A hora de virar a página

baiano

POR GERSON NOGUEIRA

Confusa e nervosa, a atuação do PSC contra o Bragantino, quarta-feira, no Mangueirão, foi visivelmente afetada pelo clima de indignação reinante no clube pelas circunstâncias da perda do acesso no jogo com o Náutico. Pode-se dizer, sem erro, que o Papão saiu da Série C, mas a Série C ainda não saiu do Papão. Pelo bem do time, seria prudente superar a revolta e focar na disputa da Copa Verde.

Dom Vito Corleone ensina, na genial trilogia de Francis F. Coppola, que não é inteligente tomar decisões importantes com raiva. O mafioso mais famoso da história do cinema disse também que o ódio atrapalha o raciocínio. Apesar de mais ou menos óbvios, esses conselhos são normalmente esquecidos em momentos de ira.

É claro que não se pode banir da memória mágoas, cafajestadas e prejuízos. Pelo contrário: cabe guardar como referência para evitar novas vacilações e driblar riscos de reincidência, mas com o devido equilíbrio.

Independentemente do que venha a ocorrer com o recurso que o clube move no âmbito da Justiça Desportiva, o time deve tocar a vida, procurando se desligar – pelo menos ao longo dos 90 minutos – do que ocorreu no estádio dos Aflitos.

Em vários momentos da partida de anteontem, a reação dos jogadores denunciava esse sentimento de inconformismo em relação à arbitragem. É como se todos os árbitros do mundo tivessem a fisionomia de Leandro Vuaden. No jogo, o cartão vermelho aplicado pelo árbitro Rodrigo da Fonseca Silva (MT) a Micael e Léo Baiano foi correto e dentro das regras.

O zagueiro Micael, que já havia recebido um amarelo, foi expulso diretamente por empregar linguagem ofensiva, repetindo várias vezes a frase: “Você é um palhaço, não marca nada, seu safado” (segundo o texto da súmula). Convenhamos, não restava alternativa ao árbitro a não ser punir a agressão verbal.

Depois do jogo, a reação de atletas e integrantes da comissão técnica, no melhor estilo argentino de sufocar árbitros, resultou em mais duas expulsões, de Caíque e Wellington Reis, também por agressões verbais. Evidências de destempero emocional, até porque, como se sabe, decisão nenhuma tomada por um árbitro pode ser revertida depois do apito final.

O ocorrido no Mangueirão faz lembrar a sequência de expulsões nas primeiras cinco rodadas da Série C. A situação só foi contida com a chegada de Hélio dos Anjos. O problema é que, contra o Bragantino, o técnico também participou do enfrentamento à arbitragem.

E cabe observar, em relação ao jogo, que o empate em 1 a 1 pode ser mais lamentado pelo Bragantino. No segundo tempo, o árbitro mato-grossense ignorou um pênalti claro sobre o atacante Bilau.

O lado emocional não pode ser minimizado em competições esportivas, ainda mais no futebol, um esporte que mobiliza multidões e desperta paixões desvairadas. Nesse sentido, cresce a responsabilidade dos que dirigem times, que devem funcionar como pontos de equilíbrio.

Mesmo que não alcance êxito na luta para anular a partida pela Série C, o Papão tem pretensões de brigar pelo título da Copa Verde, disputada em fases eliminatórias. Reflexo da preparação mental deficiente, o time deixou escapar a vitória no primeiro confronto com o Bragantino e ainda perdeu quatro jogadores titulares.

————————————————————————————

STJD: histórico desfavorece

tentativas de anulação de jogos

A cruzada que o PSC desenvolve para tentar anular a partida contra o Náutico pela Série C do Brasileiro, com recurso impetrado no STJD, não foi a primeira (provavelmente não será a última) desta temporada. A fundamentação do da peça apresentada pelo clube é no Art. 259, parágrafo 1º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): “A partida, prova ou equivalente poderá ser anulada se ocorrer, comprovadamente, erro de direito relevante o suficiente para alterar seu resultado”.

Para a defesa, o lance que causou a penalidade aos 49 minutos do segundo tempo, nos Aflitos, não era interpretativo e detalha a nova regra para esse tipo de jogada. Logo, sob esse ponto de vista, a falta não teria ocorrido, levando ao erro de direito. A presidência do STJD ficou de se manifestar hoje sobre a reivindicação do PSC.

Um dos quatro casos de pedido de anulação de jogos foi o do Ceará, que alegava erro grotesco do árbitro prejudicando a equipe na partida contra o São Paulo, na estreia de Daniel Alves. O recurso se referia a um lance claro de penalidade cometida pelo goleiro Tiago Volpi. Curiosamente, um dia depois de apresentar a ação, o clube cearense desistiu do caso.

O Vasco teve solicitação parecida indeferida pelo tribunal, em julho, quando buscava invalidar o jogo contra o Grêmio, na Série A. As argumentações do clube de São Januário não foram consideradas.

Em junho, o CSA entrou com recurso após a derrota para o Flamengo, na Série A. Dias depois, Paulo César Salomão Filho, presidente do STJD, indeferiu a solicitação.

Antes, em maio, o Botafogo tentou a anulação da derrota para o Palmeiras por uso irregular do árbitro de vídeo. O STJD, em julgamento público realizado em Salvador, também não acolheu o pedido do Alvinegro.

Em meio a tantos exemplos de insucesso jurídico para ações de anulação de jogos, há uma exceção: a impugnação do jogo Aparecidense x Ponte Preta, válido pela primeira fase da Copa do Brasil, em 12 de fevereiro.

O Pleno do STJD impugnou a partida que havia sido vencida pelo time goiano por 1 a 0, acatando a tese de interferência externa. Uma nova partida foi marcada e a equipe de Goiás venceu de novo, desta vez por 2 a 0, avançando à segunda fase do torneio nacional.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 13)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s