faltam para o primeiro jogo, em Cuiabá. Ainda há tempo para corrigir rumos.

Clássico pune o torcedor com 55% de bola parada

É um problema antigo, recorrente até, no futebol brasileiro dos últimos anos. Vasco x Palmeiras, grande clássico nacional, disputado ontem à noite, em São Januário, teve impressionantes 45% de bola rolando e absurdos 55% de paralisação, catimba, antijogo. Em resumo, muito falatório e reclamação de jogadores, com quase nada de futebol.

Para piorar as coisas, um árbitro fraco foi inteiramente dominado pela pressão dos dois lados e chegou ao cúmulo de quase não apontar para o centro do campo no segundo (e polêmico) gol do Palmeiras, marcado por Luís Adriano.

O VAR marcou presença em algumas situações desnecessárias e deixou rolar o lance capital, que determinou a vitória palmeirense. Imagem de TV mostra que Luís Adriano atinge o pé do zagueiro do Vasco muito antes de alcançar a bola no começo da jogada.   

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 07)

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