‘Síndrome de Rony’ abala o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo parece sofrer de uma sina em relação a jogadores de nome Rony. Primeiro foi o atacante, que o clube perdeu no momento em que mais precisava dele, ao longo da Copa Verde de 2015. A entrada em cena de um empresário habilidoso tirou do Evandro Almeida, por R$ 230 mil (dinheiro que entrou oficialmente nas contas do clube), o maior talento revelado nos últimos 20 anos.

Pois o trauma pela perda de joia tão preciosa ameaça se repetir apenas quatro anos depois. Por irônica coincidência, um outro Rony é o protagonista da nova novela a se desenrolar nos bastidores do Leão.

Desta vez o Remo pode perder o lateral direito Rony, revelação que só ficou conhecido pela torcida ao entrar na partida que o Remo venceu o Atlético-AC, no Baenão, na Copa Verde.  

Depois, ele foi lançado no segundo tempo do primeiro clássico da semifinal diante do PSC. Na ocasião, Rony mostrou desenvoltura e habilidade. Foi o autor do chute que bateu na mão do lateral Bruno Collaço, gerando a polêmica do pênalti não marcado por Dewson Freitas.

No começo desta semana, Rony deixou a concentração do clube, onde mora. Como não se reapresentou, a direção de futebol fez contato com a mãe dele, que revelou que o jogador havia viajado a Barcarena, “para exames”.

A informação levantou as primeiras suspeitas porque Rony não precisa sair do Baenão para ser submetido a exames particulares – o clube oferece toda a estrutura necessária para atendê-lo. Mais surpreendente ainda foi a visita do atacante Gustavo Ramos, também empresariado pelo mesmo interessado na aquisição dos direitos de Rony.

Gustavo, segundo o presidente Fábio Bentes, teria ido à concentração apena para retirar os pertences de Rony, confirmando que o jovem atleta estava realmente abandonando o clube.

A partir daí, a história entra na seara judicial. O Remo vai tentar garantir seus direitos sobre o atleta, enfrentando o mesmo empresário que demonstra ter expertise em aproveitar as brechas nos contratos entre o Leão e seus jovens jogadores.

Segundo o presidente, a atual gestão não tem qualquer pendência em relação a Rony, mas, por via das dúvidas, ordenou um levantamento da situação do jogador no período final de 2017, quando o clube ainda era administrado por Manoel Ribeiro.

Situações que se repetem, ciclicamente, provando que o Remo ainda pode pagar preço muito alto pela negligência de gestões passadas.

TV que manda no futebol tenta reduzir desigualdade

Dona dos horários e se bobear até do regulamento do Campeonato Braileiro, a Globo parece estar readequando sua grade para tornar menos injusta a distribuição de cotas em dinheiro aos clubes, segundo informa o blogueiro Rodrigo Mattos. A mexida ainda é tímida, mas inaliza para uma mudança de postura, talvez por receio de uma “espanholização” da Série A.

A emissora paga 40% de forma igualitária, 30% por exibição na TV Aberta e outros 30% por classificação no campeonato. No total, serão distribuídos R$ 180 milhões por transmissão de jogo na TV aberta.

Como 90 jogos serão exibidos, cada clube deve faturar entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão cada vez que seu time aparecer na grade global. O Athletico-PR é o líder, com 16 partidas exibidas. As partidas do clube ssão contabilizadas tanto na TV Aberta como na internet, o que também conta como exibição na aberta.

O segundo colocado é o Corinthians, com 11 partidas, mas sua vantagem para os demai clubes diminuiu em relação a outros anos. Outra novidade é que o Flamengo não é o time com mais exibições. Tem nove partidas, abaixo do Vassco, com 10. Os outros clubes com nove jogos são Santos, Palmeiras, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG e Botafogo.

Apenas o Grêmio, dentre o grandess, destoa na distribuição de jogos. Teve aomente cinco partidas exibidas porque a emissora não prioriza times que usam reservas e têm partidas pouco atrativas. Pelos valores das cotas, o Athletico já acumulou R$ 17 milhões, quase 10% do total por exibição.

É cedo demais para imaginar um sistema de distribuição mais equânime, mas já é um começo. Seria oportuno que a CBF e os próprios clubes lutassem verdadeiramente para evitar que a Primeira Divisão se torne feudo de quatro ou cinco clubes, deixando um rastro de prejuízo para os demais.

STJD passa pano para a invasão nos Aflitos

A invasão do campo do estádio dos Aflitos após a partida entre Náutico e PSC, no mês passado, custou ao time pernambucano a graciosa multa de R$ 4 mil (R$ 2 mil por arremesso de objetos ao gramado e R$ 2 mil pela invasão).

Brando e compreensivo, o STJD tirou por menos o tumulto causado pela torcida do Timbu e desconsiderou o que reza o artigo 213, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – perda de até 10 mandos de campo, além de multa de R$ 100 mil.

A força política da Federação Pernambucana de Futebol falou mais alto. Se bem que, nesse departamento, o PSC não pode reclamar muito. As ocorrências do jogo contra o Juventude (2ª rodada da Série C) no estádio da Curuzu até hoje não foram julgadas pelo STJD.

Bola na Torre

O programa deste domingo de Círio começa às 21h, na RBATV. Guilherme Guerreiro comanda. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam dos debates.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 13)

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