Lula sairá da cadeia direto para o palanque. E para o confronto

Por Raquel Faria – Os Inconfidentes

O cenário é cada vez mais favorável à soltura de Lula. Não dá para prever quando ele sairá; pode ser em semanas ou meses. Mas, seja quando for , e como for, ele irá imediatamente para as ruas falar a seguidores em comício; quer sair da prisão como entrou, no braço de populares. Outra decisão do ex-presidente: liderar uma frente de oposição ou resistência “à destruição que está aí”. Ele vai retornar pronto para confrontar o bolsonarismo. E esse embate promete radicalizar o país, ainda mais.

Há vários fatores a favor de Lula. A jurisprudência e a tendência atual no STF o beneficiam; há chances de que ele consiga a anulação da sentença no caso do triplex, por suspeição de Moro, e a revisão do processo do sítio, por cerceamento à sua defesa. A crise no PSL também ajuda a soltura de Lula, que passa a ser politicamente interessante para Bolsonaro; afinal o presidente agora precisa de uma bandeira ou argumento para reagrupar as suas forças de apoio e nada melhor para isso que o líder petista solto nas ruas.

Até o favoritismo democrata na eleição presidencial dos EUA é ótima notícia para Lula, já que a sua liberdade é defendida por grupo forte no partido opositor a Trump. O líder americano do Lula Livre é o presidenciável em 3º nas pesquisas democratas, senador Bernie Sanders. Que terá poder numa eventual gestão do seu partido na Casa Branca, se não for o eleito.

Como será o Lula que sairá da prisão? O mesmo que entrou? Provavelmente, não. São 561 dias numa cela até a data de hoje. Tanto tempo atrás das grades modifica a pessoa. Lula deve sair mais preparado intelectualmente (leu muitos livros). E tomado por uma ira santa, revoltado com o julgamento na Lava Jato que considera injusto e parcial.

O ex-presidente manteve um perfil conciliador ao longo de sua trajetória, desde os tempos de sindicalista. Às vezes radicalizava um pouco para apaziguar depois, como mestre das negociações e acordos, ele conseguiu governar com as forças mais díspares; sua flexibilidade beirou a promiscuidade politica. Mas, a Lava Jato pode ter matado o Lulinha paz e amor. Para criar no lugar um líder insurgente, extremado e radicalizado. Talvez, um Lula sob medida para se contrapor ao radicalíssimo Bolsonaro.

A escalada da radicalização política-ideológica no país parece inevitável, a essa altura do campeonato.

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