Supremacia nordestina

POR GERSON NOGUEIRA

Sampaio Corrêa e Náutico decidem em dois jogos o Brasileiro da Série C. Dois times vindos da chave nordestina da competição, que foi desde o início a mais efetiva na quantidade de gols marcados e a que também se destacou na conquista do acesso: três de seus times conquistaram vaga na Série B 2020 contra apenas um (Juventude) da chave que reuniu clubes do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, do Mato Grosso, do Acre e do Pará.

Para o torcedor paraense, ainda frustrado com as chances que PSC e Remo desperdiçaram na tentativa de classificação, talvez não seja muito confortável reconhecer que vizinhos andam fazendo melhor o dever de casa. É incômodo, por exemplo, ver que o Sampaio tem um trio que já esteve do lado de cá. Começa pelo técnico João Brigatti e inclui o auxiliar Junior Amorim e o jogador Ricardo Capanema.

Claro que é justo contabilizar os erros de arbitragem, principalmente o mais traumático deles – o pênalti marcado contra o Papão no estádio dos Aflitos –, como obstáculos respeitáveis no caminho da dupla paraense. O Náutico teve méritos para chegar à decisão do campeonato, mas aquela marcação de Leandro Vuaden vai estar sempre presente na cabeça do torcedor.

É obrigatório, porém, cumprimentar os maranhenses pela estupenda campanha do Sampaio. Com simplicidade, folha salarial modesta (bem mais enxuta, pelo menos, que a da dupla Re-Pa), sem badalações, o tricolor traçou um plano e cumpriu à risca, garantindo-se no mata-mata com antecedência de duas rodadas.

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Não ficou preso à ideia de garantir uma pontuação alta com um esquema caseiro. Mesmo sem grandes destaques individuais, o Tricolor de São Pantaleão pontuou muito fora de São Luís e este é um dos diferenciais importantes em relação aos nossos representantes.

Com uma diretoria que pareceu entender como resolver a equação financeira da Série C, unindo salários sob controle com austeridade na aquisição de reforços, o Sampaio se mostrou à altura do desafio imposto pela chave nordestina. Sua caminhada firme, desde as primeiras rodadas, mostra também que a banda A do torneio era tecnicamente mais qualificada.

O cruzamento inicial escancarou a ampla supremacia. Além do Sampaio, Náutico e Confiança avançaram, tendo apenas o Juventude classificado no grupo B.

É lógico que, diante do êxito do Sampaio, muitos irão defender a tese de que o PSC errou ao dispensar João Brigatti – aliás, outro ex-bicolor, Gilmar Dal Pozzo, comanda o Náutico. Bobagem. A dinâmica do futebol envolve a troca de treinadores e isso nem sempre determina êxito ou fracasso imediato.

No caso em tela, o mérito maior pelo sucesso maranhense é do conjunto da obra, devendo ser dividido entre gestão administrativa e gerenciamento do futebol. Não há milagre ou acaso, apenas competência.

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O tempo e o espaço que o VAR rouba do jogo

O VAR voltou a competir diretamente com os protagonistas de campo na rodada deste fim de semana da Série A. Árbitros inseguros e medrosos preferiram recorrer ao equipamento de vídeo, fugindo à responsabilidade de assumir a marcação de lances claros, como na falta cometida sobe o goleiro do Atlético-PR no gol do Vasco que depois seria invalidado pelo VAR.

Árbitro Anderson Daronco parece ter tremido na base receando anular diretamente a jogada. Optou pelo biombo eletrônico, que faz com que a torcida receba melhor uma anulação de gol. Antes, deixou de assinalar um pênalti claro sobre o zagueiro Castan, do Vasco.

No fim das contas, o comportamento da arbitragem acaba por tomar tempo e atenção de todos durante e depois do jogo. Tira o espaço que deveria ser dado a boas atuações dos dois times, com destaque para o paraense Rony, novamente agudo, ágil e incansável na busca pelo gol.

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Direto do blog campeão

“As perspectivas para os ‘enjeitados’ – nome oportuno para as eternas revelações das divisões de base, de Remo e Paysandu, não se pode mais nem rotular de ‘chuvas de verão’, posto que nosso verão paraense está desmoralizado; em pleno setembro chove todos os santos dias. Esta perspectiva somente será sinônimo de convicção e evolução quando for, de fato, premissa de planejamento associada a parâmetros de custo/benefício, de ambos os clubes, e do futebol paraense. A ideia poderia ser materializada a partir do regulamento do próximo campeonato paraense, fixando-se exigências de percentuais mínimos de jogadores egressos das bases, nos últimos 5 anos, em relação:
1) ao total de inscritos permitido na temporada;
2) ao grupo relacionado que assinará a súmula do jogo; e
3) aos 11 que iniciam cada jogo.
Fora disso, essas notícias não passarão de manchetes requentadas”. George Carvalho

“Amigo Gerson, não seria momento para a FPF lançar um campeonato paraense sub-20 com jogos nas preliminares dos jogos profissionais? Seria mais um atrativo aos torcedores, colocaria os meninos da base na vitrine e justificaria minimamente o desconto da ‘Taxa da Federação’, 10% da renda bruta dos jogos, recurso cujo destino é duvidoso, visto que não prestam contas publicamente”André Carim

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 23)

 

 

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