Quem pode desequilibrar o clássico

POR GERSON NOGUEIRA

Será o último enfrentamento do ano entre os velhos rivais. Há muito em jogo, além da questão histórica. Questões do dia a dia dos clubes aumentam a importância e a dramaticidade do duelo desta tarde, no estádio Jornalista Edgar Proença. A principal delas é de ordem financeira. Quem avançar à decisão da Copa Verde garante, de cara, uma arrecadação em torno de R$ 800 mil (ou mais) no jogo em Belém.

Dinheiro bem-vindo e mais do que suficiente para sanar despesas de fim de ano com a folha de pagamento, que será turbinada pela prorrogação de contratos de atletas que seriam liberados em outubro, mas que terão que ser mantidos para a decisão em novembro. A conta inclui, ainda, o 13º salário.

Óbvio que tudo isso vai se tornar choro e ranger de dentes do lado derrotado neste domingo, pois as contas não cessarão e os encargos terão que ser custeados de outra forma, fato que leva a rompantes mais extremados, como a ideia de renunciar à Copa Verde em 2020, manifestada pelo presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul.

Diante do valor real e agregado do clássico de hoje, a coluna elenca os jogadores dos dois times que podem fazer a diferença no duelo decisivo. São poucos, mas têm qualidade e potencial para mudar a cara do jogo, desde que estejam em tarde inspirada e sejam bem acionados.

O Papão, que é o mandante deste segundo clássico da semifinal, tem em Nicolas sua principal peça ofensiva. Em todos os momentos de decisão ele estava lá, conferindo ou participando das jogadas de gol. Foi assim no fatídico jogo nos Aflitos, quando marcou um golaço e esteve perto de fazer mais dois, circunstância que também gerou algumas críticas.

Mas, como se sabe, boleiro de verdade é aquele que está lá na zona fatal brigando o tempo todo. Se, como no caso da partida com o Náutico, deixa de marcar é porque lá, em condições de finalização, e arriscando. Afinal, só perde quem tenta. Definitivamente, não se pode acusar Nicolas de omissão. Foi dele (contra o Bragantino) o gol que botou o Papão na semifinal.

Outro nome que pode desequilibrar, caso jogue em bom nível, é Tiago Luís. Em fase de recuperação e resgate de confiança, entrou no último Re-Pa, sem participar muito das ações ofensivas. Especialista em bola parada, o camisa 10 pode ser uma opção para o último terço do clássico.

Especialista em Vinícius Leite, autor do gol contra o Remo que classificou o PSC ao mata-mata da Série C, o atacante ganhou a titularidade graças à movimentação e à capacidade de finalizar de fora da área – mandou um chute no travessão no primeiro Re-Pa.

Entre os azulinos, o jogador mais importante não vem atuando bem desde as partidas finais da Série C. Eduardo Ramos, camisa 10 e organizador, apresenta queda de rendimento e mostra desgaste físico. Por conta disso, chegou a ser ventilada sua substituição por Zotti, situação na qual ele seria poupado para os 30 minutos finais. Nesse caso, poderia se tornar arma respeitável para aproveitar o cansaço do setor defensivo adversário.

Outro nome de relevância é o centroavante Neto Baiano, que vem prometendo muito, mas ainda não fez gol contra o PSC. Tem experiência em confrontos decisivos e facilidade para o jogo aéreo.

Por fim, o Remo tem Gustavo Ramos, o mais polivalente dos jogadores à disposição de Eudes Pedro. Teve boa atuação domingo passado, mesmo forçado a voltar para contribuir com a marcação. Tem velocidade, sabe driblar e só precisa caprichar mais na pontaria.

Caso esses atletas consigam jogar em bom nível, o clássico ganhará muito em qualidade e emoção, ao contrário do morno jogo passado.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na RBATV. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em destaque, o Re-Pa de definição do finalista da Copa Verde.

Fifa passa pano para o esdrúxulo calendário da CBF

O repórter Jamil Chade relata, em seu blog, que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reagiu com ar de perplexidade ao tomar conhecimento de detalhes do e enrolado calendário do futebol brasileiro para 2020, anunciado pela cúpula da CBF na quinta-feira (3).

Mesmo para alguém conhecido por disfarçar bem as reações, evitando incorrer em gafes públicas, Infantino demonstrou espanto ao saber que nove rodadas do Brasileirão foram programadas para o período da Copa América, torneio de seleções do continente e terceira maior competição do futebol internacional depois da Copa do Mundo e da Euro.

No caso da Série A, quase 25% das rodadas ocorrerão durante o torneio oficial da Conmebol. Apesar da aparente surpresa, Infantino, que substituiu Blatter na Fifa montado num discurso reformista, tratou de amenizar as coisas. Disse que é necessário rever critérios, mas sempre evitando ser mais duro em relação à CBF.

Até pela inexistência de regras que ordenem o encaixe de competições no calendário de datas da temporada, o chefão da Fifa limitou-se a emitir lamentos pela situação brasileira. Disse que é uma pena que isso ocorra, com claro prejuízo a clubes e jogadores.

De concreto, não disse rigorosamente nada. A questão é que a Fifa, globalizada e com o conhecido apetite voraz em relação às receitas que os torneios continentais podem gerar, prefere fingir-se de morta a fim de não ferir suscetibilidades. Enquanto isso, toca o barco normalmente, como se não houvesse nada a ser feito.

Mais ou menos como agem CBF e federações, incluindo a daqui. Palavras ocas, zero em atitudes que solucionem problemas e a eterna parcimônia de quem não mexe em time que está ganhando – no caso, muito dinheiro.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 06)

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